Quinta-feira, 02 de Abril de 2020
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Presença da indústria japonesa é cada vez mais forte em Manaus

Investimentos de origem nipônica definiram a cara da Zona Franca de Manaus, cujo modelo busca nova leva de aportes para ter mais competitividade



1.jpg Cônsul geral do Japão em Manaus, Hajime Naganuma, avalia parceria como favorável
10/06/2012 às 17:22

Há mais de 80 anos, Amazonas e Japão mantém uma relação de parceria, com a chegada dos primeiros migrantes em 1930. Décadas depois, os japoneses desempenharam um papel fundamental na consolidação da Zona Franca de Manaus. Quando o projeto começava a sair do papel, as grandes empresas japonesas foram as primeiras a acreditar no novo modelo. Hoje, os japoneses continuam como os maiores investidores do Polo Industrial de Manaus (PIM), com US$ 2,917 bilhões, mais que o dobro da segunda colocação, ocupada pelos norte-americanos.

E essa parceria tende a se estreitar com o interesse crescente por parte de diversas empresas de capital japonês em fazer investimentos no Amazonas, conforme afirma o cônsul geral do Japão em Manaus, Hajime Naganuma.



“A indústria japonesa não pode ficar estancada, está sempre buscando novas possibilidades, e o Brasil se apresenta como uma grande opção”, diz.

O consultor empresarial Teruaki Yamagishi lembra que, em Manaus, o capital japonês está distribuído em vários segmentos, e não apenas no eletroeletrônico – com gigantes como Sanyo, Sony, Panasonic e Pioneer –, e duas rodas, setor liderado por Honda e Yamaha. Pouca gente sabe que o emplastro Salonpas, do laboratório japonês Hisamitsu, é produzido em Manaus.

A Noritsu opera em soluções para impressão; a Orient mantém-se firme na fabricação de relógios, só para citar alguns exemplos. Ao todo, são 35 empresas japonesas em plena atividade, responsáveis por 25% do faturamento do PIM e por 20% dos empregos de todo o polo. A primeira grande empresa de eletroeletrônicos a aportar na Zona Franca foi a Sharp, em 1970, fabricando calculadoras.

“Naquela época, não tinha Distrito Industrial, a Zona Franca ainda estava praticamente no papel”, lembra o consultor. Os bons resultados da Sharp foram fundamentais para a atração de Sanyo e Toshiba, esta em associação com a brasileira Semp. Estava pronta a base para o polo eletroeletrônico. Empresas brasileiras como CCE e Gradiente vieram no lastro.

O segundo grande polo da Zona Franca, duas rodas, também começou com uma iniciativa nipônica, com a chegada da Moto Honda, em 1975.

 “A essa altura, o PIM era, basicamente, brasileiro e japonês, com poucas exceções como a holandesa Philips.

Para Yamagishi, a migração japonesa na década de 30 – com novos fluxos nos anos 50 e 60 do século passado – acabou tendo um reflexo determinante na atração de investidores daquele país para a Zona Franca. Para o consultor, a presença dessas comunidades torna o Amazonas um destino simpático aos orientais.

Essa influência estendeu-se ao comércio e até à mesa do amazonense, com a disseminação do consumo de hortaliças, por exemplo. “Sempre foi uma relação muito positiva”, diz.

Competitividade
O cônsul geral do Japão em Manaus, Hajime Naganuma, atesta o interesse de seu país em alargar a parceria com o Brasil e vê esse movimento como uma alternativa para elevar a competitividade da indústria nacional. O diplomata ressalta que a tendência mundial é de que as economias sejam mais abertas. Proteções nacionais por meio de sobretaxas como as utilizadas pelo Governo Brasileiro tendem a desaparecer no prazo de 20 anos. Até lá, o País precisa tornar sua indústria a mais competitiva possível.

“Uma forma de conseguir isso é por meio da introdução de alta tecnologia. E o Japão tem interesse em investir na transferência tecnológica”, diz. Segundo ele, novos ramos industriais têm crescido no Japão e buscam caminhos para expandir.

É o caso de empresas de informática e do setor de serviços, por exemplo. Foi em busca desses potenciais investidores que uma comitiva da Suframa esteve no Japão no final de maio.

O superintendente Thomaz Nogueira detalhou as vantagens que o Amazonas oferece durante o seminário “Invest in Brazil”.

A expectativa do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (Mdic) é que o seminário resulte em investimentos e cooperação entre os dois países. Naganuma ressalta que o Brasil concorre com outros países pelos investidores nipônicos, mas leva boa vantagem.

“O Japão já ocupa importante espaço na indústria e na identidade brasileira. Essa base é muito importante”, afirma.


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