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'Heróis da resistência': os brincantes que ficam até o último desfile

A CRÍTICA conversou com os torcedores que ainda permaneciam no Sambódromo, firmes e fortes, até o som do último repique 07/02/2016 às 15:49
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Dona Maria Feliz e as amigas dão um banho de disposição nos mais jovens
Laynna Feitoza Manaus, AM

Pular Carnaval é algo que nos eletriza e pode nos fazer virar noites e noites, sem medo do que virá amanhã. Mas é para poucos a capacidade de ficar até a última badalada dos desfiles das escolas de samba. Já havia amanhecido quando a G.R.E.S. Andanças de Ciganos terminou o seu desfile e a reportagem de A CRÍTICA foi então conversar com os chamados “heróis da resistência” que ainda permaneciam por lá, firmes e fortes, até o som do último repique.

O “título” independe do fato da respectiva escola do coração ser a última a desfilar. Tem gente que, mesmo com o fim do desfile da sua escola, não arreda o pé até ver a última agremiação cruzar a avenida. E é o que aconteceu com a professora Maria Feliz Alencar que, aos 69 anos, dá um banho de disposição em muitos “novinhos” por aí. “Minha escola do coração é a Aparecida – a quinta a desfilar. Mas como minha filha é Vitória Régia, hoje resolvi vir vestida com as cores da escola dela”, disse ela, com direito a adereços e maquiagens nos tons verde e rosa.

Ela chegou às 20h e há três anos repete o ritual de ir sempre assistir aos desfiles das agremiações carnavalescas. Dona Feliz permanece assim, vestida com o significado do seu nome, sempre até o final. E onde está o segredo para tanta disposição? “Não bebo e não fumo, e Carnaval é só uma vez ao ano. Quando eu era jovem era sempre a primeira a entrar e a última a sair das festas”, diz ela aos risos, lembrando que somente neste ano resolveu levar uns petisquinhos para acompanhá-la na festa.

O traje do cabeleireiro Anderson Oliveira, 23, não o deixava mentir: ele era devoto da escola Aparecida. Mas o dia raiou e lá estava ele, incansável, acompanhando o fim da festa. “Venho todo ano ver o desfile e sempre fico até o final”, coloca. Anderson destaca que, para ele, as bebidas alcoólicas dão aquela “forcinha” para permanecer de pé até o amanhecer.

“Bebo três Skarloffs, tomo Coca-Cola e ainda tomo energético”, pontua ele. Os benefícios de ficar até o final, segundo ele ressalta, têm a ver com o caráter de renovação dos desfiles, ano após ano. “Todo ano as escolas trazem coisas novas para nos atrair. E não somente as escolas para as quais torcemos, por isso vale super a pena valorizar o trabalho das outras escolas também”, afirma.

Sem energéticos, mas com outras bebidas, a enfermeira Meire Alves, 47, é Vitória Régia e enfatiza a quem acredita que é possível aguentar até o final sem sono: o sono bate sim, e às vezes bate forte. Mas nem por isso ele domina o seu corpo a ponto de fazê-la ir embora. “Eu costumo me alimentar bem antes de vir pra cá. Vale muito prestigiar até o final o Carnaval daqui, do Amazonas. O segredo é gostar muito de Carnaval”.



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