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Carnaval
Carnaval 2017

Daniel Sales, a 'Enciclopédia do Carnaval', é o enredo da Meninos Levados neste ano

Escola de samba vai traçar a vida do especialista da folia de Momo e dos campos da bola com o tema “Daniel Sales, a Enciclopédia do Carnaval e do Futebol Amazonense”; agremiação vai desfilar dia 24 pelo Grupo de Acesso B 06/02/2017 às 15:50 - Atualizado em 06/02/2017 às 17:26
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Daniel Sales é economista, historiador cultural, compositor, autor de 11 hinos de clubes do futebol amazonense, webmaster pioneiro ao criar o 1° site para o Carnaval e também para o futebol amazonense em 1995 e autor do livro “É tempo de sambar” / Foto: Evandro Seixas
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Sambista que é considerado um dos maiores conhecedores do Carnaval amazonense em todos os tempos, Daniel Sales será homenageado como enredo da Grêmio Recreativo Escola de Samba (G.R.E.S.) Meninos Levados para esse ano. Para esta temporada, a agremiação traz para a passarela do Sambódromo de Manaus o tema “Daniel Sales, a Enciclopédia do Carnaval e do Futebol Amazonense” e vai traçar um pouco da vida desse verdadeiro especialista da folia de Momo e dos campos da bola. A pesquisa e desenvolvimento do enredo foi da própria esposa do homenageado, Lene Rosas. A agremiação vai desfilar dia 24 pelo Grupo de Acesso B

Daniel Sales é economista, historiador cultural, compositor, autor de 11 hinos de clubes do futebol amazonense (América, Cliper, Libermorro, Princesa do Solimões, Grêmio Coariense, Holanda, Tarumã, Grêmio Silvense, CDC Manicoré, Iranduba e Manaus, webmaster e pioneiro ao criar o 1° site para o Carnaval e também para o futebol amazonense em 1995, sendo também autor do livro “É tempo de sambar”, que dá ênfase às escolas de samba da capital amazonense. E mais: ele tem um total de 33 sambas-enredos oficiais gravados em várias escolas de samba de várias categorias desde 1986 até hoje, e em três vezes foi dele o samba campeão – com as agremiações de grupo de acesso Ipixuna (2000 e 2001) e Legião de Bambas (2015). Some-se a isso 10 marchinhas gravadas de blocos irreverentes da cidade como as bandas do Pau Mole da Betânia, do Cabelo do Coroado e Siriquepau do São Raimundo.

Em 1987, Daniel Sales foi vencedor de uma das maiores e mais tradicionais premiações do Carnaval amazonense – o Estandarte do Povo do Jornal A CRÍTICA, no quesito samba-enredo. E foi logo um clássico que é cantado até hoje: ele fez em parceria com Agnaldo do Samba, Vilton, Daniel Sales, Samuel Costa e Onércio Torres o samba  “No Tarô da Floresta, a Magia Vira Festa”, da Sem Compromisso.

Ano passado, Sales atuou como comentarista oficial dos desfiles do Grupo Especial de Manaus na TV A Crítica, com inserções precisas sobre o rico universo das escolas de samba. Mas acrescente-se a isso várias outras coisas mais que ele fez nas agremiações amazonenses. Atuou em todos os setores das escolas de sambas, de construtor de carros alegóricos a compositor de sambas-enredos ou intérprete (o tradicional puxador de sambas) e passando por ritmista de bateria a confeccionador de fantasias. “Só não saí como destaque em cima de carro alegórico”, diz ele, que neste ano vai sair no único setor que lhe falta no mundo dos desfiles. E como justo homenageado.

A entrada no mundo do samba foi assistindo aos desfiles das escolas e Manaus e depois nos bailes de salão do antigo Botafogo da Cachoeirinha, bairro fronteiriço à Praça 14 de Janeiro. Depoisfoi se envolvendo com a Vitória Régia, tradicional agremiação fundada em 1975. “Eu ia para a casa da Tia Lindoca (uma das fundadoras da escola de samba) na rua Jonathas Pedrosa. Em 1981 trabalhei num dos carros alegóricos da Vitória Régia confeccionando, depois fiz fantasias”, relembra ele sobre o início.

