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Carnaval
CONSCIENTIZAÇÃO

Campanhas contra o assédio no Carnaval se multiplicam nas ruas e web

Ações buscam promover o debate sobre os limites da paquera na folia; em Manaus, Studio Doppio encabeça projeto 11/02/2018 às 08:54
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Foto: Reprodução/Internet
Juan Gabriel Manaus (AM)

Se por anos as marchinhas de Carnaval silenciavam os assédios sofridos pelas mulheres durante a festa, agora o panorama é outro. Após um 2017 turbulento, em que diversas denúncias de abusos finalmente foram expostas, a força feminina ganhou voz e um grito em comum na folia este ano: “chega de assédio”! Seguindo a onda que trouxe mais representatividade para as mulheres, campanhas contra o abuso sexual no Carnaval pipocam entre os foliões nos blocos e na web e buscam promover o debate sobre o que é ou não assédio durante a festa.

Em Manaus, o fotógrafo Daniel Porto e a designer Luana Porto encabeçam juntos a campanha “#RespeiteMeuNão”, lançada neste domingo (11) nas mídias digitais do Studio Doppio, agência administrada pelo casal. A campanha, feita em parceria com a agência de modelos Backstage Model e a loja Divinorum, visa fortalecer o debate sobre o tema através da fotografia, com retratos de mulheres com a palavra “Não” escrita a glitter e com a frase “Minha opinião não é fantasia” em destaque.

“O cara vai pro baile, aí passa a menina e só porque é Carnaval ele acha que está no direito de pegar na mão, puxar ela, principalmente quando o cara bebe. Então nossa intenção é fazer um material fotográfico pra promover essa ideia de respeitar a opinião da mulher. Não é porque é Carnaval que ela tem obrigação de ser agarrada por todo mundo. Se ela disser não, é não”, ressalta o profissional.


Imagem faz parte da campanha realizada pelo casal Daniel e Luana Porto. Foto: Daniel Porto

O fotógrafo conta que o projeto nasceu de uma conversa com Luana quando ambos, que trabalham no mercado publicitário, perceberam que boa parte das campanhas de conscientização tende a ir pelo lado de lembrar os foliões sobre os riscos de misturar bebida com direção ou alertar para o uso de preservativos durante a festa. 

“A ideia nasceu da Luana. Talvez por ela ser mulher, ela teve esse ‘insight’. Conversamos e fomos desenvolvendo o conceito, vendo como fazer, e falamos com algumas pessoas que gostaram e compraram a briga com a gente. É algo que a gente acredita que é importante e pode trazer alguma reflexão”, conta Daniel.

Conscientização no país

No esquenta da folia, artistas se uniram a movimento semelhante que tomou conta da festa do Acadêmicos da Baixa Augusta, em São Paulo. Nomes como o das atrizes Leandra Leal e Alessandra Negrini, da diretora Marina Person e da cantora Tulipa Ruiz impulsionaram a visibilidade da campanha “Não é Não”, que consiste na distribuição gratuita de tatuagens provisórias com a frase como uma forma de alertar para os limites entre paquera e assédio.

Diretora Marina Person e atriz Leandra Leal durante o carnaval paulista. Foto: Divulgação

O movimento surgiu em 2017, quando um grupo de 40 mulheres se uniu para produzir quatro mil tatuagens com a frase, que foram distribuídas durante o Carnaval do Rio. A ideia deu certo, ganhou adeptos e força para 2018. Este ano, o grupo projetou uma campanha de financiamento coletivo online e conseguiu arrecadar R$ 20 mil para a confecção de vinte e cinco mil unidades da tatuagem que já começaram a ser dadas em outras sete cidades.

Outro projeto de conscientização sobre o tema nesse Carnaval é o “Respeita as mina. É simples”, encabeçada pela ONU Mulheres Brasil, braço da organização no País que defende os direitos humanos das mulheres. Em parceria com a agência de publicidade Heads, a entidade vai abordar o assunto por meio de peças em diferentes formatos trazendo frases como “Quando a mulher diz que não quer beijar você, significa que ela não quer beijar você” e “Quando a mulher veste roupas curtas significa que ela está querendo vestir roupas curtas”.

“Com frases simples, a campanha mostra que os homens não podem julgar o comportamento das mulheres e nem tomar atitudes que contrariem a vontade delas”, diz parte de um manifesto publicado no site oficial da organização. A campanha será veiculada ao público por meio de inserções na TV, rádio e web, além de cartazes fixados em pontos públicos.

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