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Carnaval
Personagens da folia

Conheça Mestre Manauara, que exporta sua criatividade para o mundo do Carnaval

Ex-mestre de Bateria da Balaku-Blaku, e apaixonado pela escola de samba carioca Mocidade Independente de Padre Miguel, conta seus feitos que ultrapassaram os limites do Estado 14/02/2017 às 05:08
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Mestre Manauara exibe criações suas para as baterias da Padre Miguel, chamada de “Não Existe mais Quente”, e Salgueiro / Fotos: Aguilar Abecassis e Reprodução
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Que o Carnaval amazonense é riquíssimo em genialidade todos nós sabemos, haja visto o talento dos artistas parintinenses que enobrecem ainda mais os desfiles das escolas de samba de Manaus, Rio de Janeiro e São Paulo com seu talento alegórico e de robótica. Por outro lado, é a partir de Manaus que o sambista Gervaldo da Silva Lucena Filho, 48, o “Mestre Manauara”, ou ainda “Mestre Major”, repassa seus conhecimentos para várias partes do Brasil. Foi dele a ideia, por exemplo, de iluminar os instrumentos dos ritmistas de escolas de samba quando ninguém no País ainda fazia isso em qualquer agremiaçao.

Major respira samba o ano inteiro: ele mora ao lado da quadra da tradicional escola de samba Balaku-Blaku, hoje no grupo de acesso: seus avós, Gesualdo e Teodora, autorizaram demolir parte da casa para que fosse construída a atual quadra na rua Isabel, no Centro da cidade. “Tenho 48 anos de idade e, desses, 43 anos foram dedicados ao samba. Aos 5 anos eu comecei na bateria da Balaku-Blaku, usando uma lata de leite Sandem como repique. Sou repiqueiro desde criança. Lá eu também fui 24 anos mestre de bateria, e em 7 anos eu também acumulei ao mesmo tempo o posto de intérprete, sendo que no primeiro ano, em 2004, eu cantei com o microfone R7 que era novidade para a época”, afirma o músico.

Alí começava a aparecer a inventividade do artista que, na barriga da mãe, Vilma Sena, já dava seus primeiros chutes ao som do LP “A Incrível Bateria do Mestre André”, da Mocidade Independente de Padre Miguel, sua paixão no Rio, que também trazia monstros como Elza Soares e Jair Rodrigues.

Faz 12 anos que Mestre Manauara deixou a Balaku, muito por conta do falecimento do ex-presidente Fernando Leite Teixeira; depois, ele passou pelas baterias da Mocidade Independente de Aparecida por cinco anos alternados e na Reino Unido, sempre como repiqueiro.

Em paralelo às apresentações nas escolas de Manaus, durante 24 anos ele se apresentou como ritmista ou ao lado do bloco musical nos desfiles oficiais da Mocidade de Padre Miguel. Foi nessa época que ele teve a ideia de iluminar, com lâmpadas de led, o seu repique-mór, vazado, para que ele ficasse diferenciado e aceso. A primeira vez que ele utilizou essa inovação foi em 2013 nos ensaios da Reino Unido, e em 2014 a direção da Padre Miguel viu e gostou.

As coisas foram ficando mais amigáveis, os contatos aumentando e a genialidade crescendo: depois lançou o insufilme anti-furto no seu instrumento, sublimado nos brasões de baterias da Padre Miguel, bem como o canudinho fluorescente dos instrumentos e o cabo de aço de marcha de bicicleta Caloi 10, fino, para colocar nas caixinhas, bem mais econômico. “Esse último eu já usava na Balaku-Blaku e na Aparecida há muitos anos. Hoje é febre no Rio”, diz Manauara, que tem passagens pelo Boi Garantido como levantador da Batucada.

Frase

"Nós tentamos ajudar os amigos de pouquinho em pouquinho. Vou criando as coisas e mandando para as escolas de samba” (Mestre Manauara, Música e Mestre de Bateria)

Reconhecido pelos mestres de bateria do Rio de Janeiro

Mocidade de  Padre Miguel, Unidos da Tijuca, Salgueiro e Beija-Flor são algumas agremiações que absorvem, em seu Carnaval, as ideias criadas por Mestre Manauara. Os feitos deram notoriedade a ele no mundo do samba, estando em contato direto com feras como os mestres Odilon (maestro considerado um dos maiores diretores de bateria do Carnaval carioca com passagens pela Mocidade, Beija-Flor, União da Ilha e Grande Rio)), Ciça (União da Ilha) e Douglas Jorge (diretor de bateria da Portela).

Neste ano, Manauara ficará fora do Carnaval e não desfilará no Sambódromo e nem pela amada Mocidade por conta de problemas com um princípio de pneumonia e uma inevitável cirurgia no joelho esquerdo.

“Carnaval tem todo ano”, conta o mestre inovador, que tem a Padre Miguel e Mestre André como principal referência no mundo do Carnaval.
Conhecido por ser polêmico ao expôr suas opiniões, que ele diz nem sempre ser aceitas no mundo do samba amazonense, Manauara diz que as principais diferenças do Carnaval das escolas de samba de Manaus para com as do Rio são a afinação e a particularidade de cada uma das agremiações cariocas terem seu próprio estilo musical.

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