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Especial
Bois nas ruas

Tradição dos bois nas ruas de Parintins é renovada

Todos os anos, multidões acompanham os bois Garantido e Caprichoso em trajeto pela Ilha Tupinambarana 25/06/2013 às 11:02
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Boi de rua do Garantido começou com a tradicional ladainha no curralzinho, com orações cantadas em latime apresentações da batucada mirim
Rosiel Mendonça Parintins

Na segunda-feira(24), noite de São João, o boi Garantido saiu mais uma vez do curral e invadiu as ruas  de Parintins. Dando continuidade a uma tradição iniciada pelo criador do bumbá vermelho e branco, a família Monteverde realizou uma ladainha no curralzinho do boi, na Baixa do São José, que contou com a participação de cerca de 50 familiares de Parintins e Manaus, além de torcedores e curiosos. Em seguida, a Associação Garantido organizou a saída do boi pelas ruas da cidade, num cortejo que só foi terminar em frente à Catedral de Nossa Senhora do Carmo, no Centro.

Considerado o aniversário do Garantido, o dia 24 de junho também marca o cumprimento da promessa feita a São João por Mestre Lindolfo, ainda na adolescência, quando ficou bastante debilitado pela malária: se fosse curado, ele prometeu ao santo que, enquanto fosse vivo, não deixaria de levar  seu boizinho  de curuatá às ruas. E é essa tradição que os Monteverde se encarregam de renovar  todos os anos.

“Hoje, devido à nossa insistência, ficamos felizes em ver que as pessoas passaram a valorizar mais essa tradição”, declarou a neta de Lindolfo e presidente da associação que leva o nome do primeiro amo do Garantido, Cleomar Monteverde.  “O Garantido não pode ser só o profano, ele é profano e sagrado. Quem quer ser Garantido tem que entender que ele é um boi de  festa, mas também de promessa”,  disse.

‘Poema selvagem’


De acordo com o diretor administrativo do Caprichoso, Osmar Paes, e a coordenadora do  Departamento Cultural do Caprichoso, Odineia Andrade, o boi de rua do bumbá azul ganhou  fôlego novo a partir de 2001, durante a presidência de Dodozinho Carvalho, depois de ter  passado quase 20 anos sem ser realizado.

“A intenção é reproduzir as antigas brincadeiras de boi, quando ele ia para as ruas e quintais. Por isso, os itens se vestem ao modo antigo”, disse Paes, explicando que o Caprichoso, paramentado com elementos folclóricos, é conduzido pelos vaqueiros e marujeiros.

Segundo Odineia Andrade, antigamente o boi saía nas ruas e parava em frente às casas que tivessem uma fogueira acesa em troca de dinheiro ou guloseimas, como mugunzá. “Os bois precisavam disso para se manter,  e os padrinhos  trouxeram muitos adeptos para o Caprichoso”.

Ela considera os bois de ruas dessa época como “poemas selvagens”, pois era comum que, durante o cortejo, integrantes dos bumbás rivais travassem verdadeiros confrontos físicos.  “Hoje, enquanto para os jovens o boi de rua é um convite para eles saírem para brincar nas ruas, para os mais velhos a passagem do cortejo desperta um sentimento de saudade”.

Hoje tem festa

A festa de rua do Caprichoso pode ser conferida hoje(25), a partir das 19h30. O cortejo sai do Curral Zeca Xibelão e segue até o Bumbódromo, quando os integrantes do boi da Francesa  farão uma passagem de som na nova arena.

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