Quarta-feira, 17 de Julho de 2019
HISTÓRIA

Conhecido como 'Campeoníssimo', Jayme Covas relembra luxo do Carnaval de Manaus

Jayme encantou foliões com esvoaçantes caracterizações em concursos que contavam com ícones contemporâneos seus como Roberto Carreira, Amadeu Pinto e Inês Maria Benzecry



famoso.JPG 'Não tenho saudade, vivi intensamente', diz Jayme (Foto: Acervo Pessoal/Divulgação)
02/02/2018 às 08:59

Houve uma época em que o Carnaval de Manaus era marcado por desfiles de gala, com pomposas fantasias sendo exibidas em suntuosos salões para um público ávido pelo luxo e pela folia. Naqueles tempos, personagens como o médico pediatra e especialista em saúde pública Jayme de Araújo Covas,70, encantavam os foliões com esvoaçantes caracterizações em concursos que contavam com ícones contemporâneos seus como Roberto Carreira, Amadeu Pinto e Inês Maria Lira Benzecry.


Covas encarnando "Aladin e o Tapete Voador", sua primeira fantasia, aos 12 anos

Tudo começou quando, aos 12 anos, ele se fantasiou de “Aladin e o Tapete Voador” para um baile infantil no Ideal Clube, na avenida Eduardo Ribeiro, no Centro. “Eu morava próximo à Eduardo Ribeiro e já nasci vendo a movimentação de Carnaval. E com 12 anos fui ao meu primeiro baile infantil no Ideal Clube junto com minha mãe, que apesar de não gostar de Carnaval era frequentadora. Ela tinha encomendado, do Rio de Janeiro, uma fantasia de Aladin, que foi confeccionada pelo estilista Varlot Ribeiro, que desenhava as roupas para a revista ‘O Cruzeiro’. A fantasia era de lamin dourado, pedraria e broche de estrasse”, relembra ele, que na oportunidade não concorreu, mas se destacou.


O título dessa fantasia era "Paz e Concórdia"

A partir dali ainda demoraria mais quatro anos pra ele voltar a desfilar fantasiado: foi aos 16 anos no baile da Segunda-Gorda do Atlético Rio Negro Clube, que instituía pela primeira vez o seu concurso de fantasias masculina. “Nesse concurso um rapaz chamado Osman Raman veio de Manaus e trouxe uma fantasia de mandarim. Nessa época quem dominava os concursos de fantasias eram o Nacional, Rio Negro e o Ideal e as sociedades árabe e libanesa eram fortes. Nesse baile eu tinha feito quase que de brincadeira um faraó Ramsés 2º e o Reinaldo Kané um soldado romano inspirado no filme bíblico ‘Os Dez Mandamentos’. Nós três nos destacamos em meio a várias pessoas fantasiadas, éramos os mais interessantes”, disse ele.


Jayme Covas com a fantasia "O Glorioso Faraó Tutancâmon"

Assim, ele passou a ser conhecido como “Campeoníssimo” pelos títulos em concursos - foi cinco vezes primeiro lugar com fantasias como “Príncipe Azul”, “O Glorioso Faraó Tutancâmon”, “Anjo”, e a segundo versão do “Príncipe Azul”. E apenas um vice com “Galo de Briga Rionegrino”, uma homenagem ao Atlético Rio Negro Clube e que, se não trouxe o primeiro lugar, fez Jayme receber os aplausos de um público que o amava e que, mesmo no sereno, o idolatrou.


O esvoaçante "Príncipe Azul" encantou o público do Carnaval

 “O maior reconhecimento era não só o aplauso, mas os comentários do público do sereno (que ficavam do lado de fora do clube observando a entrada dos foliões da alta sociedade). Quando me fantasiei de ‘Galo de Briga’ fui ovacionado, pois estava ali representando uma manifestação do futebol rionegrino e realmente era a fantasia mais interessante, cujo tema mexeu com o imaginário das pessoas”, relembrou o médico. “As pessoas costumam me chamar de ‘Campeoníssimo’. Eu digo que a fantasia poderia até perder, mas a minha roupa era a mais bonita. Eu era campeão do bom gosto”, comentou.


Fantasiado de "Galo de Briga Rionegrino", Jayme Covas recebeu aplausos que lembra até hoje

Jayme Covas relembra os Carnavais de ontem como se fosse hoje, sem saudosismo exagerado. “Não sinto saudade, pois vivi todo esse momento e aproveitei. E não me considero um patrimônio do Carnaval amazonense, pois há pessoas que podem e devem ser reconhecidas, como Amadeu Pinto”, afirmou.

Frase

"As pessoas costumam me chamar de ‘Campeoníssimo’. Eu digo que a fantasia poderia até perder, mas a minha roupa era a mais bonita. Eu era campeão do bom gosto”

Jayme Covas, médico e folião 

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