Publicidade
Carnaval
Especiais

Flor Matizada encerra o 19° Festival de Cirandas de Manacapuru com avisos sociais

De forma sutil, a agremiação lilás e branca abordou assuntos como a rota do tráfico de drogas e a origem da Ciranda durante sua apresentação no Parque do Ingá, na terceira e última noite do festival amazônico 30/08/2015 às 23:41
Show 1
Flor Matizada anima o Parque do Ingá na terceira e última noite do festival
luana carvalho e rafael seixas Manacapuru (AM)

CONFIRA TRANSMISSÃO VEJA GALERIA DE IMAGENS

A Flor Matizada encerrou a terceira noite do 19° Festival de Ciranda de Manacapuru, na noite deste domingo (30), em clima de reflexão e saudosismo. Pela segunda vez a agremiação abraçou o desafio de trazer um tema autoral para a arena. "Ordem e desordem – a metáfora da vida" foi defendido no intuito de proporcionar discussão acerca do fenômeno da existência da vida.

Toda a apresentação foi grandiosa e organizada, mostrando toda sua experiência de 35 anos. Inspirado em pensadores contemporâneos, como Edgar Morin e Leonardo Boff, a Matizada deu um verdadeiro grito de protesto no Cirandódromo e abordou questões como o tráfico de drogas no município. O apresentador, Ivan Oliveira, deu vida ao "seu Honorato", personagem curandeiro da ciranda original, que foi resgatado para viver a história.

A tocata "Lilás e branca", que representa a "Ciranda mais amada do Brasil", embalou o ritmo para os cantadores Bebezinho e Erinho chegaram suspenso por um guindaste agitando todo o público presente.

Toda viagem ao tempo foi conduzida por seu Honorato, que não aceita a realidade e para entender os acontecimentos, precisou voltar para o início de tudo. Baseado na informação de Edgar Morin, de que “todas as memórias do universo estão em nós”, a agremiação  apresentou o fenômeno "Big Bang", justificativa de conteúdo científico para a criação do universo.

A grande explosão, que jogou no universo uma infinidade de substâncias sintetizada pelos quatro elementos - terra, fogo, água e ar - criando inclusive imensa Amazônia, foi encenada pela agremiação.  A torcida deu um show de interação e ajudou diretamente o espetáculo acontecer. O cordão de entrada misturou técnicas de balé com ciranda, num sincronismo perfeito.


Seu Honorato contou a história da Ciranda, que vinda de Portugal, alcançou as praias pernambucanas na época colonial e no final do século 19 migrou para a cidade de Tefé, no Amazonas. Em 1980, a Ciranda foi levada pelo professor José Silvestre a Manaus, e no mesmo ano para Manacapuru, onde encantou os moradores da cidade.

Neste momento a agremiação fez um resgate e trouxe 12 integrantes originais do cordão de cirandeiros da década de 80 -quando a agremiação foi criada na Escola Nossa Senhora de Nazaré - para a arena. “Conseguimos encontrar esses cirandeiros para lembrá-los de quando nossa cidade era símbolo de paz e folclore. É um momento lindo de resgate histórico”, comentou Gaspar Fernandes, diretor cultural da Flor Matizada. Eles usavam roupa de época e dançaram cirandadas de raiz. 

Além disso, todos os personagens da ciranda original, como a dona Benta, o caçador, e seu Manelinho foram resgatados para a apresentação. Os cirandeiros passaram por várias épocas, pela ciência e pelo folclore, até chegarem na "Batalha da Paz", refletindo a ideia de que a desordem é necessária para a criação de uma nova ordem. Uma alegoria de mais de 20 metros de altura do artista parintinense Carlos Pizano, representou o cirandeiro da paz e tirou o fôlego da torcida. No final do espetáculo, a paz voltou a reinar novamente na terra das Cirandas. 

Ao fim, a Flor Matizada indagou o público com a seguinte pergunta: "Quem é  o princípio e o fim de todas as coisas?". A resposta veio com uma alegoria representando Deus. A torcida da Flor Matizada se emocionou com o espetáculo. Outro momento marcante da apresentação foram a entrada da Porta Cores,  Fernanda Sabóia, embalada pela ciranda "Divina Porta Cores"; e a "Batalha da Purificação", em que um guindaste trouxe cinco anjos dourados, revelando a batalha dos seres iluminados contra os seres das trevas.

A direção da Flor Matizada conseguiu cumprir a proposta do seu tema, levando para a arena do Parque do Ingá um verdadeiro grito contra a violência e contra os problemas sociais que assolam atualmente  o município  de Manacapuru. Todos os itens estavam bem entrosados e ensaiados. O entrosamento entre torcida e a Flor Matizada certamente foi o grande diferencial da festa, pois, do início ao fim, a galera lilás e branca participou ativamente desse verdadeira celebração popular.

Publicidade
Publicidade