Quarta-feira, 26 de Junho de 2019
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Distante dos familiares, detentas sofrem com a saudade e esperam ansiosamente por visitas

Presas por tráfico de drogas, armas ou outros crimes, mães do Centro de Detenção Provisória só querem ver seus filhos 



1.jpg História de dor e sofrimento de mães que perderam a liberdade por se envolverem no crime, outras afirmam que são inocentes, mas a maioria têm algo em comum: a saudade que sentem dos filhos e o lamento de não poder estar com eles
09/05/2015 às 17:40

Internas do Sistema Penitenciário do Amazonas   não poderão passar  este Dia das Mães com os seus filhos ou com as suas mães. Para elas, a privação de estar em casa  com eles é motivo de  dor e de tristeza da maioria que se encontram segregadas no Centro de Detenção Provisório Feminino de Manaus (CDPFM), localizado no km 8 da rodovia BR-174. Elas sonham com a liberdade  para estar com os filhos, o que seria o melhor presente nesse dia.  Na sexta-feira passada a direção dos presídios femininos fizeram uma festinha para aquelas que podem receber a visita dos filhos.

Gabriela Alencar da Silva  é uma das internas e está presa há 19 dias. Ela  diz que sente muitas saudades dos três filhos que ficaram fora. Desde o dia que foi presa  ainda não os viu. “Eles ainda não vieram me visitar. Acho que não virão para a festinha”, disse ela na sexta-feira.  A interna está grávida e espera o quinto filho, ela sonha com a liberdade para  cuidar das crianças e acompanhar o crescimento deles.

“Eu estou confiante que vou sair logo daqui e não vou ter o meu bebê na cadeia”, disse. Gabriela  sabe que se continuar presa só vai ficar com o bebê até o sexto mês de vida, depois disso vai ter que entregar para um familiar e provavelmente não  será reconhecida como mãe. Como Gabriela, as demais mães presas também sonham com a liberdade. A  saudade que sentem dos filhos  leva muitas mães a prometerem  que  nunca mais vão se envolver com o crime. 

Gravidez de risco

Ketlen Santos Souza, 21, está no nono mês de gestação, do segundo filho, um menino que terá o nome de “ Rhuan”.  Segundo ela, é a gestação é uma gravidez de risco. A detenta disse que  está otimista e acredita que o bebê vai nascer  depois  que ela ganhar a liberdade. Ela é presa provisória e a defesa já tinha entrado com um pedido de relaxamento de prisão. “O que eu mais quero é sair daqui e ir para casa  para cuidar dos meus filhos”, ressaltou.

A detenta  não consegue segurar as lágrimas quando lembra do filho de 5 anos que está morando com a mãe dela.  Ela se lembra dos momentos que passavam juntos e se emociona. “Ele é muito apegado a mim. Só dormia comigo, pegando na minha orelha, acho que ele está sentindo muito a minha falta.  Amo muito. Quando eu sair daqui vou fazer diferente”, disse.

Oito filhos

Sara de Oliveira Menezes deixou oito filhos. Ela está separada deles há um ano e dois meses e eles moram com a mãe, que sempre os leva para visitá-la. Ela diz que aguarda o dia da visita com muita ansiedade. “A gente conversa,  come juntos, mas o pior momento é a despedida. Quando eu escuto os portões fechando vem a tristeza”, lamentou.


O cuidado das presas com os filhos chama a atenção das diretoras. Segundo elas, os filhos dificilmente ficam sob o cuidado dos pais. A maioria deixa com as avós ou com as tias. Para elas, o carinho e cuidado são  semelhantes aos delas e dá a certeza que eles estão bem cuidados.

Mãe e filha presas por tráfico

A história de cada uma das detentas tem uma semelhança. A maioria, ou quase todas estão presas  por envolvimento com tráfico de drogas, induzida pelos companheiros. Alguns deles estão em liberdade.  A empregada doméstica Maria José Correa da Silva, 43,  e a filha Marcela Tainá Silva Bitencurt, 24, são presas condenadas  e estão cumprindo pena no sistema fechado pelo crime de tráfico de drogas.

Maria foi sentenciada a 10 anos e a filha a nove  anos  e oito meses de prisão.  As duas foram presas na  mesma ocasião e ocupam a mesma cela, onde uma dá força para outra, mas não é suficiente para suprir a ausência que sentem dos filhos que ficaram fora. É o terceiro dia das mães que  passam longe dos filhos.

Maria diz que desde janeiro não recebe a visita do filho e Marcela dificilmente vê os dela. “Eles não vêm me visitar porque são pequenos e a avó, que é quem cuida deles, não tem dinheiro para pagar um táxi para trazê-los até aqui comigo”, lamenta. Maria diz que quando a saudade aperta ela pede para a assistente social  ligar para ele e saber como ele está.

Para mãe e filha é muito triste quando veem as outras mães recebendo a visita dos filhos. Maria afirma que é inocente e que a droga e a arma que a polícia encontrou na casa delas era de um amigo de Marcela que pediu para ela guardar.  Nós vamos sair dessa e vamos cuidar dos nosso filhos”, destacou Maria.

Saudades é o maior dilema

Para as diretoras das unidades prisionais femininas , a ausência dos  filhos é o  maior dilema das mulheres presas.  Mesmo estando presas por ter cometido um crime, elas não esquecem os filhos, demonstram preocupação com eles, acompanham o crescimento e querem saber se estão indo bem. “Elas ficam preocupadas quando sabem que os filhos não estão indo bem na escola”, disse a diretora do Centro de Detenção Provisório Feminino (CDPF) Maria Edna Ferreira.

Porém o dia que elas recebem a visita dos filhos é o mais feliz. Eles sempre trazem uma comida especial e elas se reúnem separadamente com eles para comer, conversar e quando elas aproveitam para aconselhá-los e fazer carinho. Elas não querem que eles tenham o mesmo destino que elas tiveram.   A hora da saída é quando elas ficam tristes e muitas se recolhem cedo e chegam a chorar. 

A diretora do regime fechado Yone Teixeira diz que as detentas esperam com ansiedade. A visita acontece no sábado e na sexta-feira o salão de beleza do presídio funciona até mais tarde. “Depois do trabalho elas vão se arrumar fazem as unhas, escova os cabelos para estarem bem arrumadas, para receber os filhos”, diz Yone.

Para a festa do Dia das Mães, a direção do presídio preparou um almoço melhorado para as mães almoçarem com os filhos. A maioria não espera receber um presente, apenas a  presença dos filhos   é o suficiente para elas. 



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