Terça-feira, 25 de Fevereiro de 2020
Atenção, folião!

Confira dicas de segurança para cair na folia do Carnaval de Manaus

A Crítica preparou um roteiro essencial para preparação antes e durante a saída para a Avenida; confira:



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19/01/2020 às 08:43

“Pega o ladrão/ tá roubando a mulher/no meio do salão...”. O refrão da irreverente marchinha composta por José Messias descreve bem um tipo de delinquente que sempre dá as caras em eventos carnavalescos: os batedores de carteira. Sozinhos, em duplas, trios ou bandos, eles sempre agem onde há um aglomerado de pessoas, e se valem das mais variadas técnicas de distração para surrupiar o celular ou a carteira de algum folião. Para quem não quer deixar de curtir, já que “a ocasião faz o ladrão”, não facilitar segue sendo o melhor conselho para que a folia não se torne um prejuízo.

O maquiador Nicolas Castro, 19, é um desses foliões que passaram por uma experiência ruim em um bloco de Carnaval do ano passado. Ele estava com um grupo de amigos quando dois rapazes desconhecidos gentilmente se aproximaram pedindo um isqueiro emprestado. “Quando o cara devolveu o isqueiro, ele se aproximou de mim e, disfarçadamente, encostou uma faca na minha costela e pediu o celular. Ele disse para eu não fazer alarme senão iria me furar - entreguei o aparelho, claro, eu estava sem condições de reagir. Ele foi tão sorrateiro que, quando encostou em mim, os meus amigos pensaram que ele estava me paquerando”, relembra.

Quando agem em duplas, trios ou bandos maiores, os batedores de carteira costumam ser bem articulados. Eles agem no meio da multidão, principalmente na hora de um empurra-empurra generalizado. O “modus operandi” dos delinquentes é se jogar em cima das pessoas para fingir, por exemplo, que estão fugindo de uma confusão, e no meio da agitação passar a mão em bolsos e pochetes para subtrair o maior número de bens possível.

O estudante universitário Felipe Azevedo, 27, estava a caminho de um bloco no Centro de Manaus quando recebeu um esbarrão tão forte que quase caiu na calçada. Ele recorda que três pessoas provocaram o “acidente”. No entanto, a ação do trio foi tão rápida, que ele só percebeu que havia sido roubado minutos depois.

“Eu estava levando uma toalhinha de rosto, as chaves de casa e a minha carteira com identidade e R$ 70 em dinheiro, tudo dentro de uma bolsa pequena. Só quando eu fui comprar bebida que eu percebi que a minha carteira havia sido roubada. Fiquei chocado como eles abriram a minha bolsa tão rápido e pegaram só a carteira”, relatou.

Quando agem em grupos maiores, as técnicas de distração costumam ser quase hollywoodianas. No meio de uma confusão, quase sempre provocada, quando um deles consegue algum objeto de valor, já passa rapidamente para o comparsa, que vai saindo de fininho do meio da muvuca. Nessa, quando o folião percebe que foi furtado pode até rolar uma falsa acusação a um dos integrantes do bando que está de mãos vazias só para distrair a multidão enquanto o outro se afasta com o objeto roubado.

Sutileza é a ‘alma’ dos bandidos



A sutileza também é a alma desse  tipo de ação. Que o diga a estudante de engenharia de controle e automação, Emanuelle Lima, 19, que curtia um evento de fim de ano com o namorado e uns amigos quando, numa fração de segundos, “fizeram a limpa” na sua mochila. “Em um momento de distração, abriram a minha bolsa, que estava nas minhas costas, e levaram o meu celular, dinheiro, carteira de identidade, meu passe estudantil e até os meus óculos de grau; e ainda levaram o celular do bolso de um dos meus amigos”, contou.

Para piorar, na mesma noite, quando o grupo resolveu ir embora, os óculos de grau do namorado de Emanuelle caiu no chão quando ele tropeçou. “Antes que ele se abaixasse, alguém pegou os óculos e saiu correndo. Nossa, nesse dia não dispensaram nem os nossos óculos de grau. Foi podre’’, comentou.

Presença de policiamento deve ser solicitada junto à PM

Visando a segurança dos foliões,  o policiamento já ocorre em todos os blocos de rua legalizados. Mas vale destacar que a presença da Polícia Militar nesses eventos deve ser solicitada pelos organizadores por meio de ofício enviado ao Comando Geral da PM com 20 dias de antecedência a fim de adequar a logística de policiamento para atender a área, conforme a portaria conjunta que regula eventos carnavalescos (emitida ano passado e válida até que a nova seja publicada).

Os responsáveis devem protocolar documento endereçado ao comandante-geral da PM, coronel Ayrton Norte, com informações como nome, local, data, horário e término do evento, bem como estimativa de público, se haverá cobrança de ingresso e as informações do emprego de segurança privada. 

A Secretaria de Segurança Pública informa que já houve uma reunião com os representantes de todos os blocos e que eles estão cientes de que precisam cumprir a lei

A Central Integrada de Fiscalização (CIF), coordenada pela SSP, é a responsável por fiscalizar e apurar denúncias contra eventos clandestinos que não ofereçam o mínimo de segurança aos brincantes. As denúncias podem ser feitas pela população através do 190.

Como evitar ser roubado nas bandas e blocos de rua​

Seja em uma abordagem mais violenta  ou, digamos, mais sorrateira, o delegado Aldeney Goes, titular da Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações (DERFD), destaca que se o folião perceber que está em meio a uma aglomeração de pessoas desconhecidas, o ideal é que se afaste e fique em local onde há zona de fuga. “Além disso, é importante que os foliões estejam sempre acompanhados e não levem bens que chamem a atenção de infratores, como pulseiras e cordões de ouro, por exemplo”, orienta.

Uma das formas de diminuir as chances de ser mais uma vítima de furto no Carnaval é levar apenas o que é essencial para os blocos de rua, ou seja, o dinheiro necessário para os gastos naquele evento, cartões de crédito, além de documentos, que devem ser guardados em local de difícil acesso, já que hoje em dia existem pequenas bolsas específicas para isso. 

O delegado também chama a atenção para o uso seguro do celular nesses eventos onde há uma grande concentração de pessoas. “É preciso ter muita atenção ao tirar fotos, observar ao redor. É aconselhável que procure uma autoridade policial se perceber indivíduos com comportamentos suspeitos”, recomendou.

O que não levar a um bloco de rua?

A CRÍTICA alerta sobre o que evitar levar em um bloco de carnaval: 1 - Evite levar mochilas e bolsas; 2 - Vá com roupas confortáveis e seguras, que tenha bolsos na frente que dê para guardar os seus objetos (bermudas com bolsos laterais, com velcro ou botão, também são uma boa opção); 3 - Leve uma “doleira” ou uma pochete: itens que se tornaram indispensáveis nos blocos de Carnaval por permitir que você guarde seus objetos de valor entre a roupa e o seu corpo; 4 - Proteja o seu celular: nunca coloque o aparelho nos bolsos de trás da roupa. E bom Carnaval, folião!
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Repórter do caderno Cidades do jornal A Crítica. Jornalista por formação acadêmica. Já foi revisor de texto de A Crítica por quatro anos e atuou como repórter em diversas assessorias de imprensa e publicações independentes. Também é licenciado em Letras (Língua e Literatura Portuguesa) pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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