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Carnaval
TROCA DE CONHECIMENTO

Conheça os sambistas que vieram da Terra do Samba para ajudar as escolas de Manaus

Esses personagens vieram do Rio de Janeiro, deram, e ainda dão, contribuição importante para a solidificação e evolução permanentes do Carnaval amazonense 21/01/2018 às 08:47 - Atualizado em 21/01/2018 às 08:57
Show fartto
O carnavalesco carioca Tiago Fartto, da Vila da Barra, trabalhou com Paulo Barros no Rio e hoje se dedica ao Carnaval local (Foto: Divulgação)
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Assim como os artistas de Parintins atuam brilhantemente no Carnaval carioca, dando vida a grandiosas estruturas, a vinda de sambistas de outros Estados, mais notadamente do Rio de Janeiro, para atuar nas agremiações de Manaus, é uma peculiaridade facilmente percebida todos os anos. Da “Cidade Maravilhosa” esses personagens deram, e ainda dão, contribuição importante para a solidificação e evolução permanentes do Carnaval amazonense.

Um deles nem era sambista quando chegou a Manaus. É o músico e ritmista de bateria carioca Kennedy Guedes Pestana, 50, natural do Rio de Janeiro e que está em Manaus há cerca de 30 anos. Natural da capital, ele já foi planista de navio, dono de salão de beleza e atualmente é gestor de projetos. Quando desembarcou em Manaus foi por causa do pai, que era militar e foi transferido para Manaus.  

“Quando cheguei aqui em Manaus pensei que nem sequer existia samba. Até que certo dia passei na rua Ramos Ferreira, perto do Buraco do Pinto, pois tinha uma namorada que estudava no Instituto de Educação do Amazonas (IEA), e ouvi a batucada da escola de samba Ipixuna. Fui conhecendo mais a escola e passei a tocar repique com o mestre Ilfren ‘Gatinho’. na época só tinham em Manaus cinco pessoas que tocavam cavaco”, relembra Keneddy.

No mundo sambista

A partir dalí ele foi entrando no mundo do samba amazonense, passando a conhecer feras como Caio do Cavaco, Edu do Banjo, Claudinho, Onércio, Zé Pneu, Mestre Biju da Andanças e Mestre Pajé da Vitória Régia e o grupo Ases do Pagode. Ele foi ritmista de repique principal da Andanças de Ciganos e dai para a Aparecida, onde ficou por 25 anos e conquistou 14 títulos, e após esse momento marcante, Mestre Dalto, ex-comandante da bateria da Reino Unido, o convidou para dar aulas às crianças do conhecido projeto social Reino do Amanhã.
das andanças

Após um retorno para a Ciganos, o Mestre Biju lhe convidou para ser da Andanças ano passado, quando a bateria tirou cinco notas 10 no desfile do Grupo Especial.
Neste ano, o compositor e mestre de bateria da A Grande Família, Marquinhos Dutam, lhe chamou para ser diretor de caixas de bateria de um projeto para ensinar crianças e veteranos. “Estou apenas há dois meses na escola, e o projeto ainda não começou. Vamos ensinar as crianças e procurar corrigir os defeitos dos veteranos. A Grande Família é uma escola de comunidade, como no Reino Unido, no Morro da Liberdade, Zona Sul da cidade.

Um dos sonhos de Kennedy é que “todas as escolas do Grupo Especial tivessem agremiações mirins, como acontece no Rio de Janeiro”.

Frase

Meu sonho é que as escolas do Grupo Especial tivessem agremiações mirins, como acontece no Rio”

Kennedy Pestana, ritmista da A Grande Família

Ivan fez caminho inverso pela Reino Unido

Caminho curioso fez o diretor de comunicação da Reino Unido da Liberdade, Ivan de Oliveira: na década de 1980, antes da fundação da agremiação do Morro da Liberdade, ele era roqueiro mas, após uma temporada no Rio de Janeiro, voltou amante do Carnaval. “Eu era roqueiro e fiquei apaixonado pelo Carnaval”, destaca ele.

Carioca 

De São João do Mirití, município da região metropolitana do Rio, para Manaus. Estamos falando do designer de Carnaval Tiago Luiz dos Santos de Souza, mais conhecido no samba como Tiago Fartto, de 33 anos. Ele é o carnavalesco da escola de samba Vila da Barra, mas traz no histórico a experiência de ter feito parte da equipe de criação do também carnavalesco Paulo Barros, hoje na carioca Vila Isabel, e do artista Rogério Azevedo.

Seu início foi na Beija-Flor de Nilópolis em 2005, ainda como aprendiz do carnavalesco Cid Carvalho. Ele ficou lá até 2007, quando quem estava no comando era Alexandre Louzada. A partir daí, em 2008, foi para a Viradouro com Paulo Barros, e de lá com ele para a União da Ilha, Unidos da Tijuca e Mocidade. Em 2015 fez parte da equipe de protótipos da Portela e chegou a Manaus para se dedicar mais ao Carnaval local apresentado por Almir Nascimento, ex-pajé do Boi Garantido . Em 2016 foi da Unidos da Cidade Nova, e desde ano passado assumiu na Vila da Barra.

Ele fala que seu ponto marcante foi ano passado ao distribuir as fantasias aos brincantes em um caminhão. “Tem também as amizades que conheci, que fiz, minha equipe mais próxima que tem pessoas como Júnior Nascimento, Pedrinho Pessoa, Juliana chefe de ateliê. Ah, e gosto da churrascada que fazem sempre pra mim todo ano”, disse ele, que tem apartamento em Manaus, mas também tem moradia no Rio.

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