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Há 50 anos: um padre, três jovens, a igreja, nascia o Festival Folclórico de Parintins

O festival se resumia a uma apresentação dos bumbás na quadra da Juventude Alegre Católica, ninguém imaginava a proporção que isso resultaria 30/05/2015 às 14:47
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Dança do Tipiti encenada no tabladão, o segundo palco do festival
Gerson Severo Dantas Manaus (AM)

O Festival Folclórico de Parintins chega à 50ª edição com um vigor que os criadores jamais imaginaram ao organizarem a festa e pacificarem as disputas em benefício da obra de construção da Catedral de Nossa Senhora do Carmo.

Incentivados pelo então paróco da igreja, Augusto Gianolla, o clube de jovens batizados de Juventude Alegre Católica (JAC) foi o primeiro promotor do evento que hoje é conhecido no mundo todo.

Na JAC, tomaram a frente da empreitada três amigos: Raimundo Muniz, Xisto Pereira e Lucinor Barros, o único ainda vivo.

“Ninguém pensou que ia dar nisso tudo, nesse espetáculo maravilhoso”, conta Lucinor, que mora em Boa Vista (RR), mas que tentará ir assistir ao festival deste ano. “Quero ir, mas a diabetes pode atrapalhar. Se der quero ir ao menos para assistir aos três dias, afinal eu participei da origem”, afirmou.

Com 72 anos, Lucionor afirma que detalhes do início do festival já se perderam na memória dele, que na época estava com 22 anos e era muito amigo de Muniz e Xisto.

“Nós participávamos do clube de jovens da igreja Católica, fazíamos muitas atividades com o padre Augusto e ele nos pediu para organizar alguma coisa para ajudar a pagar a construção, foi aí que surgiu a ideia do festival, que também seria importante para reduzir as confusões que aconteciam nas ruas quando os bois saiam”, disse.

Criado em 1965, o festival se resumia a uma apresentação dos bumbás na quadra da JAC, mas desde o início trouxe uma regra até hoje seguida e que espanta os novatos: quando um bumbá se apresenta, a torcida do outro fica respeitosamente em silêncio. Essa, conforme depoimento de Muniz, era a regra de ouro para domar os mais afoitos e brigões. A regra, segundo os fundadores, foi sugestão do padre Augusto.

A evolução do festival levou os fundadores - e organizadores - a organizarem a disputa propriamente dita em 1966, quando foram criados os itens de avaliação da apresentação dos bumbás. Batucada do Garantido e Marujada do Caprichoso, pai Francisco e mãe Catirina, além do Amo do Boi foram itens de avaliação desde os primórdios. Destes, atualmente os personagens do auto do boi (Francisco e Catirina) são apenas itens obrigatório, mas não contam pontos para a definição do vitorioso.

Detalhes pequenos de uma festa grande
O Festival Folclórico de Parintins passou por quatro palcos ao longo dos 50 anos de existência: A quadra da Juventude Alegre Católica (JAC), o estádio Tupy Catanhede, o tabladão Messias Augusto e o bumbódromo Amazonino Mendes;

A disputa entre os bumbás Garantido e Caprichoso é apenas uma - e a mais importante - entre várias que ocorrem ao longo do mês de junho. O festival tem ainda quadrilhas e danças regionais e internacionais.

O festival também deu “crias”, como o Festival de Toadas e o Festival dos Bois Mirins, feito com miniaturas dos bumbás e todos os itens.

A arquitetura do espetáculo também se modificou ao longo do tempo. Na JAC, no estádio e no tabladão os bumbás se apresentavam numa espécie de desfile ao longo dos espaços do palco. No bumbódromo, o espetáculo ocorre como num anfiteatro, com os itens se apresentando para o corpo de jurados, que até quatro anos ficavam no centro do bumbódromo.

Para espalhar o espetáculo, há quatro anos os jurados ficam espalhados pela região central e pelas laterais do palco, obrigando os bumbás (e os itens) a se apresentarem em várias partes e para todos os públicos.

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