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Família indígena do Alto Solimões cria laço de amor com a capital

A história de amor desses indígenas com Manaus começou há meio século, quando eles migraram do Alto Solimões, em busca de uma vida digna. Aqui, se reencontraram com a natureza e descobriram o turismo 24/10/2016 às 18:04
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(Foto: Aguilar Abecassis)
Alik Menezes Manaus (AM)

A capital do Amazonas tem sido o refúgio, abrigo e tem oferecido oportunidade para muitas famílias que buscam melhores condições de vida. Uma família indígena do Alto Solimões se mudou para uma comunidade, na zona Rural de Manaus, há 25 anos e não pretende mais ir embora da cidade.

A comunidade Três Unidos fica localizada às margens do Rio Cuieiras, na Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Negro, na zona Rural de Manaus, a 60 quilômetros da Marina do Davi.

Segundo o vice-tuxaua Raimundo Cruz da Silva, 38, a história de amor com Manaus começou há 25 anos, quando o pai dele, o tuxaua Waldemir da Silva, decidiu sair da comunidade onde moravam, no Alto Solimões, e vir para Manaus em busca de melhores condições de saúde e financeiras.  “Manaus nos deu a oportunidade de ter o que buscamos que foi saúde, educação e uma renda para nos mantermos”, contou Raimundo.

Logo que chegaram a capital do Estado, a família, que naquela época era formada apenas pelos pais e três irmãos de Raimundo, passou três dias na´região urbana, mas não se adaptou. “Um primo dos meus pais ficou sabendo e ofereceu esse terreno dele para a gente morar”, contou Raimundo.

Nesses 25 anos, a família aumentou. A comunidade hoje conta com mais de 80 pessoas, cerca de 20 famílias, que ganham a vida trabalhando principalmente com o turismo. Segundo Raimundo, o dia de maior visitação acontece às quartas-feiras, quando um navio leva grupos de turistas até a comunidade.

“Fechamos essa parceria há alguns anos. Eles vem, conhecem nossa cultura, nosso artesanato, nossa dança, e não cobramos pela entrada, nossa renda vem do que eles consomem aqui”, disse o vice-tuxaua.

As mulheres da comunidade produzem colares, pulseiras, abanos e anéis, que são vendidos a partir de R$ 10. “Os turistas chegavam e queriam conhecer nosso artesanato. Perguntaram se a gente fazia e prontamente disse que sim. Mobilizei as mulheres e fomos passando esse costume de mãe para filhos”, contou dona Diamantina Cruz, 54, que é esposa do tuxaua da Comunidade.

Tudo o que os indígenas queriam eles conseguiram. Atualmente a principal renda deles vem do turismo, tem aulas em português e kambeba, além de atendimento médico e odontológico. A escola, inclusive, conta com professores da própria comunidade, que cursaram a graduação superior em Manaus.

“Devemos tudo isso a Manaus. Por isso amamos Manaus e não pensamos em sair daqui”, disse Raimundo.

Segundo Raimundo, apesar de muitos parentes e amigos não terem vindo para Manaus, eles se preocupam com eles e procuram ajudar com alimentos, medicamentos e tudo o que for necessário. “A gente se esforça também para ajudar eles, nós somos uma grande família na verdade, um procura ajudar o outro”, contou.

Nos próximos dias mais uma família deve deixar a comunidade no Alto Solimões e se juntar a comunidade Três Unidos. “A motivação é sempre a de tentar melhorar a vida, estudar, trabalhar, tem uma boa saúde e aqui a gente tem tudo isso”, disse Raimundo.

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