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Da influência europeia, ciranda percorreu longo caminho até chegar em Manacapuru, no AM

Vinda de Portugal, a ciranda passou por Pernambuco na época colonial e, no auge do Ciclo da Borracha, ao final do século XIX, migrou para o Amazonas 30/08/2015 às 21:36
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Terezinha Vieira Fernandes abriu a disputa criando a Ciranda Tradicional.
Paulo André Nunes ---

O surgimento da Ciranda em Manacapuru traz, em seu histórico, notadamente influências dos folguedos europeus e nordestinos. Segundo estudiosos, vinda de Portugal, a dança alcançou as praias pernambucanas na época colonial e bem no auge do Ciclo da Borracha, ao final do século XIX, migra diretamente para o Município de Tefé trazida na bagagem cultural da massa nordestina. Lá ela  foi montada pelo mulato pernambucano Antônio Felício.

A prática foi mantida por muito tempo até ser levada pelas mãos do professor José Silvestre a Manaus (mais precisamente para a Escola Estadual Sólon de Lucena, em Manaus), e daí para Manacapuru, em 1980, onde finalmente encontrou seu solo mais fértil.

Foi neste ano que, sob a coordenação da professora Perpétuo Socorro de Oliveira, e orientação de José Silvestre, foi montada na Escola Estadual Nossa Senhora de Nazaré o que seria a primeira ciranda, para uma  apresentação infantil. Pouco tempo depois ela se tornaria a Grêmio Recreativo Flor Matizada, em homenagem à própria cidade. As cores lilás e branco vieram antes do próprio nome da ciranda: passaram a ser as cores oficiais em 1994 por sugestão do brincante Adaury Santana, que fez parte dos primórdios da associação junto com personagens como Gaspar Fernandes Neto, hoje é diretor cultural da própria Flor Matizada.

Tradicional

Já em 1985, na Escola Estadual José Seffair, no bairro da Terra Preta, por iniciativa da professora e diretora Terezinha Vieira Fernandes, surge a segunda ciranda. Curiosamente, Terezinha Fernandes é mãe de Úrsula Regina, ex-presidente da própria Tradicional – e do atual diretor cultural da Flor Matizada, Gaspar Neto. “Minha mãe foi a precursora do festival de cirandas de forma competitiva. Quando ela criou a segunda ciranda ela criou também a disputa”, sintetiza ele. Em 1996 a Ciranda desvinculou-se do contexto escolar e passou a se chamar Tradicional fazendo parte da Associação Folclórica Unidos do Bairro (Afub).

Guerreiros Mura

Em 1991, na Escola Estadual José Mota, no bairro da Liberdade, é criada pela professora Vanderléia Nogueira e Alcelina Guimarães Cascaes, a terceira ciranda de Manacapuru: a Guerreiros Mura. A origem veio a partir de dissidentes da Escola Estadual José Seffair que queriam participar do Festival Folclórico da cidade. O grupo recebeu um convite do então professor da Escola Estadual José Mota para representar aquela unidade educacional no evento. Em 22 de agosto de 1993 foi fundada a Ciranda José Mota e, algum tempo depois, o Grupo Recreativo e Folclórico Ciranda Guerreiros Mura da Liberdade.

Até 1996 a ciranda era apresentada sob o patrocínio das escolas públicas de Manacapuru. Já em 1997, elas saíram do âmbito das instituições escolares e caem nos domínios das suas respectivas comunidades locais, ganhando personalidade jurídica e um festival próprio.

O 1º Festival de Cirandas de Manacapuru foi realizado ainda no antigo Campo do Riachuelo em 1997, tendo a Flor Matizada como a grande campeã.

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