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Bar do Armando resgata tradição do ‘Entrudo’ no último dia ano

Patrimônio localizado na rua Dez de Julho, no Centro Histórico de Manaus, vai sediar no dia 31 evento relembrando a brincadeira dos antepassados portugueses que deu origem ao Carnaval; celebração é o pontapé inicial para a Banda da Bica, que sai dia 23 de fevereiro 30/12/2018 às 11:52 - Atualizado em 07/01/2019 às 14:37
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A empresária Ana Cláudia Soeiro, herdeira do saudoso português Armando Soeiro: comandada por ela, o Bar do Armando recebe a "Festa do Entrudo" neste dia 31 de dezembro / Foto: Arquivo/AC-15-2-2017
Paulo André Nunes Manaus (AM)

O entrudo, manifestação popularizada no Brasil pelos portugueses e que deu origem ao Carnaval atual, terá um interessante resgate neste dia 31 de dezembro. Tendo como local o Bar do Armando, localizado no Largo São Sebastião, acontecerá, de 16h às 20h, nesta véspera do ano novo, a “Festa do Entrudo”, relembrando a brincadeira de jogar talco e maizena nas pessoas e reacendendo a tradição que nunca cai por terra. É a oportunidade de, além de relembrar os antigos Carnavais, também se preparar para a folia de Momo de 2019.

Quem faz o convite é a empresária Ana Cláudia Soeiro, filha do popular e saudoso comerciante português Armando Soeiro, que todos os anos é reverenciado na Banda Independente da Confraria do Armando (Bica), que sai sempre aos Sábados Magros de Carnaval no bar localizado na rua Dez de Julho, no Centro Histórico de Manaus e ao lado do Largo São Sebastião.

“Na época que o meu pai era vivo a festa já acontecia no bar há muitos anos, mas não era grande: era mais pros freqüentadores do bar que vinham todo dia 31 e levava talco e um ficava jogando no outro e isso é festa antiga – era pequena, só pra quem estava lá. Ano passado nós fizemos divulgando na Internet em cima da hora, dando pouca gente, mas sendo muito bacana. Quem foi, amou. E esse ano vamos fazer de novo para não perder a tradição. Já será o pontapé para a Banda da Bica 2019”, disse Ana Cláudia.

Sem arriscar, ela diz que a expectativa de público é indefinida. A herdeira de Armando Soeiro ressalta que a festa começa e acaba cedo tendo em vista para que, na véspera do ano novo, “dê tempo de todo mundo se divertir e depois ir para suas casas passar o Réveillon com os familiares ou os amigos”.

A “Festa do Entrudo” terá como atração musical o grupo Rosivaldo Menestrel e os Metais de Olinda . “Lá no Bar do Armando vamos nesta segunda-feira, último dia do ano e véspera do ano novo, fazer o maior Carnaval com a ‘Festa do Entrudo’. Muito frevo, samba e marchinhas pra todos”, reforça o cantor.

Origem do Entrudo

O Entrudo, do latim introitus (intróito, dar entrada, introduzir), era uma brincadeira de origem portuguesa que consistia em lançar uns aos outros água, farinha e tinta (alguns mais curiosamente e de forma a insultar as outras pessoas arremessavam até água de lama e, pasmem, urina e até sêmen) em quem passasse à sua frente. Também significava o começo ou anúncio de aproximação do período da quadra quaresmal. Uma das primeiras referências vem da Idade Média, de 1252, e não propriamente com relação às festividades carnavalescas: foi no reinado de Dom Afonso 3º, quanto a um documento sobre o calendário religioso.


A obra "Luta entre o Carnaval e a Quaresma", de 1559, de autoria do artista Pieter Bruegel / Foto: Reprodução

Ainda nessa época, em Portugal, notava-se, em algumas brincadeiras, a presença de grandes bonecos chamados de “Entrudos”. E, ao final do século 18 e início do 19, o Entrudo chega ao Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro, para cair nas graças do povo e virar a maior festa popular do País.

Era dividido em dois tipos: o Entrudo Familia (jovens da mesma família jogavam limões entre si nas suas casas) e o Popular (considerado violento e grosseiro, e realizado nas ruas, com a participação do público em geral, inclusive escravos, arremesando diversos tipos de líquidos (entre eles pós, urina e sêmen). Detalhe: na época, se um negro melasse algum branco, ia preso.


Aquarela de 1822 que representava o Entrudo no Rio de Janeiro: pintada por Augustus Earle / Foto: Reprodução

Obrigado por compartilhar. Lembre-se de citar a fonte: https://ensinarhistoriajoelza.com.br/carnaval-de-debret/ - Blog: Ensinar História - Joelza Ester Domingues

“O Entrudo é uma tradição que já ocorria na Idade Média e que marcava o fim de um ano e o início de outro, antes da Quaresma, sendo até bem anterior à festa feita pelos portugueses. E, com o passar do tempo, migrou mais para perto do Carnaval”, disse Ana Cláudia Soeiro.

Ah, um aviso para você que vai para a “Festa do Entrudo” no último dia de 2018: vá de roupa leve, não esqueça o talco e a maizena, e se puder, vale até levar bisnagas para arremessar água nas pessoas e uma sombrinha pra se “proteger”! E leve junto espírito esportivo de folião, afinal, tudo será festa!

Lançamento

O Bar do Armando sediou neste sábado, dia 29, o lançamento do samba-enredo 2019 da escola de samba do grupo de acesso Beija-flor do Norte – “De Pai pra Filho – O DNA do Samba Caboclo no Sangue da Beija-Flor do Norte”, que vai homenagear os artistas sambistas Edu do Banjo e seu filho, Dudu Brasil. A composição é de autoria de Rui MachadoChico Da SilvaJunior Rodrigues, Edu do Banjo e Dudu Brasil.

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