Publicidade
Carnaval
Especiais

Cidade Nova é o bairro que mais tem times participando do Peladão Brahma 2015

O Peladão tem times em todos os bairros, mas ninguém bate um dos principais bairros da Zona Norte de Manaus  06/11/2015 às 11:33
Show 1
Ninguém bate a Cidade Nova no quesito número de inscritos
EQUIPE PELADÃO 2015 ---

O Peladão é tão querido em Manaus que todos os bairros da capital amazonense possuem times inscritos no torneio. O amor pelo campeonato se tornou tão obrigação de cada time que os integrantes se empenhem e se inscrevam para disputar o maior torneio de futebol amador do mundo. Uns se preparam até dois meses antes do início do torneio. Ano após ano o número de times inscritos se torna maior do que no período passado, mostrando que o futebol amador na cidade está cada vez mais forte.

Ao todo, o torneio registrou este ano mais de 600 inscrições em todas as Zonas da cidade, Norte, Sul, Leste, Oeste, Centro-Sul e Centro-Oeste. Os distritos que possuem mais clubes no campeonato são os da Zona Norte, Zona Oeste e Centro-Sul, destacando os bairros da Compensa, Petrópolis e Cidade Nova, sendo que este último é considerado pela Prefeitura de Manaus como um dos bairros com maior número de populares, mais de 200 mil moradores. O bairro possui 38 times inscritos no campeonato, segundo a coordenação.

Em seguida o bairro da Zona Sul, Petrópolis, mesmo apontado como um bairro pequeno na cidade registrou 32 times inscritos no Peladão, mostrando que o torneio comove toda a população da cidade de Manaus.

O terceiro bairro com mais clubes é o da Compensa, da Zona Oeste, com 30 times, que é a região do vencedor da última edição, o T5 Jamaica.

No Peladão é assim, existem times que estão no torneio há mais de 30 anos seguidos, sem faltar com o compromisso de estar dentro do campo de terra batida e a cada temporada que passa o campeonato recebe mais inscrições tanto de clubes antigos e tradicionais quanto de times novos.

A equipe do Peladão percorreu toda a capital em busca de times dessas três Zonas que se envolvem completamente no torneio.

A reportagem encontrou clubes com belas histórias para contar e colocou aqui para você conhecer um pouco mais sobre eles.

Entre os destaques está um time de despachantes, que representa a Zona Oeste. Eles dividem o tempo corrido dentro de um escritório dentro do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM) e os jogos do Peladão.

Chapa quente no Locomotiva

O time do Locomotiva possui um elemento que aterroriza dentro de campo. Igual ao ex-goleador do Goiás e atual atacante do Atlético Paranaense, o clube da Zona Sul de Manaus possui o Walter de Petrópolis, que arrebenta quando o assunto é futebol. Ele é um dos destaques do time, tanto dentro das quatro linhas quanto fora, quando o assunto é fazer um delicioso x-salada.

Igual nas características do Walter, atacante ficou bastante conhecido durante sua passagem pelo Goiás, por sua velocidade e habilidade de fazer gols. “O Walter estava no auge e como sou gordinho, careca e moreno, os meninos colocaram esse apelido em mim”, explicou. Seu nome é João Lopes, 32, e é proprietário de um lanche de nome Betel, em Petrópolis, que significa casa de Deus.

Além de jogar no time do Locomotiva, o Walter de Petrópolis bate um bolão na chapa. Ele é quem prepara os x-saladas juntamente com seu irmão, no lanche Betel. “Além de ser meu ponto de trabalho, aqui é o nosso ‘sindicato’. É aqui no lanche que nos reunimos para conversar, bater papo, é aqui que nos concentramos para o jogo e é aqui que o grupo vem depois do jogo também”, explicou.

Walter de Petrópolis é também um grande veterano no Peladão. “Jogo desde os 14 anos no Peladão, desde quando tinha a regra de que podia jogar uma pessoa menor de idade, então sempre joguei, como forma de me divertir, é bacana, nós (o grupo) passamos a semana toda trabalhando e nos finais de semana temos a chance de nos reencontrar durante os jogos do Peladão”, disse.

Atualmente o grupo está com duas vitórias e duas derrotas no torneio. Para o presidente do Locomotiva, o funcionário público Antônio Elizeu da Silva, 35, a expectativa é chegar até o quarto mata a mata que foi o mais longe que o grupo já conseguiu chegar. “Queremos chegar o mais longe possível porque é muito corrido e a intenção do grupo é brincar”.

Projeto vitorioso na Baixada

Entre os 38 times do bairro Cidade Nova inscritos no Peladão, o Sport Club Baixada Fluminense tem um diferencial de chamar muito atenção. O clube fundado em 1982 possui um projeto onde o foco é futebol. Uma escolinha para os baixinhos entre 4 e 14 anos é o que motiva o grupo.

Com 120 crianças no projeto, um dos fundadores do time, Alírio de Sena, 50, contou que abriu a escolinha para ocupar o campo Baixada Fluminense, na Cidade Nova 1, que já estava sendo usada como local para usuários de drogas e outras coisas.

“O projeto é uma forma de ocupar a mente dos meninos e o campo já que estava sendo usados por usuários de droga e não queríamos desperdiçar esse espaço”, explicou. A iniciativa do projeto deu força para que a presidência do time colocasse a equipe em duas categorias do Peladão: Master e Principal.

O vendedor Charles Frazão, 50, que também é um dos fundadores e técnico do time no Master, afirmou que a presidência está montando uma estrutura para que o time do bairro seja campeão em um prazo de três anos. “Estamos montando a estrutura para isso, para ser campeão e não está longe”, disse.

Mancha Verde não amarela nunca

Na Zona Oeste da capital, o time representante do bairro da Compensa é o Mancha Verde Manaus Despachantes. O grupo formado por mais de 15 jogadores divide o tempo entre a correria dentro de um escritório nas dependências do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM) e o campo de terra batida. Formando por despachantes de veículos, o time é oriundo das raízes de um barzinho localizado no bairro Compensa, conhecido como Mancha Verde, segundo explicou o lateral direito Jocimar Araújo, 29, que trouxe o nome do bar e batizou o time de mesmo nome.

Para eles não existe treino, é no jogo que é decidido quem é o melhor. “Nós temos um horário em um campo, mas é mais para brincarmos”, disse. Pelo menos 14 jogadores do clube trabalham como despachante em uma rotina de correria, igual dentro de campo.

“De 10h em diante é correria e a gente não para. Saímos para pegar documentação, voltamos para Detran-AM, pagamos boletos e assim vai e mesmo ainda estamos firme e forte no Peladão que este ano a nossa meta é chegar até o segundo perde sai”, disse.

O grupo todo é apoiado pelo Sindicato dos Despachantes e Documentalistas do Estado do Amazonas (Sidesdom), comandado pelo presidente Kardec Lobato.


Publicidade
Publicidade