Quinta-feira, 23 de Maio de 2019
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Bloco de Carnaval do tradicional bar Caldeira promete reunir mais de 10 mil foliões

Criado há 53 anos e sempre com veia boêmia e carnavalesca, o Bar Caldeira fará o seu tradicional bloco no dia 8 de fevereiro. O local, claro, é o cruzamento das ruas José Clemente e Lobo D’Almada, onde fica o bar



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O atual proprietário do Bar Caldeira, Carbajal Gomes, e a porta-estandarte do bloco, Simone Holanda, empunham a bandeira do local, ao lado da Velha Guarda do tradicional point boêmio manauense
06/01/2016 às 12:21

O Centro Histórico de Manaus sempre teve vocação para a folia, tanto que algumas das principais e mais tradicionais bandas carnavalescas da cidade estão localizadas nesta área específica, alegrando milhares de amantes do Carnaval nos dias em que são realizadas. Três dessas bandas, em especial, despertam a atenção do público: a dos bares Caldeira, Armando e da Rádio Difusora. São elas que A CRÍTICA vai retratar a partir de hoje, em três matérias abordando características e históricos de cada uma.

No caso dos bares Caldeira e Armando, ambos são considerados Patrimônio Cultural Imaterial do Amazonas desde o ano passado, a partir do Projeto de Lei 4.199.

EXPLOSÃO

Criado há 53 anos e sempre com veia boêmia e carnavalesca, o Bar Caldeira fará o seu tradicional bloco no dia 8 de fevereiro, Segunda-feira Gorda de Carnaval, com a expectativa de reunir mais de 10 mil foliões, informa o comerciante Carbajal Gomes, atual proprietário. O local, claro, é o cruzamento das ruas José Clemente e Lobo D’Almada, onde fica o bar.

Originalmente, o Caldeira se chamava Bar Nossa Senhora dos Milagres, e sua primeira proprietária foi a comerciante Maria Cruz. A nomenclatura do local mudou após a trágica explosão das caldeiras da Santa Casa de Misericórdia, ocorrida em 14 de janeiro de 1970, que vitimou três pessoas e feriu outras 15. Detalhe: nenhum frequentador do estabelecimento ficou ferido, como que por milagre! E mais: a data foi fixada como a de aniversário do bar.

Presença confirmada

Vários personagens folclóricos que frequentam o bar há muitos anos já confirmaram presença na banda, integrando a tradicional Velha Guarda do Caldeira. Entre elas está a cantora Kátia Maria, 76 anos de vida e 58 de profissão, que ficou conhecida, além do talento, por ter sido a primeira mulher a frequentar e se apresentar no local, que tinha predominância de clientela masculina.

Ela, que é considerada a “Rainha do Rádio Amazonense”  e que integra as “divas caldeirenses” conta que, no dia do bloco, fará sua despedida oficial como artista de Carnaval, apresentando-se no palco montado para as atrações musicais. “Estarei me despedindo deste bloco, após tantos anos e satisfação e alegria. Eu adoro Carnaval”, diz ela.

Também frequentadora assídua aos domingos, de 18h às 20h, a delegada Graça Silva assume ser “caldeirense de carteirinha” e confirmou, claro, presença no bloco. “A minha satisfação no Caldeira são todos os dias. Fui a segunda mulher a frequentar aqui”, disse ela, ao lado de outros ícones do local, como Celestina Maria, Nazaré Lacute, Delbanor Dias Filho, Bete Balanço e Flávio de Souza, autor do Hino do Nacional.

Vinícius e a ‘Calçada da Fama’

A história do Bar Caldeira foi formada, além da folclórica e trágica explosão das caldeiras da Santa Casa, também pelo seleto grupo de grandes artistas que frequentou o bar em seus 53 anos. É o caso de Silvio Caldas, Jair Rodrigues, Jamelão e Vinícius de Moraes (que ganhou até um dia dedicado a ele no Caldeira, que é todo 13 de setembro). E todas esses “monstros” da música foram perpetuadas na calçada da fama que o bar possui.

A próxima placa a ser instalada será a da artista Ivone Lara, hoje com 94 anos. “O Caldeira é um espaço democrático que integra as pessoas, onde se vê jovens, senhores e senhoras de várias ideologias políticas e credos, raças e foi point durante a Copa”, reforça Carla Conorí, relações públicas do bar.


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