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Fanáticas pelas cirandas de Manacapuru, costureiras fazem de tudo para dar beleza aos itens

Festival de Cirandas do AM tem exército invisível formado por carismáticas e simpáticas costureiras que dão duro para confeccionar figurinos e indumentárias 30/08/2015 às 21:36
Show 1
Uma das mais novas costureiras atuando no Festival de Cirandas de Manacapuru, Vitória Pinheiro ama o trabalho.
Luana Carvalho e Paulo André Nunes ---

O belo espetáculo que você confere anualmente no Parque do Ingá com as cirandas tem por trás um exército invisível formado por carismáticas e simpáticas costureiras que dão duro, muito duro, para confeccionar as indumentárias utilizadas pelos brincantes de Tradicional, Flor Matizada e Guerreiros Mura. E todas elas têm em comum o fato de serem fanáticas por suas cirandas.

Lilda Miranda, a popular “Morena”, está há 14 anos na Guerreiros Mura e entrou após ser convidada por outras costureiras mais antigas à época. E desde lá para nunca mais saiu. Assim como outras da mesma profissão, ela mantém um pequeno atelier em sua própria casa, localizada na rua Maurício da Cunha Freire, no bairro São José, em Manacapuru.

“Muitas costureiras já saíram, mas eu continuei”, conta ela, que nunca exerceu outra função que não fosse confeccionar as roupas encomendadas pelo figurinista da ciranda, que vai além sobre o “exército invisível: “As costureiras são responsáveis por fazer as roupas da alma da ciranda, que são os cirandeiros, com uma roupa bem bonita, com brilho na fantasia e sem erros”. 

Ser uma das costureiras é motivo de satisfação para Morena, que nasceu em Carauari (a 786 quilômetros da capital) e está há 17 anos morando em Manacapuru. “Tenho muito orgulho de costurar para a ciranda do meu coração. É muita emoção quando vejo, na hora da apresentação, os cirandeiros dançando”, diz ela, quase embargando a voz e finalizando uma das roupas que estavam guardadas a sete chaves para a apresentação de sábado dia 29.

“Todo ano para mim é emocionante e sempre estamos no Cirandódromo para torcer”, diz ela, casada e mãe de quatro filhos e em meio a tecidos como paetês, cetim, organza, panos especiais que substituíram as tradicionais chitas e o TNT “brocado”, que eram utilizados nos primórdios cirandeiros nas décadas de 1980 e 1990.

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Além de torcedoras fanáticas, Maria Zivaneide, 59, e Andrea Souza, 33, são as costureiras de mão cheia responsáveis pela confecção das roupas das itens e do cordão de entrada da Ciranda Flor Matizada. Mãe e filha costuram das 8h às 20h, todos os dias, para cumprir a meta e entregar as roupas com antecedência britânica.

“Costuro há mais de 10 anos pra Ciranda e faço isso sinceramente com o maior amor do mundo, o maior que posso ter e oferecer. Sou louca pela Matizada e quando vou para a arena e vejo os cirandeiros usando as roupas que fiz, isso me dá um orgulho muito grande. Meu maior prazer é ver a apresentação do meu trabalho no palco do festival da nossa terra”, conta Zivaneide, que começou a costurar quando ainda era criança.

A história de Maria e da Flor Matizada começou há aproximadamente 20 anos, quando um de seus filhos dançava no Colégio Nossa Senhora de Nazaré, onde a ciranda de Manacapuru teve origem. “Eu costurava a roupinha dele pra ciranda da escola, que depois se tornou a Flor Matizada. Hoje tenho uma outra neta que dança no cordão. É uma realização pra gente”.

Andrea Souza é técnica em logística, mas na época do festival ajuda a mãe a costurar. “Aprendi tudo com minha mãe e também fico feliz em ajudar nossa agremiação. Este ano, além das roupas dos itens, estamos fazendo as 20 peças dos puxadores, que são os responsáveis por “cantar” a brincadeira e os passos marcados dela e cuja característica maior é deixar a torcida ensandecida no parque.

Tradicional ‘mexe’ com 40 costureiras

Do bairro da Liberdade, sede da Ciranda Flor Matizada,  mudamos a busca pelo exército invísivel para o da Terra Preta, onde no galpão da Ciranda Tradicional existe um atelier específico para a confecção das indumentárias dos brincantes da vermelha e branca, a segunda ciranda a ser criada na cidade, em 1985.

É lá que a coordenadora de indumentária Núbia Mendonça, 40, lidera uma equipe de mais de 20 outras costureiras. Entre experientes e novatas, o sentimento único de ser uma integrante do “exército invisível” da Tradicional na busca por um título que não vem desde 2010.

“Estamos fazendo a nossa parte, confiantes por uma grande apresentação e esperamos que esse título venha para nós”, atesta Núbia Mendonça com a fé de quem vê a ciranda dela bem preparada para abiscoitar o título deste ano.

Ao lado de Núbia Mendonça, Vitória Pinheiro, 23, uma das mais jovens do atelier, não esconde a emoção de costurar para a ciranda do coração. “É um prazer enorme fazer parte da ciranda”, fala ela, com um olho no repórter e outro na máquina de costurar.

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