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Especial
Excluídos da festa

Itens que foram excluídos da festa de boi bumbá realizada em Parintins

O resgate da identidade indígena deu uma nova cara à apresentação dos bois bumbás na arena 27/06/2013 às 13:33
Show 1
Shaolim duela com o touro vermelho e branco. Item foi excluído
Cinthia Guimarães ---

No ano de centenário do Boi Bumbá de Parintins, integrantes do Caprichoso e Garantido relembram como a brincadeira trazida pelos imigrantes nordestinos no início do século XX  passou por um processo de  transformação  até chegar aos dias atuais. 

Desde que o Festival Folclórico de Parintins foi criado, em 1966, para acabar com as brigas que aconteciam quando Caprichoso e Garantido se encontravam nas ruas da cidade, vários itens foram sendo incorporados à disputa. O festival já chegou a agregar 32 itens, hoje tem 21 deles.

Muitos itens mudaram de conceito ou deixaram de existir conforme a festa foi incorporando elementos da cultural local.  Fazendo parte da encenação com o boi na arena até a década de 80, o “toureiro” foi excluído pelo regulamento do festival por não fazer parte da narrativa amazônica, uma vez que a tourada é uma tradição oriunda da Espanhae é  considerada agressiva ao símbolo reverenciado na cultura popular brasileira, o boi-bumbá.

 “O toureiro não tinha conexão com o local; tinha mais a ver com a beleza da indumentária. Mas não está ‘linkado’ com o boi por ser uma coisa mais da Espanha”, explicou a historiadora Írian Butel, do Instituto Memorial de Parintins. O ex-toureiro do Garantido Evaldo Silva, mais conhecido como Shaolim, discordou desse ponto de vista. Ele considerava a tourada um espetáculo muito bonito na apresentação, que consagrava o boi como vitorioso do duelo.

Tradição

Mãe Catirina e Pai Francisco personagens principais na encenação do Auto do Boi, continuam fazendo parte do espetáculo, mas deixaram de ser itens analisados pelos jurados.

Os títulos defendidos pelas mulheres na arena, também ganharam novas nomenclaturas, especialmente na década de 90, lembra um dos pioneiros do Boi Garantido, Zezinho Faria.

Outrora simbolizando o glamour da mulher brasileira através de fantasias carnavalesca, agora elas representam a beleza das deusas amazônicas. No passado, a moça mais bonita da festa era a Miss do Boi, que se apresentava vestindo maiô, cetro, coroa e manto. Em 1991, essa figura foi substituída pela figura da cunhã-poranga (mulher bonita, em tupi), por ideia de Veramilto Almeida e Odineia Andrade,  colaboradores do Caprichoso.

 A porta bandeira, que carregava o pavilhão de cada boi, usando vestido longo e luxuoso, deu lugar à porta-estandarte de hoje, que simula a imponência da mulher indígena. A Rainha da Fazenda, que usava vestido galante e coroa, título mais ligado à monarquia europeia, também foi substituída por um novo item dentro dos bois: a Sinhazinha da Fazenda, personagem citada no Auto do boi, representa a matriz cultural branca.

Ideias filtradas

“Na década de 70 e 80, a disputa era de quem colocava mais coisas na arena, de quem mostrava o boi mais bonito. A apresentação era aleatória, as ideias iam surgindo”, informou Jucielle Cursino, membro do Instituto Memorial de Parintins. “As coisas foram sendo filtradas e deram uma cara nossa, a partir da década de 80”, completou a historiadora Irian Buttel. 

Pelo regulamento do festival, cada boi desenvolve um enredo, que é dividido em três blocos: musical, coreográfico e alegórico. Os itens individuais e grupais são avaliados pelo júri técnico, composto por artistas, historiadores, antropólogos, teatrólogos, de fora do Estado.

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