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Há 49 anos um homem criou na família a paixão que só o Peladão é capaz de explicar

Um dos mais tradicionais times da história do campeonato de peladas tem como meta chegar a quatro décadas de participação no Peladão em plena forma 04/09/2015 às 12:35
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Wenderson beija a camisa do time que herdou do pai há quase 40 anos
EQUIPE PELADÃO 2015 ---

Se depender dos irmãos José Roberto Melita e Wenderson Melita, o time do pai, o Cosmo de Flores, seguirá firme e forte no maior campeonato de futebol amador do mundo: o Peladão. Há 39 anos no torneio, o fundador do time, José Roberto Pacheco Melita, conhecido pelos amigos como Beto, que faleceu em 2012, terá seu legado seguido pelos filhos. E por conta disso, o time mudou de nome e, como forma de homenageá-lo, os irmãos decidiram alterar para Cosmo Amigos do Beto.

Um dos mais tradicionais times da história do campeonato, a meta é chegar a quatro décadas de participação no Peladão em plena forma. “Nós estamos ano após ano no Peladão. Queremos chegar aos 40 anos”, resumiu Wenderson Melita, presidente do Cosmo Amigos do Beto. Há pouco mais de dois anos ele relatou que perdeu o pai para o câncer, mas que não perdeu a vontade de seguir com o sonho dele. “Meu pai era fascinado pelo Peladão. Desde pequeno, ele já me levava para o estádio”.

Beto lutou contra o câncer, mas não resistiu. No dia 9 de dezembro de 2012 ele faleceu na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecom), no bairro Dom Pedro, Zona Centro-Sul. O técnico do time, Márcio Rodrigues, disse que no dia de seu falecimento, o time, na época Cosmo de Flores, estava em campo vencendo o Unidos do Santo Antônio por 4 a 0. Antes de partir, Beto foi avisado pelos jogadores de que eles iriam ganhar a partida para homenageá-lo.

Herança

Com a herança em mãos e a grande responsabilidade de comandar o time, os filhos se tornaram os presidentes. Para este ano Wenderson Melita, presidente do time, está com uma ótima expectativa. “Estamos com um elenco bom, pelo menos no papel. Chamamos alguns jogadores que já foram campeões no Peladão para compor o nosso grupo e, com isso, vamos para mais um ano de campeonato”, disse. O Cosmo jamais foi campeão, mas sempre se fez presente na competição, o que fez a diferença para o grupo.

“Muitos times que entram no Peladão e não conseguem manter a tradição de todo ano participar, mas o Cosmo não. Todo ano nós estamos firmes e fortes, mesmo sem a presença do nosso pai. E um detalhe muito importante, nós não damos dinheiro para nenhum jogador entrar no time. Aqui é na amizade e conseguimos conquistar vários jogadores e trazê-los para o nosso time”, explicou Wenderson.

A expectativa dos irmãos é que o Cosmo siga em frente por mais alguns anos. “Queremos chegar até o número 40 em participações”, finalizou.

Tristeza quase acabou tudo: morte do fundador abalou todos

Por pouco o Cosmo deixa a tradição de lado. No dia 9 de dezembro de 2012, data em que Beto faleceu, um dos filhos dele, o autônomo José Roberto Martins Melita, o Júnior (lado esquerdo da foto), hoje com 26 anos e vice-presidente, havia decidido acabar com o time.

Porém, um dos amigos do comandante do clube amador, Márcio Rodrigues, hoje técnico do conjunto, clareou a cabeça do filho e deu esperança para ele tocar o barco sem o pai no comando.

“Desde o dia que ele faleceu, a verdade era que o time iria acabar porque todo mundo ficou triste porque o Beto era a alma do time e era muito querido aqui no bairro. Então com a morte dele, o Júnior ficou desesperado porque o pai era o ‘cabeça’ do time e, de repente, tudo isso aconteceu. Mas eu cheguei com os dois, o Júnior e o Wenderson, e conversei, dizendo que não era bem assim e que o Cosmo não deveria acabar desta forma e sim continuar porque era um dos times mais antigos do Peladão e com mais tradição no campeonato. Foi assim que o time seguiu e segue até hoje firme e forte no maior campeonato de futebol amador”, explicou Márcio Rodrigues, técnico do time e ex-jogador profissional.

Desde pequeno

Desde os primeiros quatro anos de idade, Wenderson, presidente da equipe, contou que Beto já o levava para os campos de bairro e até para o Vivaldão para acompanhar de perto o futebol baré. A partir desse encontro, Wenderson disse que se apaixonou pela brincadeira de bola e, isso, foi um dos motivos que levou à ele e o irmão a continuar com o sonho do pai, de todos os seus amigos e daqueles que o admiravam no bairro. A força do time vem do espírito da amizade e companheirismo que levará para campo mais um ano de tradição.

Inspiração em Pelé

Cosmos inspirou a equipe que é tradição no PeladãoDono de uma pequena taberna no bairro Alvorada, o comerciante Beto resolveu montar o time para disputar o maior campeonato de futebol amador do mundo.

Como fã nato de Pelé que, em 1977, já jogava no New York Cosmos, Beto se escantou pelo time e resolveu batizar seu time como o Cosmo de Flores.

“Meu pai gostou muito do The New York Cosmos e resolveu colocar o nome Cosmo no grupo. Ele até assistiu o jogo aqui na cidade quando era vendedor ambulante de broa. Na época, um amigo conseguiu colocá-lo dentro do estádio para assistir o jogo e também vender a broa”, revelou Wenderson.

O time é apontado pela coordenação do Peladão como um dos mais antigos do Peladão.

De acordo com Wenderson, o time foi fundado no dia 10 de novembro de 1977, oito meses depois do jogo clássico entre N.Y.Cosmos e Fast Clube.

Na época do jogo, mais de 80 mil torcedores lotaram as arquibancadas do antigo Vivaldão e um dos torcedores era o fundador do Cosmo de Flores, o Beto, que hoje, mesmo ausente, está de espírito junto com a equipe.

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