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Futuro: Membros do Caprichoso e Garantido palpitam sobre o próximo século dos bumbás

Que feições o Festival Folclórico de Parintins e os bumbas terão daqui a 100 anos? Essa é a pergunta que não quer calar 24/06/2013 às 10:59
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O amor pelos bois vai sendo herdado a cada ano
Rosiel Mendonça ---

Coma comemoração dos centenários de Caprichoso e Garantido, um novo ciclo se inicia para os bois da Ilha Tupinambarana. Por isso, nada mais natural que surjam questões sobre o futuro dessa celebração à cultura popular: que feições o Festival Folclórico de Parintins e os bumbas terão daqui a 100 anos? De onde virá o fôlego para mais um centenário? Esse foi o exercício de imaginação proposto pela reportagem a integrantes que fizeram parte, ou ainda fazem, da concepção artística desse evento, que movimenta o Amazonas no mês de junho.

Para o ex-presidente do Conselho de Artes do Caprichoso, Simão Assayag, o boi segue os passos da sociedade, e o crescente reconhecimento da festa parintinense virá acompanhado de mudanças, que ele enxerga como cíclicas.

“O boi-bumbá antigo cantava uma proposta romântica e bucólica, enquanto hoje os temas giram em torno do ufanismo pelo boi, a disputa entre eles e a conscientização ambiental, que é uma necessidade nossa”, explicou ele. Esperançoso em relação à humanidade, Assayag acredita que daqui a alguns anos esse apelo ecológico pode começara diminuir.

Projetar o futuro

O presidente da Comissão de Artes do Garantido, Fred Góes, torce para que nos próximos 100 anos a comunidade parintinense avance na mesma proporção de aperfeiçoamento do Festival e do boi de Lindolfo Monteverde.

Para ele, a festa azul e vermelha é dinâmica: “Para sermos universais, temos que admitir mudanças que tragam coisas boas. Tudo pode ser mexido e recriado quando a finalidade é o bem-estar do espírito humano”.

Já o coordenador cênico do bumbá da Baixa, Chico Cardoso, conta comas bênçãos de São João para que o Garantido seja conduzido por mais um século. “Espero que, cada vez mais, os dois bois encontrem um caminho técnico para vestir essa festa comum a capacidade cênica e estética adequada à sua época”, afirmou.

Fofoca é o segredo

Cardoso também aposta na busca por novidades como um elemento para dar gás ao Festival até 2113 (e além), visão que é compartilhada por Simão Assayag. “Parintins é uma fábrica de artistas, gente de muita imaginação e ousadia, o que precisa é dar espaço para inovações”, opinou o torcedor do bumbá da Francesa. Na avaliação dele, a competição acirrada levou os bois a ficarem muito parecidos. “É preciso correr riscos calculados, senão acaba cansando o público”.

Por outro lado, a coordenadora do Departamento Cultural do Caprichoso, Odinéa Andrade, garante que é a fofoca que vai perpetuar o Festival de Parintins. “Sem ela, o boi-bumbá deixa de existir, porque todo mundo participa da fofoca e isso vai enriquecendo a festa como um todo”, disse. Ela também não descarta mudanças daqui para a frente - assim como o Pai Francisco e a Mãe Catirina deixaram de concorrer como itens oficiais e a Miss se tornou a Cunhã-Poranga, muita coisa pode ser repensada na estrutura artística do Festival. “Estudiosos que virão vão sentir a necessidade de que essa festa sempre precisa estar sendo mexida”.

‘Evolução é natural’

Daqui a 100 anos, o secretário de Cultura Robério Bragavê o Festival Folclórico de Parintins ainda maior e fazendo mais sucesso –“lamentavelmente, não estarei presente”, arremata o titular da SEC. Segundo ele, o Festival tem uma evolução natural, que decorre do próprio processo cultural e da condição da Ilha Tupinambarana, formada por um povo comum histórico nas artes.

“Se os parintinenses de 100 anos atrás estivessem aqui, eles iriam se surpreender com a grandiosidade que essa brincadeira atingiu, tornando-se a razão econômica da cidade e uma identidade não só do Amazonas, mas do Brasil”, afirmou.

Reflexões

A inovação e a vontade de sempre apresentar um Festival de Parintins recheado de surpresas também são alvos das reflexões de Robério Braga. “Mas isso eles fazem com bastante naturalidade, afinal, faz parte do processo natural de evolução do folclore”, disse.

Para ele, repensar aspectos do Festival não é essencial para manter a fidelidade dos torcedores, pois outros ingredientes se encarregam de reanimar continuamente os parintinenses. “Esse assunto é amplamente discutido durante os Seminários de Revisão Crítica que realizamos após cada Festival. Todos os melhoramentos estruturais que surgiram nas últimas edições surgiram desse projeto”.

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