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Escolas de samba do grupo de acesso C abrem os desfiles no Sambódromo nesta quinta-feira

Para as escolas de samba do grupo de acesso C, o Carnaval é a consagração de um ano inteiro de sacrifícios para levar a agremiação à avenida, mesmo sem barracão nem recursos 04/02/2016 às 15:59
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Na Império do Mauá, a confecção das fantasias acontece em casa
oswaldo neto Manaus (AM)

Distantes do “luxo” do Grupo Especial, seis escolas de samba sonham em alcançar o mais disputado patamar do Carnaval de Manaus: são as agremiações do Grupo de Acesso C.

Mesmo sem investidores, produzindo fantasias em locais improvisados e com o dinheiro do próprio bolso, ou levando apenas uma alegoria para a avenida, elas não perdem a animação e provam que a alegria de desfilar é o maior troféu.

O Grupo C, composto por Tradição Leste, Ipixuna, Leões do Barão Açu, Império do Mauá, Mocidade Independente do Coroado e Gaviões do Parque, desfila hoje no Sambódromo, a partir das 21h, com 45 minutos para cada agremiação.

O Grêmio Recreativo Escola de Samba Tradição Leste, a primeira escola a entrar na avenida, é uma dessas que sonham em chegar à “nata” do samba manauara. Fundada em 2007, a Tradição é do bairro Coroado, na Zona Leste, e foi campeão do Grupo C em 2008. Desde então, a escola deixou de desfilar no Sambódromo, mas este ano foi convidada a voltar a fazer parte do Carnaval de Manaus.

É na avenida Rodrigo Otávio, no Coroado, que fica o galpão onde as fantasias são produzidas, só com recursos levantados pela própria comunidade. “Esse galpão não é nosso. Em compensação, tudo foi comprado e confeccionado saindo do meu bolso. Aqui não tem grana de ninguém”, afirmou o presidente da agremiação, Gláucio Coelho.

A madrinha de bateria, Ingrid Sanzi, 33, será um dos principais destaques da escola neste ano. Estudante de jornalismo, ela afirma estar preparada para desfilar na avenida. “O Carnaval está ainda mais difícil pra gente. Neste ano, o que vai valer é a criatividade, e é o que nós temos de sobra”, disse.

Segundo Gláucio Coelho, apesar das dificuldades, a agremiação quer se mostrar “grande” na avenida. “A expectativa é maravilhosa. Tenho 10 alas com 80 brincantes, coisa que só vemos no Grupo Especial. Vamos entrar no Sambódromo sem recurso e seremos campeões, com certeza”.

Apesar da torcida de Gláucio, a disputa promete ser acirrada nas 4h30 de desfiles, com a Gaviões do Parque fechando a noite do grupo de acesso C.

Improviso e ‘jeitinho’ brasileiro

Apesar da “vitória” em realizar um Carnaval quase sem apoio, as expectativas da escola de samba Império do Mauá, que desfila hoje à noite, vão bem além do orçamento: desde 2008 - ano da fundação - no grupo C, hoje eles querem subir para o acesso B e só parar no Especial.

Com muita persistência, a bateria da escola ensaia na calçada de uma loja de material de construção na avenida Rio Negro, bairro Mauazinho. As fantasias são feitas em locais improvisados, às vezes nas casas dos foliões.

“O nosso sonho é o Grupo Especial. Nossa comunidade é vista só pela marginalidade, e desfilar entre as grande seria o começo dessa mudança”, disse o presidente, Fernando Cruz.

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