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Com a maior vazão do mundo, Amazonas não corre o risco de ficar sem água, diz especialista

Segundo superintendente regional do Serviço Geológico do Brasil, Marco Antônio de Oliveira, mesmo que desmatassem toda a floresta, a Bacia Hidrográfica do rio Amazonas continuaria existindo 23/03/2015 às 11:57
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Região Amazônica tem H2O para dar e vender
Luana Carvalho Manaus (AM)

A região amazônica dificilmente passará por uma escassez de água. É o que afirma o superintendente regional do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Marco Antônio de Oliveira. Segundo o especialista, não existem estudos que comprovem que a maior bacia hidrográfica do mundo secará.

“A bacia amazônica acumulou, há milhares de anos, uma quantidade de água grande que circula pelos rios, atmosfera ou que se armazena no subsolo (água subterrânea). Mesmo que desmatassem toda a floresta, o rio Amazonas continuaria existindo. Existe uma abundância do recurso”, declarou.

O rio Amazonas possui, em disparado, o maior fluxo de água por vazão. Enquanto a segunda maior bacia hidrográfica do mundo – Bacia do Congo, na África - despeja no oceano 46 mil metros cúbicos (m³) de água por segundo, a Amazônica oferta em média 200 mil m³/s ao oceano Atlântico.

De acordo com o hidrólogo, apenas 1% da vazão do rio Amazonas - que corresponde a aproximadamente dois mil m³/s de água - é equivalente a todo o volume do rio São Francisco, que passa por cinco Estados e 521 municípios.

Ciclo

O ciclo funciona da seguinte forma: o sol aquece o oceano Atlântico, a água evapora, forma as nuvens e os ventos levam a massa em direção ao continente americano, explica o especialista. “Parte das imensas massas de vapor d’água ficam retidas na Cordilheira dos Andes, dando origem aos rios amazônicos, e outra parte formam os chamados ‘rios voadores’, responsáveis por levar a chuva para o sudeste do Brasil. Por algum motivo essa umidade está ficando retida na Amazônia”.

Nos últimos dez anos houve grandes cheias, sendo duas recordes (2009 e 2012). “Todas as cheias de 2005 em diante foram acima da média. Em consequência, tivemos chuvas abaixo da média na região Sudeste. Isto mostra que a umidade que a Amazônia deveria exportar ficou retida nessa última década”, completou.

Para Marco, a tendência à falta de água na região Sudeste está relacionada a uma Amazônia mais úmida, com grandes cheias: “Nos modelos de previsão de mudanças de clima, prevê-se que vá chover mais onde já chove e menos onde não chove. Provavelmente teremos uma Amazônia mais úmida que o normal nos próximos anos”, alertou.

‘Efeito José’ pode estar se repetindo

O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) fez uma observação e comparou as grandes “cheias” e “secas” em Manaus e na região do sistema Cantareira em São Paulo, responsável por abastecer a grande São Paulo.

Gráficos mostram que em um mesmo período (entre 1933 e 1972), as duas cidades sofreram fenômenos opostos. Enquanto São Paulo registrou a pior estiagem, totalizando um período de 35 anos de seca severa nas bacias, Manaus sofria com a cheia do Rio Negro, tendo a primeira enchente mais grave em 1953, superada pelas enchentes de 2009 e 2012.

Os hidrólogos chamam este período de “efeito José”, em referência a uma passagem bíblica caracterizada pela alternância entre longas secas e fartura de chuvas. “Este fenômeno já aconteceu, mas as pessoas não perceberam porque São Paulo era praticamente um Estado rural. Choveu pouco, mas o impacto foi menor porque a cidade ainda era pequena”, explicou o superintendente regional do órgão, Marco Antônio de Oliveira.

Segundo ele, dos anos 2000 em diante houve um desequilíbrio climático com cheias acima da média na região Amazônica. No mesmo período, também constatou-se uma redução de chuvas em São Paulo, situação semelhante ao “efeito José”.

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