Domingo, 19 de Maio de 2019
APOSENTADORIA

Saulo Borges, carnavalesco mais vitorioso do Amazonas, vai deixar o Carnaval neste ano

Atual presidente da Mocidade Independente de Aparecida, onde conquistou 11 títulos como carnavalesco e fez fama, atual presidente anuncia a decisão de sair do Carnaval; mas há projetos futuros



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Carnavalesco vencedor e atual presidente, o jornalista Saulo Borges anuncia que vai se despedir este ano da Mocidade de Aparecida / Fotos: Antonio Lima
22/01/2019 às 13:41

Carnavalesco com o maior número de títulos entre as grandes escolas de samba de Manaus, o jornalista e atual presidente da Mocidade Independente de Aparecida, Saulo Borges, 45, vai se despedir do Carnaval este ano. Detentor de 11 conquistas - todas pela Aparecida - ele disse que chegou a hora de deixar a preparação da agremiação querida na qual está há 22 anos - o mesmo número de títulos da verde e branca da Zona Sul.

Hoje, diz ele, a escola enfrenta o seu Carnaval mais difícil financeiramente de todos, com dificuldade para vender fantasias e mesas e camarotes do Sambódromo. “Se eu fosse contabilizar todas as contas de energia que já paguei aqui à frente da escola daria para fazer um Carnaval grandioso”, conta ele, também envolto em dívidas trabalhistas. A situação não é pior, admite Saulo Borges, porque o nome Aparecida abre portas para compras a crédito em locais como a tradicional empresa “Babado da Folia”, do Rio de Janeiro, que é fornecedora de produtos de Carnaval da Aparecida há mais de 20 anos.

Saúde

Outra dificuldade é sua própria limitação física, diz ele. “Estou com 46 anos de idade e tenho várias limitações de saúde, inclusive diabete”, disse ele que, há alguns anos, desenhou as fantasias da Aparecida mesmo internado em um leito de hospital, após problemas de saúde.

“Também acho que rivalidade é bom e tem que existir, mas deve haver limites e não tem porque se trabalhar pra sua escola ser campeã e trabalhar para a outra ser humilhada. Não lembro da Aparecida ter humilhado as suas maiores rivais e nem de ter agido fora da linha amarela para prejudicar nenhuma outra escola, ou agir de qualquer forma para colocar uma escola como a nossa em 4º lugar (2018) e um 6º (2017) como foi feito conosco”, esbraveja o dirigente.

“Havia uma época em que valia a pena ter noites mal dormidas, ficar sem comer, pagar contas de celular no valor de R$ 1.500 a R$ 2 mil e você chegar na cabeceira da pista e saber que a Aparecida era campeoníssima porque você via a diferença imensa entre a nossa escola e as demais, com todo respeito ao trabalho que elas fazem e faziam naquela época. A característica era o luxo e a grandiosidade. Antes tínhamos tranquilidade porque éramos anos luz de outras agremiações de Manaus, levávamos alegorias de 18 metros de altura, maiores e mais detalhadas, e por isso chegávamos consagrados. Por exemplo: qual jurado poderia andar na rua de cabeça erguida que tivesse dado uma nota menor que 10 para a ex-porta-bandeira Ednelza Sahdo, que carregou nosso pavilhão por 26 anos?”, questiona Saulo Borges.

Últimos eventos

A escola é a última a desfilar entre as grandes agremiações do Grupo Especial, no dia 2 de março no Sambódromo. Depois, por volta do terceiro final de semana do mesmo mês, a Aparecida comemora seus 39 anos (15/3) com um evento pelas ruas do bairro, no que deve ser um dos últimos eventos populares sob o comando dele. Para Saulo, a data limite é 31 de março, quando acontece a eleição para a nova diretoria da agremiação verde e branca e do qual afirma não querer se reeleger.

“Dos 22 títulos da Aparecida eu contribuí com 11. Desses, em 1998 foi o único título em que eu não era o carnavalesco, mas integrava a comissão de Carnaval e eu desenhei quase todas as fantasias da escola, com exceção de cinco fantasias, do enredo ‘Missão Leopoldina’”, disse Saulo, que começou no Carnaval quando jovem fazendo miniaturas de fantasias a partir de caixas de papelão.

“Cada ala de bonecos tinha 50 bonecos com carros-alegóricos e tudo. Nessa época eu era estudante e conheci o Bosco Saraiva (deputado federal), que gostou desses bonequinhos. Cheguei a desfilar no tricampeonato da Reino Unido (1995, 1996 e 1997) na ala de amigos, ele me convidou para integrar a agremiação, mas era inviável financeiramente para mim me deslocar até a Ceasa, onde ficava o barracao da escola”, relembra ele.  


Saulo Borges segurando a imagem de N. S. Aparecida: momento marcante no Sambódromo (Foto: Arquivo/AC)

Ele não foi ininterrupto da Aparecida: seu primeiro Carnaval foi em 1997 pela Unidos do Alvorada, de onde foi para a Aparecida e ficou até 2007. Em 2008 foi carnavalesco da Balaku-Blaku no enredo em homenagem ao bailarino amazonense Marcelo Mourão. Em 2009 deu uma assessoria para a Andanças de Ciganos, e em 2010 foi da Mocidade do Coroado, voltando para a Aparecida em 2011, no enredo do mitológico e imenso dragão de sete cabeças que acabou pegando fogo no Sambódromo.

“A impressão que tenho é que eu vivi 50 anos aqui dentro pois desde que eu entrei adotei a Aparecida como se fosse a minha segunda casa e as pessoas como segunda família”, disse o presidente.

Mocidade Independente nas escolas e apoio

Para o futuro, Saulo Borges quer fazer a Aparecida   expandir o alcance da escola e aproximar torcedores de toda a Manaus e até de outros Estados. “Queremos conversar com os gestores e levar a Aparecida para as escolas, para fazer shows em colégios. Outro projeto é entrar em contato com danças de bairros vizinhos como Matinha, Glória e São Raimundo, para trazermos as pessoas que são Aparecida para dentro da escola. Precisamos ter o torcedor da Aparecida que seja componente e se comunique com ele”, conta o presidente.

Ele espera contar com o apoio maciço da comunidade paraense em Manaus para apoiar o desfile da Aparecida e encerrar com chave de ouro sua história na Pareca: neste ano o enredo é uma homenagem ao Estado do Pará. “Queremos acabar com essa história de que a última escola desfila para poucas pessoas no Sambódromo”, disse Saulo.

Frase

"Dos 22 títulos da Aparecida eu contribuí com 11. No de 1998 foi o único em que eu não era o carnavalesco, mas integrava a comissão de Carnaval e desenhei quase todas as fantasias”

Saulo Borges, presidente da Mocidade Independente de Aparecida


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