Terça-feira, 21 de Maio de 2019
DIGNIDADE

Indígenas de área urbana em Manaus passam a ter acesso a água potável

Membros da comunidade Y'apyrehy, que vivem há 28 anos no bairro Redenção, sofreram com degradação do meio ambiente após a expansão urbana



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Fotos: Euzivaldo Queiroz
22/03/2019 às 12:11

Manter as tradições em meio a modernidade da área urbana foi um desafio durante muito tempo para os moradores da comunidade indígena Y'apyrehy, localizada no bairro da Redenção, Zona Oeste. Eles, que vivem no local há 28 anos, sofreram com a degradação do meio ambiente e com as dificuldades de conseguir água potável após a expansão urbana da área. Há alguns meses a esperança e dignidade, como eles denominam, vieram através das redes de distribuição de água, implantadas pela Águas de Manaus . 

Os 35 indígenas de diversas etnias convivem em um espaço com 14 residências e foram os primeiros da área urbana a receberem uma rede de abastecimento de água. No local, os técnicos da empresa fizeram uma extensão de rede de 442 metros, para abastecer as casas da comunidade e instalaram hidrômetros, para que cada família faça o controle do seu consumo. 

Por muito tempo os indígenas usaram água de vizinhos ou de um córrego que fica por trás da comunidade. Segundo Nilson Saterê,  a situação era muito complicado e desgastante, pois desde que invasões foram construídas nas proximidades da área, a fonte ficou poluída e eles tiveram que recorrer à boa vontade de outros moradores.  

“Quando o meu pai veio para essa área a gente usava água de um igarapé, pois não precisava da instalação ainda. Isso começou a mudar com as invasões que foram crescendo aqui perto. Então na época nós fizemos uma cacimba, e como o volume de pessoas nas áreas próximas foi crescendo, foi contaminando isso também. Não dava mais para utilizar. Então a gente começou a pegar água do vizinho  para usar aqui na comunidade”, explicou. 

Ele conta que ter água potável encanada em casa era algo que os moradores desejavam há anos e que, por muitas vezes, outros líderes da comunidade tinham tentado conseguir. “Isso foi se arrastando por anos, mas não podíamos ter por estarmos em uma área verde. A empresa na época disse que não podia fazer. A gente já tinha até perdido a esperança de ter água, mas ai veio a nova companhia fazer uma pesquisa. Contamos a situação e o trabalho foi feito. Nós somos a primeira comunidade indígena a ser beneficiada então temos muito a agradecer. Foi um trabalho longo, mas hoje após a luta dos mais antigos que moravam aqui, fomos beneficiados com esse novo olhar da empresa e somos muito gratos”. 

Assim como ele, a jovem indígena Suzy Ferreira relatou as dificuldades enfrentadas no passado. Hoje ela agradece por conseguir fazer suas tarefas diárias sem pedir água de vizinhos. “Hoje posso lavar a louça na pia e uma roupa sem ter que carregar balde. Antes era muito complicado até para fazer comida e beber água. Poder ter esse benefício saindo na torneira facilitou a nossa vida. Somos uma comunidade pequena, mas precisávamos ser vistos”.

Esperança para àqueles que não tem água 

O primeiro contato entre a concessionária e a comunidade aconteceu no mês de julho do ano passado, logo após a chegada do grupo em Manaus, quando o setor de responsabilidade social da empresa fazia estudos no bairro Redenção. Ao tomar conhecimento da necessidade dos indígenas, a empresa passou a trabalhar em um projeto para executar as extensões de rede no local e as obras duraram cerca de dois meses. 

“Foi uma surpresa para a gente. Não sabíamos que tinham comunidades indígenas dentro de uma área urbana. Estamos andando pela cidade e tentando identificar quem precisa. É o olhar para as pessoas, olhar para uma coisa cultural da cidade. Só conseguimos fazer esse tipo de ação se estivermos andando pela cidade. Temos esse compromisso, além de cumprir as metas do contrato, executar e garantir o abastecimento, mantendo a água sete dias por semana, 24 horas por dia”, afirmou o diretor presidente da concessionária, Renato Medicis.

Assim como a comunidade indígena, outros locais também já tiveram serviços executados e melhorias por meio do contato com a empresa. Um dos programas que visa essa proximidade com o cliente é o Afluentes, que de acordo Medicis, tem como um dos objetivos manter o relacionamento com as lideranças comunitárias. 

“Hoje temos cerca de 280 líderes comunitários cadastrados na empresa que falam com a gente diariamente sobre as demandas de cada comunidade. Se tiver precisando de alguma coisa, eles nos acionam com tranquilidade. Às vezes tem um bairro onde praticamente todo mundo é atendido, mas tem situações como essa, onde existem casas que não tinham água, muitas vezes por terem sido construídas recentemente. Então a gente vai lá, constrói a extensão de rede, que em muitos casos é de apenas 50 metros, e já deixa tudo regularizado”, esclareceu.


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