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Especial
O cara do boi

Jair Mendes, o cara do boi

O artista parintinense diz que trocou o Garantido pelo Caprichoso para dar mais equilíbrio à disputa entre os bumbás.  Ele foi o responsável pela evolução dos bois na arena 26/06/2013 às 10:12
Show 1
Mestre Jair Mendes diz que não pensa em se aposentar. " Só sei fazer isso, meu filho. Se parar, como vai ser?"
Artur Cesar Parintins

O nome dele é referência no Festival Folclórico de Parintins. No ano em que os bois comemoram seus centenários, é impossível não falar do artista parintinense Jair Mendes, 70 anos, 40 deles dedicados aos dois bumbás.  Responsável pelas maiores inovações  presentadas na arena do festival, Jair afirma não se imaginar fazendo outra coisa na vida.

Aos 23 anos ele foi para o Rio de Janeiro aprender com os desfiles das escolas de samba e voltou para ser mestre. “Vi que tinha condições de fazer até melhor. Como aqui não tinha Carnaval, começei a introduzir minhas ideias no boi e deu no que deu”, afirma. Hoje suas ideias são copiadas nos carnavais do Rio de Janeiro e São Paulo. 

Foi ele quem deu os movimentos aos bois e alegorias do festival. O boi passou a comer capim, mexer a orelha, balançar a cabeça. Um verdadeiro show de criatividade. “Em 1976,  no momento da apresentação do Garantido, fiz sair fumaça e o boi  mugir quando o padrinho foi ferrá-lo. Foi um escândalo naquele tempo. Senti, então, o que povo gostava de ver novidade  na arena”, recorda Jair Mendes. Ele não esconde sua fascinação por cobras, alvo de criações surpreendentes. “O povo até diz: ‘Não estou nem ai para a cobra do Jair’”, diverte-se.  

Sobrevivente

“É uma figura fundamental para o festival. Uma lenda viva. Quase morreu, mas está aí até hoje na ativa. Penso que foi a arte que o levou a viver mais”, afirma Marcos Azevedo, o Maquinho, tripa do Caprichoso. Ele se refere ao período em que Jair passou por um problema sério de saúde. Foi há três, quando sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e teve que ser  transferido às pressas para Manaus. “Ele é uma figura fantástica. A técnica dele para confeccionar o boi era algo como eu nunca tinha visto, ele tinha um prazer tão grande em fazer aquilo, e era incrível observar ele trabalhar. Nem sei explicar, era uma viagem muito louca!”, destaca o tripa do Boi Garantido, Denildo Piçanã.

Orgulho

Por quase 30 anos, Jair  esteve no Boi da Baixa e por duas vezes no Boi da Francesa, onde está atualmente. “Passei para o Caprichoso para nivelar a competição”, afirma, sem esconder o orgulho de seu  trabalho.

Pai de seis filhos, ele fala com brilho nos olhos do trabalho dos seus herdeiros, artistas de ponta nos bois. Enquanto Teco Mendes está no Caprichoso, Jair Mendes Filho está no Garantido. “Cresci vendo o papai criando e dando vida a esculturas. Tenho muito orgulho de ser filho dele”, afirma Teco. “Tenho certa facilidade de criar por ter crescido ao lado dele. Nossa família cresceu aqui (nos galpões)”, diz Jairzinho. 

Este ano, o mestre é responsável pelas alegorias da “Exaltação Folclórica” e “Figura Típica Regional” do Boi Azul. Ele garante que vai surpreender o público novamente. Vindo do Mestre Jair, não há dúvida de que isso vai acontecer.

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