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Ganhando uns trocados e muitos fãs na Ilha Tupinambarana

Festival Folclórico de Parintins atrai artistas de rua que aproveitam o intenso movimento e a chegada de turistas para faturar uma grana 21/10/2015 às 11:11
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O casal Igor Lagos e Mariana Lopes percorrem o Brasil como andarilhos. Eles tinham vontade de conhecer Parintins
Victor Affonso Manaus (AM)

São 13h30 e, como sempre, o sol castiga Parintins. Na avenida Amazonas, uma das principais vias da Ilha Tupinambarana, um grupo de seis pessoas busca abrigo na sombra de uma árvore na esquina. Mas a presença deles ali atrai diversos olhares de curiosos. São artistas de ruas, vendedores de bijuterias artesanais e mochileiros, brasileiros e sulamericanos, que desembarcaram no município – por sorte ou planejamento –, atraídos pela grandiosidade do Festival Folclórico.

É a primeira vez que viajantes deste tipo visitam Parintins, o que causa surpresa para quem vem sempre à ilha. Cada um tem uma história e um trajeto diferente: um casal, formado por um paulista e uma argentina, um venezuelano e uma dupla de chilenos conversam tranquilamente enquanto planejam onde vão almoçar.

O malabarista paulista Igor Lagos viaja há mais de dois anos pelo Brasil com sua companheira, a argentina Mariana Lopes, de Buenos Aires, após se conhecerem na Paraíba. A primeira vez que ele ouviu falar do Festival foi em 2013: “Estávamos indo de Macapá para Manaus quando paramos no porto de Parintins, mas seguimos reto porque falaram que o legal é a festa, mas não era a época. Fomos para Venezuela, voltamos para São Paulo e acabamos indo a Manaus de novo. Estávamos trabalhando lá quando lembrei e falei ‘vamos nos preparar para ir’”, conta.

Igor, que já participou como artista circense em camarotes do Carnaval de São Paulo, Rio de Janeiro e Olinda, tinha a vontade de conhecer o “carnaval amazônico fora de época”, como definiu. “Minha meta era vir, conhecer Parintins e saber mais da nossa tradição”, acrescenta.

O casal já viajou junto por 79 cidades brasileiras e está em Parintins há quase duas semanas, se apresenta em semáforos e praças da Ilha Encantada, e não se incomoda com o pouco lucro que estão tendo por aqui.

Uma das coisas que mais impressionou Igor foi o interesse das crianças na arte que desenvolve. “As crianças na praça ficam tentando jogar garrafas vazias, imitando a gente. É legal ver que essa cultura é a gente que está criando. Para mim esse lado é o que mais vale. Se eu falasse que queria ser rico não seria artista de rua”, diz.


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