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Disputa pela chefia da Suframa está entre Igrejas, Rebecca ou nome do governo

A decisão sobre o nome do novo superintendente do órgão é do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic)  28/02/2015 às 15:09
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Igrejas é preferido de José Melo, enquanto Garcia é aposta de Braga
Antônio Paulo Brasília (DF)

Desde a posse do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, em 1º de janeiro de 2015, empresários, trabalhadores, políticos e seus respectivos partidos aguardam a decisão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) sobre o nome do novo superintendente da Zona Franca de Manaus (Suframa). 

No comando da autarquia desde 6 de novembro do ano passado, com a saída de Thomaz Nogueira, o funcionário de carreira federal, Gustavo Igrejas, é o preferido do governador José Melo, do senador Omar Aziz, de todo o grupo político ligado a eles e dos empresários da Zona Franca. 

A ex-deputada Rebecca Garcia é o nome defendido pelo senador e hoje ministro de Minas e Energia Eduardo Braga, de quem foi vice na chapa para governo do Amazonas, nas eleições de 2014.

No entanto, informações obtidas por A CRÍTICA, o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Armando Monteiro Neto, estuda uma solução “salomônica” como saída.

Para não desagradar o grupo Melo/Omar nem o ministro Eduardo Braga e seus seguidores, um técnico do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) poderá ser o indicado.

A decisão não está tomada e os grupos políticos se articulam em Brasília para emplacar os seus indicados. As entidades de classe das indústrias instaladas na Zona Franca de Manaus e que defendem o nome de Gustavo Igrejas, sob o argumento de que a Suframa deve ser dirigida por um técnico que entenda dos problemas da autarquia, criticam a possível indicação de um nome vindo do BNDES.

Para os industriais, essa solução do ministro Armando Monteiro Neto desagradaria a “gregos e troianos” e se configuraria uma espécie de intervenção na Superintendência da Zona Franca de Manaus.

Parte da bancada deputados e senadores do Amazonas corrobora a tese da Federação e do Centro das Indústrias do Estado (Fieam/Cieam): defende o nome de um técnico para a Suframa. “A Superintendência precisa ter no seu comando uma pessoa que conheça de Zona Franca, de distrito industrial, da legislação e das políticas que precisam ser desenvolvidas; que seja político ou técnico, mas conhecedor dos problemas. Dentro desse princípio, acredito que a bancada, com  seu próximo coordenador, o senador Omar Aziz (PSD-AM), possa encabeçar essa articulação para indicar um técnico para a Suframa”, declarou o deputado Pauderney Avelino (DEM-AM).

Na opinião do parlamentar, o futuro superintendente precisa ser alguém que não entre em confronto ou disputa com o Governo do Estado e com a Prefeitura de Manaus. “Manaus é uma cidade-estado que hospeda a Zona Franca, por isso, o novo superintendente da Suframa tem que ter boa convivência institucional”, complementou o deputado.

Para o senador Omar Aziz, a Superintendência da Zona Franca de Manaus precisa estar nas mãos de um técnico e não nas mãos de um político. Não citou o nome de Gustavo Igrejas e adiantou que nem ele e o PSD vão indicar nomes para a Suframa ou para qualquer órgão federal no Estado do Amazonas.

Trânsito institucional

A possibilidade de o ministro Armando Monteiro Neto indicar um nome técnico do BNDES para assumir a Suframa é uma tentativa de distender os ânimos políticos no Estado do Amazonas ainda exaltados após as eleições de 2014.

Os vencedores do pleito (governador José Melo, senador Omar Aziz e cinco dos oito deputados federais) trazem o discurso técnico em vez do político, com preferência a Gustavo Igrejas, tentando neutralizar Rebecca Garcia.

Mas, o ministro Eduardo Braga tem peso. Além de ocupar um dos principais Ministérios do Governo Dilma, foi líder dela no Senado por quatro anos e tem bom trânsito no Planalto.

Na bancada de deputados e senadores do Amazonas, Rebecca conta com pelo menos três apoios declarados: a senadora Sandra Braga (PMDB), e dos deputados Marcos Rotta (PMDB-AM) e Conceição Sampaio (PP-AM). Rebecca Garcia afirma que sua indicação para assumir a superintendência da Suframa é muito mais especulação do que realmente uma possibilidade concreta até o momento.

Primeiro seu nome foi indicado pelo presidente nacional PP, que comanda o Ministério da Integração Nacional, para assumir a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), o que não lhe interessou por conta do órgão estar sediado em Belém (PA). “Agradeci muito pelo prestígio, mas teria que morar no Pará. Não queria nada que me tirasse politicamente do Amazonas. Só se fosse em Brasília”, disse.

Então surgiu a pergunta se a Suframa lhe interessaria. “Nunca foi um projeto profissional meu. Como economista, nunca trabalhei pensando nisso. Mas é um cargo que se me oferecerem eu vou sinceramente avaliar as condições”, comentou.

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que ficou do lado de Braga nas eleições, disse não ter preferência por nomes, mas quer que a bancada sente e discuta os nomes e caminhos da Suframa.

A deputada federal estreante Conceição Sampaio (PP) disse que esteve com o presidente nacional da legenda, senador Ciro Nogueira, com quem discutiu a questão. “Ele me disse que o partido vai fechar questão no nome da Rebecca, não somente porque ela pertence à legenda, mas também porque tem competência”, defendeu.

Economista formada pela Universidade de Boston, com experiência no mercado financeiro, Rebecca acumula experiência política como deputada federal por oito anos e secretária de Governo de Omar Aziz.

Igrejas comenta

“A Suframa respeita as opiniões  e análises feitas sobre a Zona Franca de Manaus  e as considera imprescindíveis para o aprimoramento do modelo. Quanto aos desafios da nova superintendência, considero que a autarquia em si precisa ter uma reestruturação completa. E acredito que 2015 será um ano de reestruturação. Desde que assumimos, interinamente, implementamos um plano emergencial para atacar os problemas mais urgentes. Para o futuro, as ações da Suframa em relação ao Polo Industrial de Manaus (PIM) têm que ser voltadas para diversos aspectos importantes, mas há duas questões prioritárias: a infraestrutura e a logística. O setor logístico envolve mais que ampliar a capacidade dos portos e aeroportos, melhorar as condições de trafegabilidade, as saídas e entradas de mercadorias em Manaus, mas, principalmente, acelerar o desembaraço de mercadoria. Isso impacta na atratividade e manutenção de investimentos. Outro ponto primordial é induzir o desenvolvimento de produtos no próprio PIM. Nesses 48 anos de Zona Franca, trabalhou-se nisso, mas não o suficiente para melhorar, da forma como esperávamos, a competitividade do modelo. Desenvolvimento de produtos é uma questão fundamental para a melhoria da competitividade dos principais segmentos do Polo, favorecendo a exportação de produtos e de conhecimento. Precisamos ainda avançar nas pesquisas de nossas potencialidades" - Gustavo Igrejas, superintendente interino da Suframa.

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