Domingo, 16 de Junho de 2019
Carnaval 2017

Marquinhos Negritude, o hexacampeão de sambas-enredos do Carnaval de Manaus

O compositor Marcos Antônio da Silva foi seis vezes campeão do Carnaval de Manaus por agremiações diferentes compondo, com parcerias, o samba oficial



26/01/2017 às 05:00

O mundo do samba reserva, aos compositores, um espaço guardado no coração de todo torcedor que cantou, canta e vai cantar os sambas-enredos das suas agremiações. Em Manaus, alguns deles rompem as barreiras da genialidade e talento. A CRÍTICA entrevistou uma referência no assunto: Marcos Antônio da Silva, o Marquinhos Negritude, 52, foi seis vezes campeão do Carnaval de Manaus por agremiações diferentes compondo o samba oficial – em 2005, 2006, 2007 e 2009 pela A Grande Família, 2014 pela Vitória Régia e, ano passado, pela Reino Unido, a sua escola de coração e atual vencedora do Grupo Especial (junto com a Aparecida).

Um dos maiores vencedores do Carnaval em todos os tempos, neste ano é dele o samba oficial para o enredo “No Reino das fontes de vida, o Morro em movimento sustentável faz a diferença”, fazendo alusão à importância da sustentabilidade e preservação do meio ambiente. A parceria é com Bosquinho Poeta, Wanderley Freitas, Ney Butika, Elvys de Paula, Saullo Vianna, Marcão da Reino e Herlon Muleke do Banjo.

Um fenômeno, no total Negritude já teve 12 sambas-enredos aprovados para as agremiações do Grupo Especial. Desse montante de composições, além de seis títulos já conquistados, ele teve mais 4 vice-campeonatos e 1 de 3º lugar.   

Natural de Natal, Marquinhos é representante comercial, casado e pai de duas moças - uma jovem de 28 anos e outra de 15. Seu sonho de infância era ser maestro, e ele nunca pensou que, em vez de reger orquestras, passaria a ser autor, em parceria com seus colegas de composição, de algumas das mais belas letras do Carnaval amazonense. É o caso de 2006, quando A Grande Família levou para o Sambódromo o tema campeão “Pare, Olhe, Pense... Basta de Tanto Acidente! Não Seja Imprudente! Seja Mais Consciente! A Vida é um Presente!”, que ele fez com Kléber Paiva e Marquinho Dutam. Ou na Vitória Régia, com “Da África ao Amazonas, da escravidão à liberdade – 130 anos da Abolição da escravatura”. Ou no título do ano passado, com “Na arte de se comunicar, vem meu Reino encantar”.

Para ser compositor de samba-enredo não basta apenas ter o dom, diz Negritude.  “Não posso falar se existe uma fórmula mágica porquê eu não a tenho. O que eu entendo é que, em relação a samba-enredo, você tem que ser um estudioso, um desbravador, um pesquisador e, acima de tudo, amigo e conivente com as pessoas que estão ao seu lado. Não existe auto-suficiência em uma composição. Não existe também achismo. Ou você faz o que está sendo solicitado...Claro que nesse meio-termo existem os insides, a luz, que a gente costuma chamar de o ‘pulo-do gato’, as palavras, as frases que vão chegar, e manter a retidão do enredo, mas que vão te jogar a forma mais harmoniosa, mais atrativa para que você possa chegar ao coração das pessoas. Somos privilegiados. O que existe é muita boa vontade, suor e um percentual bem pouco de inspiração, pois há muito trabalho”, ensina o mestre das composições.

Três perguntas para Marquinhos Negritude

1 - Quando você começou no mundo da música?

Foi em 1986 disputando no Festival Universitário de Música da UA (FUM) com “Revoada”, em parceria com Rui Ribeiro. Depois, passei a frequentar mais a Reino Unido e em 1998 participei na escola sobre a história do samba.    

2 - Como surgiu o apelido Marquinhos Negritude?

Sempre teve vários Marquinhos, e eu precisava de um nome artístico. E meu parceiro Ricardo Cabral falou que, como eu era “negrinho”, meu nome deveria ser “Negritude” para homenagear a nossa raça. Perdemos o samba em 1998, mas o nome ficou. 

3 - Como você avalia o nível dos sambas-enredos de Manaus?

A qualidade das pessoas que atuam fazendo e disputando samba-enredo nas quadras, é muito grande. São pessoas estudiosas, determinadas e de boa índole. E a qualidade musical, de criação, ela é bem grande mesmo. Infelizmente é um samba-enredo por escola, e se são oito escolas, apenas são oito sambas-enredos. Tem muito samba que não vai para a avenida que tem uma qualidade grande.

Frase

Não há uma fórmula mágica de samba-enredo, mas você tem que ser um estudioso, desbravador, pesquisador e amigo (Marquinhos Negritude, compositor de sambas-enredos)

Sentindo o samba no desfile

E quando o samba-enredo é apresentado na  avenida, e que é cantado pelo público e brincantes da escola, qual é o sentimento de um compositor?  Com a palavra, o próprio Marquinhos Negritude:

“Rapaz, teve um ano que eu fui começar a entender o que estava passando quando eu estava no meio da avenida. Parece que eu estava levitando. Você chegava a olhava para o lado, e para as grades, e as pessoas cantando o refrão, forte; as lágrimas desciam, você parece que é tomado por uma coisa que eu não sei explicar. Não só eu, mas todas as pessoas que participaram da composição ficaram emocionadas pois estávamos fazendo uma coisa que foi bem recebida pelo público. Como eu falei anteriormente, somos privilegiados para chegar e colaborar, verbalizando e musicalizando as ideias e a vontade do ser maior”, disse ele.


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