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Promessa paga: o nascimento do Diamante Negro

Documentário que será lançado nesra segunda (24) conta trajetória de Roque Cid e do Caprichoso 24/06/2013 às 11:00
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Neta e bisnetas de Roque Cid moram na Sá Peixoto
Artur Cesar Manaus, AM

Uma promessa feita por Roque Cid a São-João Batista levou a nascimento do Boi Caprichoso. Assim como muitos nordestinos, o cearense era muito devoto ao santo e tinha prometido “botar um boi”onde chegasse, caso tudo desse certo em sua aventura pela região. Deu tão certo que aqui ele fincou raízes e construiu a história do Diamante Negro, alvo de documentário que será lançado nesta segunda (24) em Parintins, dentro das comemorações pelo centenário do boi.

O trabalho de pesquisa sobre a trajetória do bumbá ficou a cargo da historiadora Odineia Andrade e equipe do Instituto Memorial de Parintins, formada por Irian Butel, Larissa Andrade e Jucielle Cursino. Em breve um livro também será lançado como resultado dessa empreitada. O material foi coletado por meio de depoimentos. “Ninguém melhor do que os descendentes para comprovar a veracidade da história”, afirma Odineia, que lembra ter ouvido falar pela primeira vez de Roque Cid em 1981.

Entre as personagens ouvidas pela equipe de pesquisa está a neta de Roque Cid, dona Nelcina Cid, 69 anos. “Minha mãe contava as histórias sobre a brincadeira do boi no quintal da casa dela”, conta dona Nelcina, que faz questão de mostrar uma antiga agulha usada para confeccionar os primeiros bois de pano. “Isso é uma verdadeira relíquia. Não imagina os ralhos que a gente tomava se tocassemos nela sem permissão”, lembra a bisneta de Roque, Regina Cid. São pessoas assim que, por meio da tradição oral, escrevem a história do bumbá e do próprio Festival de Parintins.

A história de Roque Cid em Parintins, por sua vez, começa em 1897, quando ele, acompanhado dos irmãos Antonio e Beatriz, desembarcou na Ilha Tupinambarana. Segundo os relatos, o mais velho, Pedro, decidiu ficar em Belém (PA). Atraídos pela riqueza anunciada pelo ciclo da borracha, a família deixou a cidade de Crato, interior do Ceará, rumo ao Amazonas.

Com mãos hábeis para a construção, os Cid ganharam fama na cidade e prosperaram. Amigo de Roque Cid, o advogado José Furtado Belém comentou que conhecia um boi chamado Caprichoso, do bairro Praça 14, em Manaus. Era a dica que faltava: estava na hora de pagara promessa a São João Batista. Segundo Odineia Andrade, a data oficial do nascimento do Boi Caprichoso é 20 de outubro de 1913.


Por cinco anos, Roque Cid tomou conta do boi e festejou o bumbá, para depois repassar a responsabilidade para Emídio Vieira, o segundo dono do Caprichoso, de acordo com a história oficial. Pedro Cid e Nascimento Cid, filhos de Roque, chegaram a ocupar o posto. De início as brincadeiras aconteciam na rua Sá Peixoto, mas como passardos anos o curral ganhou vários outros endereços, na medida em que ia mudando de dono.

Isso porque o Caprichoso teve nove donos, denominação anterior ao de presidente. “Todos deram sua contribuição para a história do boi”, destaca Odineia. O Boi da estrela na testa assim construiu um verdadeiro cinturão azul na cidade, desde a Sá Peixoto, passando pela Rio Branco, João Meireles, Marechal Castelo Branco, Comunidade do Aninga, Travessa Cordovil e Gomes de Castro, no centro, onde atualmente está localizado o curral Zeca Xibelão.

Polêmica

Em Parintins correm outras versões sobre o nascimento do bumbá, até mesmo questionando a paternidade de Roque Cid. A família de Luiz Gonzaga, dono do Boi por 16 anos, por exemplo, briga na Justiça por isso. Nada que desestabilize a Nação Azulada, que faz planos de comemorar o centerário com mais um título.

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