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Parintins 2013: Itens dos bois têm guardiãs assimiladas a mães, chefes e secretárias

Ozinete Gonçalves e Admê Verçosa são responsáveis por cuidar e coordenar artistas individuais de Caprichoso e Garantido 28/06/2013 às 12:23
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Protetoras defendem itens de assédio do público
JONY CLAY BORGES ---

Responsáveis por uma parcela importante das notas dadas pelos jurados do Festival Folclórico de Parintins, os itens individuais recebem atenção para lá de especial dos bumbás Garantido e Caprichoso. Tanto é assim que as agremiações lançam mão de um profissional dedicado para cuidar das necessidades e do conforto desses artistas, a fim de que eles possam se preparar, relaxar e dar o melhor de si nas três noites de apresentações dos bois no Bumbódromo.

No lado do Caprichoso, quem faz a assessoria dos itens individuais é Ozinete Gonçalves de Jesus; no Garantido, o papel é desempenhado por Admê Verçosa, que divide a função com Isabel Peres de Oliveira. O trabalho dessas autênticas “guardiãs” começa até vários meses antes do início do Festival.

“Vem da gravação do nosso DVD, a partir de janeiro, segue durante o ano em festas como o lançamento do CD e DVD, até o trabalho de arena”, conta Admê, pelo segundo ano na função. O trabalho, diz ela, inclui cuidados estéticos com os itens – femininos principalmente – e acompanhar confecção de trajes, ensaios e testes de alegorias.“É um trabalho bastante delicado e requer atenção desdobrada da coordenação”.

Ozinete realiza um trabalho similar no Caprichoso há cinco anos. “Quando o boi entra no galpão, começo a conversar com os artistas que farão as fantasias. Quando os itens chegam (a Parintins) providencio academia, massagista, e por aí vai”, enumera. Nos ensaios, ela conta com equipe de apoio:“Somos sete pessoas. Agente seca o rosto, abana, leva água,e se dá um defeito na fantasia, ajeita. As costeiras, como são pesadas, a gente carrega. Somos mãe, babá, tudo”,brinca.

Outra função importante das coordenadoras é “poupar” os itens no tenso período que antecede o Festival. “Sofremos muito assédio, tanto da imprensa quanto de pessoas em geral. Trabalhamos com alegorias, roupas, todo mundo fica tenso, querendo um bom resultado, por isso é importante termos alguém para dar apoio nesses momentos”, opina a sinhazinha do Vermelho, Ana Luisa Faria. “Elas estão de parabéns, porque não é fácil, tem de ter uma responsabilidade muito grande”, acrescenta a porta-estandarte Patrícia de Góes.“Elas são guerreiras”.

No Azul, Ozinete também atua como “linha de frente”: “Quando tem de falar sério, é só eu. As meninas dizem,‘Olha Ozi,não posso me indispor, só quem pode se indispor é você’”,comenta,divertida.

Boa relação

A proximidade entre as “guardiãs” e os itens é grande, e nessa relação, tanto Admê quanto Ozinete têm seus momentos de “mãezona” e “chefona”. “Acho que tem um pouco de cada coisa. Tem que ser durona quanto tem que ser, e dar carinho quando tem de dar carinho. Existem os dois relacionamentos, mas há respeito acima de tudo”, declara Admê.

“A hora da chefona é quando o boi vai sair, e tenho de falar sério com maquiador e cabeleireiro para providenciar em tudo logo. E, às vezes, quando alguma está com mãe e não quer levantar,vou lá e digo, ‘Vambora!’”, relata Ozinete.

Concentração

Na semana que antecede o Festival de Parintins, a tensão aumenta de todos os lados, mas palavra de ordem é a concentração. “Nossa presidente (Márcia Baranda) não gosta nada de correria. Quando chegamos ao camarim, temos nosso momento de oração. Eles ficam mais tranquilos para se apresentar”, comenta Ozinete.

“Temos massagistas, praticamos mantras. Eles se preparam para estar com o equilíbrio 100% para a apresentação”, explica Admê. A razão é uma só. “Para que, nos três dias do Festival, alcancemos nosso objetivo: anota 10 todas as noites”.

Confinados ou não

Para assegurar que seus itens deixem os problemas do dia a dia de lado e se concentrem no Festival, o Azul criou em 2007a Casa dos Itens, onde eles se hospedam nos dias antes e durante o evento. O lugar recebe os quatro itens femininos, mais o apresentador Junior Paulain. “Aqui eles convivem, tomam banho de piscina, de sol. Nas três noites, fazemos aqui reuniões como Conselho de Artes”, diz Ozinete.

O Garantido, que também tinha sua Casa dos Itens, optou agora pelo “convívio familiar”, como explica Admê: “É nossa nova concepção esse ano: estar com a família e os amigos. Para ter uma descontração e para que nos dias de confinamento, a partir de sexta, eles estejam concentrados e consigam vencer o Festival”.

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