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Carnaval
FOLCLORE

Lenda amazônica dá o tom do enredo da Mocidade Alegre, de São Paulo

A escola descerá na avenida sob o tema ‘Ayakamaé - As Águas Sagradas do Sol e da Lua’ 14/02/2019 às 18:28
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Fotos: Divulgação/Marcelo Messina
Alexandre Pequeno Manaus (AM)

Atual vice-campeã do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo, a Mocidade Alegre vai levar para o Sambódromo do Anhembi uma tradicional lenda amazônica. A agremiação apresentará o enredo “Ayakamaé - As Águas Sagradas do Sol e da Lua”, sob a batuta dos artistas Neide Lopes, Carlinhos Lopes, Paulo Brasil e Márcio Gonçalves.

Na lenda, o sol e a lua eram amantes que nunca conseguiam se encontrar. A lua começa a chorar e, das suas lágrimas, nasce o Rio Amazonas. A escola será a terceira a se apresentar na segunda noite de desfiles, no sábado, dia 2 de março.

De acordo com Fábio Cavicchio, do departamento cultural da agremiação, a lenda principal – Ayakamaé, que conta o surgimento do Rio Amazonas na tradição das nações indígenas que vivem em sua bacia – é enriquecida com outras lendas, contos, bem como com as crenças e costumes típicos da vida ribeirinha da região.

"Lendas, água, vegetação, peixes, pássaros, penas, índios, lua e sol são elementos onipresentes no cenário amazônico. Desta festa, podem aparecer em mais de um setor na narrativa do enredo", destaca Fábio.

Organização na avenida

O primeiro setor apresenta o surgimento das águas sagradas da lenda Ayakamaé, na qual o rio com maior volume de água do planeta nasceu a partir das lágrimas da Lua, impedida por Tupã – o criador do mundo – de relacionar-se com seu grande amor, o Sol. 

No segundo setor, intitulado “As Águas da Vida”, revela-se o exuberante bioma que floresceu na região banhada pelo Amazonas, por ele fecundada em seu ciclo de cheias e vazantes.

A capacidade das águas do Amazonas em transformar e curar são mostradas no terceiro setor: “As Águas da Cura no Verde Coração”. É o rio que desenha as formas da mata e lava as cinzas do cataclismo provocado no passado pelo eclipse, no encontro do Sol e da Lua.

No último setor, o sambista da Mocidade Alegre – incorporado na personalidade de um índio – reverencia “As Águas do Eterno Amor de Sol e Lua”. Contempla, no horizonte, o deslumbrante pôr-do-sol sobre as águas.

História no samba

A Mocidade Alegre foi fundada em 24 de setembro de 1967. A inauguração da sede e quadra de ensaios da agremiação aconteceu após três anos, em 1970, na Avenida Casa Verde. Anterior a essas datas, em 1950, os fundadores Juarez Cruz, seus irmãos Salvador Cruz e Carlos Cruz, e mais dois amigos já saiam fantasiados de mulher pelas ruas da região central da cidade, com o grupo intitulado “Bloco das Primeiras Mariposas Recuperadas do Bom Retiro”.

Os foliões faziam alusão às situações que aconteciam na época, como a recuperação dos bondes e o fechamento dos prostíbulos do bairro de Bom Retiro. Em 1963, a escola teve pela primeira vez a participação de uma mulher. Neide, esposa do Sr. Salvador Cruz, desfilou fantasiada de palhaço assim como os demais participantes do grupo.
O termo “Morada do Samba” foi criado por um integrante da escola que sintetizava os principais objetivos da diretoria comandada por Juarez: abrir as portas da Mocidade para qualquer sambista, de qualquer co-irmã, qualquer pavilhão, um lugar para o sambista se sentir em casa.

A rápida ascensão reservou à Mocidade Alegre muitas vitórias conquistando o título de pentacampeã do Grupo Especial entre os anos de 1969 e 1973. Dos mais recentes troféus de campeã estão as premiações em 2004, 2007, 2009, e o glorioso tricampeonato alcançado de 2012 a 2014.

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