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Fonte límpida em sítio contribui com a imensidão do igarapé Tarumã-Açu, em Manaus

Considerado como nascente do igarapé, olho d’água encontra-se em um sítio, localizado na comunidade Nova Canaã, no quilômetro 40 da BR-174 22/03/2015 às 10:59
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Sarah Beatriz mostra de onde brota o líquido que ajuda a formar o maior igarapé da Zona Oeste, no quintal do sítio onde mora
Oswaldo Neto Manaus (AM)

Em um sítio distante, localizado na comunidade Nova Canaã, no quilômetro 40 da rodovia BR-174, um dos mais importantes contribuintes do rio Negro tem início. Adentrando a mata, lá está ele: onde mais se parece uma poça formada pela chuva, há um “olho d’água” que, ao se unir com várias nascentes pelo caminho, contribui com a imensidão do igarapé Tarumã-Açu.

Quem descobriu o espaço foi Antônio Estevão Basílio, 70, pai da jovem Sarah Beatriz, de 17 anos. “Todo mundo diz que aqui é que nasce o rio. É fundo aí, tanto que antes tomávamos banho e usávamos como cacimba mesmo. Nunca passamos mal, a água sempre foi bem limpinha”, diz ela, mostrando o local onde a água “brota” por conta própria. Por trás do “olho”, um filete de água atravessa sutilmente o chão coberto por folhas, e que mais adiante irá desaguar em um lago dentro do terreno. “Esse terreno é nosso. Quando para de chover, a água lá fica transparente. A gente até cobra R$ 1 para as pessoas tomarem banho”, afirma a jovem.

Bacias

De acordo com o geólogo Fred Cruz, os “olhos d’água” encontrados na comunidade Nova Canaã podem ser considerados nascentes do igarapé do Tarumã-Açu. Ele explica que, assim como o igarapé do Mindu, o Tarumã-Açu possui várias nascentes, onde somente as mais longíquas conseguem ter suas origens intactas, como a localizada no sítio de Sarah.

O geólogo explica que Manaus possui quatro grandes bacias: a do igarapé do São Raimundo, do igarapé do Educandos, do igarapé do Tarumã-Açu e do rio Puraquequara. Segundo ele, as nascentes inseridas nas duas primeiras são quase inexistentes. “Praticamente todas elas foram ‘afogadas’. A visão mundial é que cada dia temos mais necessidades da água, não só nós como outros seres vivos. O amazonense está ignorando que nossas próximas gerações vão precisar dessa água também. O lastro que essa geração está deixando para os filhos e netos é quase nenhum”, alertou.

Falta de cuidados

De acordo com a bióloga Domitila Pascoaloto, da Coordenação de Pesquisas em Clima e Recursos Hídricos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), trabalhos de pesquisa mostraram que as alterações dos igarapés de Manaus ocorreram por causa da urbanização, mas sobretudo por falta de cuidados nesse processo.

“As alterações que estão acontecendo, por enquanto, são mais da urbanização. Se simplesmente parassem essas alterações, a própria natureza cuidaria para que ele voltasse a ser natural”, afirma. Ela ressalta a importância do berço d’água: “Enquanto tiver a nascente, você sempre terá esperança de recuperação. Não adianta a nascente jogar água limpa se tem um monte de gente jogando outras coisas. Tem que ter uma ação conjunta do poder público com a população, em apoio ao que a natureza já está fazendo”.

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