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‘Boi de Rua’ do Caprichoso é tradição viva que sobrevive há mais de 100 anos

Considerado um dos momentos mais importantes do Caprichoso, além das três noites de apresentação, o ‘Boi de Rua’ leva centenas de pessoas às ruas seguindo a tradição de acender fogueiras na frente das casas e a utilização de lamparinas 25/06/2015 às 15:12
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Antigamente, quando não havia o bumbódromo, o Caprichoso ia para as ruas com o boi, de casa em casa, festejar, brincar, pular e brincar
nathália andrade Parintins (AM)

“A sensação de ver o meu Boi Caprichoso brincar nas ruas, reforçando essa tradição linda e contagiando os apaixonados pelo Touro Negro, é um sentimento nobre, só se sente, não tem como explicar”. Emocionada, a aposentada Maria Rita Almeida, 76, busca traduzir em palavras a festa realizada pelo Caprichoso nas ruas em Parintins, desde os primeiros anos de sua fundação.

Fogueiras, lamparinas, Marujada, Vaqueirada, Pai Francisco e Mãe Catirina eram alguns dos elementos presentes na brincadeira, que até hoje reúne famílias nas portas das casas e centenas de brincantes em caminhada, pelas ruas da cidade.

Ao longo dos anos, algumas características do Boi de Rua passaram por modificações até chegar aos moldes de hoje, onde itens oficiais comandam a festa de cima de trios elétricos, sucedidos de torcedores que entoam as toadas do boi Caprichoso durante quatro horas de festa, ao som da Marujada de Guerra.

Para a pesquisadora, historiadora e folclorista Odinéa Andrade, a saída do bumbá às ruas proporciona momentos inesquecíveis, que passam a compor e enriquecer a história do azul e branco a cada ano.


“O Boi de Rua é o momento que considero o mais importante e mais folclórico do Boi Bumbá, depois das três noites de apresentação, porque é  quando o torcedor esquece qualquer problema ou adversidade e extravasa. A gente grita, pula, brinca, canta, chora, ri e declara esse amor incomparável pelo Caprichoso”, contou Odinéa, que comanda o Departamento Cultural Ednelza Cid, no Curral Zeca Xibelão.

A pesquisadora soma 40 anos dedicados ao Caprichoso e relata como eram as edições antigas do Boi de Rua. “O boi brincava nas casas, com fogueira armada, havia comidas típicas para os convidados e pessoas que estavam assistindo. Era aconchegante e familiar. Não havia o apresentador, mas tinha o amo e era um clima muito gostoso”, conta ela.

Na época, os mais antigos preparavam uma bebida chamada aluá, de origem indígena. “Essa bebida a gente levava para os marujeiros e fazíamos uma espécie de ‘esquenta’ antes de começar a brincar pelas ruas. Era feita de milho fermentado com cachaça e todo mundo gostava”, relembra.


Na década de 90, o Caprichoso passou um período sem Boi de Rua. “Fez muita falta nesse tempo em que não houve. E ele ressurge em 2001, na presidência do Dodozinho Carvalho. O que encanta nessa brincadeira é que ela não tem classe social, não tem dinheiro, não tem o melhor vestido, não tem o mais bonito e nem o mais feio.

Está todo mundo junto, no mesmo patamar, com os pés no chão, alguns com sapato nas mãos porque quanto mais à vontade melhor, os torcedores se abraçam. É inexplicável o Boi de Rua”, enfatizou a folclorista.

Por não possuir uma data fixa para ser realizado, o Boi Caprichoso aproveita para presentear seus torcedores com diversas edições da festa, ao longo do ano. Para não ficarem de fora, os amantes do azul e branco se mobilizam e movimentam a Ilha, a cada edição.


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