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Carnaval
Criadores

Mãos anônimas e talentosas fazem a festa das escolas de samba de Manaus

Magia que nos contagia a cada ano é criada a partir das mãos habilidosas de pessoas anônimas que trabalham em ateliês de costura, quadras de ensaios e barracões das escolas de samba. 24/02/2019 às 19:04
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Estudante Yago Silva e o vidraceiro Marcos Lioço, ambos da Primos da Ilha: metendo a mão na massa pelo Carnaval amazonense (Foto: Jair Araújo)
Paulo André Nunes Manaus (AM)

As mãos que fazem o nosso Carnaval moldam sonhos que se materializam na avenida a cada desfile, como uma magia que nos contagia a cada ano a partir de pessoas anônimas trabalhando em ateliês de costura, quadras de ensaios e barracões das escolas de samba.

Para todos eles, a característica unânime é o detalhismo, essencial, bem como o esmero e o cuidado para que nada saia desajustado, mal colado, feio, desconforme com o que as escolas de samba se propõem a partir da ideia de seus carnavalescos.

Estreantes no mundo do Carnaval, Os jovens Yago Silva, 20, e Marcos Lioço, 23, trabalham em  um dos ateliês de fantasias da Primos da ilha, que este ano volta ao Grupo Especial. Para o primeiro, a sensação de ajudar na produção do Carnaval é uma coisa “importante e de responsabilidade”. Para Lioço, o trabalho é um “artesanato onde se aprende sobre recorte e colagem”. Experiente e com mais vivência de Carnaval, o coordenador geral de fantasias da Primos da Ilha, Carlos Alberto de Paula, ensina que o “Carnaval é uma verdadeira ‘mão na massa’ onde se prima pelo acabamento perfeito”.  


Carlos Alberto de Paula e o mural de mãos existentes em ateliê da Primos (Foto: Jair Araújo)

Mão na massa

É comum, em todas as escolas de samba, que as pessoas que são de um setor colaborem com outras da mesma agremiação em prol do conjunto carnavalesco. É o caso de Jorge Valera, sambista carioca presidente da Ala de Compositores da Reino Unido da Liberdade.

Com o samba-enredo escolhido pela agremiação desde o ano passado, ele põe a mão na massa ajudando a esposa, Neide Varela, filhas e pessoas da comunidade da Zona Sul a confeccionar as fantasias da ala “Pimenta, Tempero e Aromas” e dos compositores da atual tricampeã do Carnaval no ateliê localizado em sua residência, no bairro São Lázaro.


O sambista Jorge Varela, que é presidente da Ala de Compositores da Reino Unido, mas que ajuda na produção de fantasias (Foto: Jair Araújo)

“É a magia do Carnaval, que traz essa coisa de nós trabalharmos pelo amor à escola de samba, e também por amor ao samba, em sí”, afirma Varela, que é militar reformado.
Para sua esposa, nascida e criada ao lado da antiga sede da agremiação, na rua São Pedro, bairro Morro da Liberdade, “o envolvimento com o Carnaval é o ano inteiro com amor e carinho pela Reino Unido”. Segundo ela, o trabalho na confecção das fantasias começa pela manhã e vai até meia-noite, “metendo a mão na cola, ajudando uns aos outros”.

 
A professora Silvania Veríssimo, 57, que nessa época vira costureira do Carnaval pela escola do Morro (Foto: Jair Araújo) 

Às vezes o trabalho diário termina às 1h e até 2h do outro dia, conta a professora Silvania Veríssimo, 57, que nessa época vira costureira do Carnaval. Atenta a cada detalhe das fantasias, ela falou que o trabalho se reveste de ainda mais importância “quando a pessoa é apaixonada pela escola de samba”.

“Nós nos viramos de todo jeito; quando chega essa época a gente larga tudo e vem embora pra cá, com dedicação e responsabilidade”, respondeu ela, que há mais de 30 anos trabalha no Carnaval da verde e branco do Morro.


Neide Varela e Márcia Cunha, em ateliê de fantasias da Reino Unido da Liberdade (Foto: Jair Araújo)

Para a artesã Márcia Cunha, a emoção é ainda maior por ser a sua primeira vez em um ateliê de Carnaval. “Estou gostando, aprendendo. Tudo o que fazemos é com amor e carinho para os nossos brincantes se destacarem na passarela”, comentou, afirmando que, emocionada, não vai acreditar que parte do que estará na avenida, dia 2, saiu das suas mãos.

Viúva de fundador é uma artesã

Uma das mãos que fazem esse Carnaval   é a da artesã Fátima Pinto, responsável pela ala do Amor da A Grande Família. Entre esmero na colagem de adereços a arte de cortar e recortar tecidos e outros materiais, ela diz que a função é árdua, mas gratificante.


Dona Fátima Pinto, durante confecção de fantasia da A Grande Família (Foto: Jander Robson/Free Lancer)

“Todos os anos nós fazemos as fantasias de alas, é muito trabalho, mas é uma coisa para quem gosta de Carnaval mesmo”, disse ela, viúva de Jorge Walter Batista Barroso, o Jorginho, que fundou a agremiação mais popular da Zona Leste.

Por enquanto, ela, que cuida tanto de tanta coisa, não tem tanto tempo de cuidar das mãos. “Só depois que aprontarmos as alas”, destaca dona Fátima.

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