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Arquitetura: Amazônia comemora 50 anos de Severiano Porto

Arquiteto completou 86 anos na sexta-feira (19) e esse ano faz meio século que o mineiro deixou Niterói, onde morava, para viver na selva; aqui ele ajudou a formar a indentidade urbanística de Manaus e usou o conceito de sustentabilidade em suas obras 21/02/2016 às 18:45
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Antigo Vivaldão aproveitou o relevo local e economizou custos
Gerson Severo Dantas Manaus (AM)

Corria o ano da graça de 1966 quando  o arquiteto mineiro Severiano Mário Porto reuniu  a família, que morava no Rio de Janeiro, e solenemente anunciou: “Vamos morar na selva!”. E desse modo transferiu o escritório dele para Manaus e assumiu pelas quatro décadas seguintes um protagonismo único na arquitetura nacional, estando hoje para a Amazônia como Niemeyer está para o Brasil e Le Corbusier para o mundo.

Da mente, grávida e inebriada de Amazônia,  de Severiano surgiu de tudo um pouco: casas, igrejas, centro de pesquisas, lojas, bancos, parque aquático, universidade, hotéis, estádios e até  reservatórios de água, que por acaso foram os mais baratos e os melhores já construídos neste Estado.

A vinda para Manaus se deu após três anos de intenso trabalho na região e uma carteira de clientes em todos os Estados da região, o que fazia o deslocamento ser caro e dispendioso.


Além das obras em si, ele foi importante para definir regras de urbanização e de valorização de uma estética que primava pelo uso de matéria-prima regional, mas sem abdicar das possibilidades de uni-las às novas tecnologias e materiais. “Eu acho que a tecnologia não para de evoluir, e todas essas tecnologias modernas, estrutura metálica e estrutura de concreto não invalida a estrutura de madeira e a cobertura de palha. Pode e deve-se usar tudo. Na época que estávamos concebendo o projeto da Universidade (Federal do Amazonas) fui a Usiminas duas vezes e acertamos a compra da estrutura metálica”, contou em entrevista para o livro “Poesia na Floresta, a Obra de Severiano Porto no Amazonas”, do também arquiteto Roger Abrahim (Reggo Edições, Manaus, 2014).

A descaracterização do regional em função do global, como se percebe na arquitetura praticada no Amazonas hoje, também estava entre as preocupações dele. “Morar na Amazônia, sentir a região, o clima... Antigamente as pessoas sentiam mais porque não tinha a interferência, ainda, da televisão, que criou uma mentalidade única muito forte”.

Questionado por Abrahim se já se sentia um amazonense, ele é enfático: “É, eu vesti a camisa. Não existe na vida mais ou menos. Ou você entra ou não entra, ou você é ou você não é. Não dá para ser mais ou menos, mesmo como profissional. Realmente a gente veio, defendeu e botou a boca no mundo quando foi o caso e deu certo”.

Em 2009, contudo, amargurado por saber que o Vivaldo Lima seria demolido, sentenciou: “Nunca mais volto a este Esta do”. E assim tem sido!

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