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Denise não entra em campo, mas joga em várias posições no time 11 de Maio da Zona Leste

A “dona” Denise é pedagoga formada e sabedora quando o assunto é futebol. Além de lavar e estender as blusas dos jogadores, ela é um dos ícones do 11 de Maio, antigamente era conhecido como São Paulo 23/10/2015 às 09:54
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Ela é a responsável por lavar as 22 camisas do time 11 de Maio
EQUIPE PELADÃO BRAHMA 2015 ---

Não basta apenas gritar na beira do campo e dar dicas de como chegar até o gol adversário, tem que se dedicar também fora das quatro linhas. É o caso de Denise Costa, de 47 anos.

Ela é a responsável por lavar as 22 camisas do time 11 de Maio, equipe da comunidade de mesmo nome, situada no bairro Colônia Antônio Aleixo, na Zona Leste de Manaus.

A “dona” Denise é pedagoga formada e sabedora quando o assunto é futebol. Além de lavar e estender as blusas dos jogadores, ela é um dos ícones do 11 de Maio, que antigamente era conhecido como São Paulo.

O time possui poucos patrocínios e faz sacrifícios para participar do maior campeonato de peladas do mundo. “Dona” Denise gasta dinheiro do próprio bolso para comprar sabão em pó da lavagem das blusas.

“Eu não ganho nada, muito pelo contrário, eu gasto é dinheiro, mas faço isso com muito amor. Eu faço pra ajudar o próximo. Não cobro um centavo, pego as camisas, levo pra casa e lavo na minha própria máquina e é tudo por amor porque amo a minha comunidade o time que sempre apoiei”, disse “dona” Denise, em entrevista.

“Dona” Denise é vista pelos jogadores como uma mãe e protetora. Ela vai para a beira do campo, torce junto com o time, dá conselhos durante a partida, briga com os jogadores quando o lance é errado e ainda, se preciso, faz atendimento quando algum jogador é contundido.

“Se precisar eu entro no campo e faço massagem nos jogadores. Faço tudo pra ajudar o time. Estou em todos os jogos debaixo do sol quente, mas não me arrependo porque eu gosto e faço por amor, sempre fiz e vou fazer ainda por muitos anos”, explicou.

A personagem da comunidade, além de lavadeira, pedagoga, auxiliar técnica, também já foi presidente do clube e jogadora amadora. Segundo “dona” Denise, aos 12 anos já atuou em times da comunidade na posição de zagueira e era uma das xerifes do clube.

“Sempre gostei de futebol, já fui jogadora, minha família toda foi criada aqui na comunidade e tenho três irmãos que também jogam muita bola, inclusive um só não foi profissional porque minha mãe não tinha condições financeiras”, relembrou.

Atualmente, o time é formado somente por jogadores da comunidade 11 de Maio, que é cercada pelo lago do Puraquequara, bairro vizinho.

Orgulho de ser da Zona Leste

O comando do time está por conta do auxiliar de administração Junior Santos, de 28 anos. Ele é o presidente do 11 de Maio e está com boas expectativas pra esta temporada de Peladão.

Em meio ás dificuldades da equipe por conta da localidade onde a comunidade é situada, o grupo se vira nos 30 para participar de todos os jogos do Peladão este ano.

Segundo o comandante da equipe, o 11 de Maio está invicto no campeonato com quatro jogos e quatro vitórias, sendo que a última ocorreu no sábado passado (17), no campo da Favela, onde a equipe venceu o Movidos a Álcool por 3 a 1.

O 11 de Maio era conhecido como São Paulo, também time da comunidade. Segundo Júnior, este ano a presidência, comandada por ele, resolveu homenagear a comunidade.

“O Peladão é o maior campeonato do mundo e nos preparamos dois meses antes da inscrição. Este ano estamos homenageando a comunidade para também mostrar ao povo que temos uma linda comunidade aqui no bairro”, finalizou.

Goleiro no volante

Direto do volante para o gol do 11 de Maio, o motorista de ônibus Ednelson Dias, de 30 anos, é o responsável por defender os gols da equipe adversária.

Ele também, igual a “dona” Denise, trabalha duro, faz faculdade e ainda tem tempo de treinar e jogar pelo time.

Segundo Dias, a maratona é grande, ele faz faculdade pela manhã de Educação Física, trabalha à tarde pela linha 614, que atende o bairro do Japiim, na Zona Sul, e ainda arranja tempo para treinar com o restante do time.

A expectativa é das melhores e ele acredita que pode chegar até às quartas de final. “Temos time pra chegar longe e pra vencer o Peladão. Tem que ter bala na agulha porque não é fácil, mas estamos bem na competição”, explicou, empolgado, o paredão do time, animado com o sonho do título.


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