“Sinceramente não esperava receber essa homenagem da Meninos Levados. É muito grande a minha história no Carnaval; daria um enredo para o Grupo Especial , para 6 carros e 30 alas. Em 2014 alguém me procurou para falar sobre isso, mas desistiram e acabou não dando certo porque não tinha dinheiro. E neste ano, em 10 de janeiro eu fui comunicado que seria o enredo e gostei demais. Adorei porquê porque é samba, é Carnaval, e se puder colaborar para fazermos um belo desfile será ótimo”, comentou Daniel Sales.

E como vai ficar o coração dele na hora do desfile, pergunta este repórter. “Vai ser difícil segurar e seria hipócrita se disser que vou ficar frio. Sou um sambista que me considero. Passei por todos os setores de escolas de samba. Desta vez não é um dono de empresa grande que será o homenageado, mas sim um sambista igual aos outros sambistas . Quem está sendo homenageado é uma grande parte de sambistas de raiz da nossa cidade. Pra mim é um reconhecimento, é tudo, pois mexe com paixão”, explica a “Enciclopédia do Carnaval”.

Frase

"O samba há muito tempo é uma parte muito importante da minha vida, da minha cultura em geral. Está em primeiro lugar”

Daniel Sales, Compositor

De jingles a toadas

Curiosamente, a primeira composição de Daniel não foi um samba, mas sim uma música religiosa, isso em 1982. O tema era “Eterno Deus”, que trazia o trecho “Eu sigo a verdade da cruz com Cristo Jesus”. Ele já fez jingles de políticos e 6 toadas de boi-bumbá.

Cresceu cercado de conhecimento e vontade de fazer

Rondando os 50 anos, como ele gosta de dizer sem revelar a idade, Daniel Sales é sagitariano e informa apenas ter nascido em 25 de novembro,  de fevereiro na  Praça 14 de Janeiro, berço do samba,  com a ajuda providencial de uma parteira chamada Chiquinha. Em seus cálculos,  curiosamente conta ter sido concebido em fevereiro em um domingo de Carnaval. 

“Nasci com vontade de aprender. Estudei na escola Luizinha Nascimento (localizada no bairro Praça 14 de Janeiro, na Zona Sul), e desde cedo lia os livros de Filosofia e História da minha irmã. Eu lia para depois aprender. E fui gostando. Na infância gostava de construir coisas, como aparelhos de videogame como o taitorama, aos 9 ou 10 anos. Depois fui mecânico em uma borracharia e fazia objetos com vidro e tampas de leite. Me chamavam de gênio”, relembra o sambista. 

Respirando samba o ano inteiro: 'em primeiro lugar'

Daniel Sales praticamente respira samba o ano inteiro. “O samba há muito tempo é uma parte muito importante da minha vida, da minha cultura em geral. É importante dizer que ouço samba o ano inteiro. O samba, pra mim, está em primeiro lugar, e sempre analiso sambas antigos, de terreiros, de raiz, chorões, chorinhos”, diz.

Ele cita várias referências em sua vida de “Enciclopédia do Carnaval”. “Em nível regional, tenho que lembrar de várias pessoas como Agnaldo do Samba, que fez aniversário ontem, 5 de fevereiro, Aor Amorim, Edmundo Soldado, Marinho Saúba, Mestre Bijú, Dona Zuzu, Paulo Santos, Chico da Silva, Didi Redman e o saudoso Ipojucan”, detalha.

O apelido “Enciclopédia do Carnaval”, diz Daniel Sales, “foi dado pelo sambista, compositor e administrador Iomar Japonês, que cuida da Meninos Levados, tem programa na web e é criador do enredo deste ano”.

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