Sexta-feira, 03 de Abril de 2020
Modificações

Escola de samba da Alvorada inova e Diogo Pinheiro abre o 'desfile da inclusão'

Com o tema: “Oi, Eu Estou Aqui! Alvorada com um Cromossomo a Mais Mostra que Ser Diferente é Normal”, a Alvorada espera agitar o Sambódromo levando consciência social



diogoejacare_D7FC930B-97A8-40BB-9033-D1F2DF9A58A4.JPG Fotos: Euzivaldo Queiroz
17/02/2020 às 15:04

A Unidos do Alvorada veio reformulada para este Carnaval e, uma das principais mudanças ocorreu na parte artística, com a contratação do parintinense Diogo Pinheiro para a confecção dos carros alegóricos. O objetivo é buscar “novas visões” na azul e branca e popular agremiação da Zona Centro-Oeste da capital amazonense.

“Este é o meu primeiro ano na escola e numa parceria incrível com o carnavalesco Alexandre Gaudi e temos trocado muitas ideias a respeito do Carnaval, novas visões. Pudemos nos unir me prol do melhor da Unidos da Alvorada principalmente em termos de criação alegórica. Os carros deste ano virão diferentes, com uma proposta diferenciada e com a ‘cara’ do Gaudi, que é muito criativo e uma pessoa muito humilde e responsável pelo seu trabalho. A minha chegada à escola só veio mesmo agregar valor na agremiação pois a equipe que montamos é de excelência”, comentou o humilde artista.



Ele informa que os trabalhos de soldagem dos três carros alegóricos seria finalizado na semana passada, e que até ontem encerraria o mesmo trabalho nos tripés da comissão de frente. “No ano passado, na Vitória Régia, nós trabalhamos até o último dia por conta da dificuldade dos repasses financeiros. Foram 28 dias para quatro carros e um tripé. Foi uma loucura, mas graças a Deus, na medida do possível conseguimos entregar”, relembra ele.

Na estreia pela Alvorada ele prevê que os trabalhos demandem um total de dois meses a 45 dias, com 17 operários de barracão. E é aí que veio outra mudança: “Eu praticamente mudei toda a equipe por conta de situações que algumas pessoas não queriam mudar, e aí quem mudou fui eu. Não posso ajudar quem não quer ser ajudado. Adquiri experiência, fiz minha norma, meu cronograma de trabalho. Estamos passando para um outro patamar e quem não quiser ficará para trás”, declara o artista.

Setor do barracão onde são confeccionadas as fantasias da escola de samba / Foto: Euzivaldo Queiroz

Sobre a acolhida que teve na comunidade do Alvorada, ele faz um relato emocionado: “Há coisas que a gente não compra, e sim conquista. E acho que conquistei meu espaço aqui na escola com muito trabalho e humildade. São pessoas muito humildes que gostam muito da escola”.

Enredo da inclusão é um desafio

Diogo Pinheiro ressaltou que o enredo da escola Unidos da Alvorada para esse ano - “Oi, Eu Estou Aqui! Alvorada com um Cromossomo a Mais Mostra que Ser Diferente é Normal”, abordando a necessidade da inclusão social - é um desafio para ele.

“Estamos montando uma outra estrutura para as pessoas (com deficiência (PCDs)) para não deixar a desejar nada para eles. E as coisas estão fluindo de forma muito bacana. Estou muito feliz de estar este ano na Unidos do Alvorada. Não sei se vou ficar ou sair, mas estou fazendo o meu melhor aqui, sempre, graças a Deus”, comentou.

Ele explica que está utilizando muitos materiais alternativos para a confecção dos carros alegóricos, mais em conta financeiramente, mas que dêem o mesmo efeito na avenida, caso do plástico brilhoso reciclado e borrachas de ar-condicionado. “As estruturas virão diferentes em relação aos Carnavais passados; grandiosas e com movimentos, como é a característica das minhas obras”, informa Diogo.

O artista destacou o empenho do presidente da escola, Joacy de Souza Castelo, conhecido como “Jacaré”. “O nosso próprio presidente é uma pessoa muito humilde e bacana, ajuda a todos. É um paizão mesmo, que abraça a escola realmente”, comentou.

Repórter de A Crítica

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