Publicidade
Carnaval
Intrigante

Mistérios do Carnaval intrigam e fascinam até hoje e nunca foram desvendados

E aconteceu em Manaus aquele que é um dos maiores mistérios carnavalescos de todo o País: a morte, em 1915, em uma Terça-Feira Gorda, da violonista Ária Paraense Ramos, vitimada por um tiro disparado durante um baile de Carnaval na antiga sede do Ideal Clube, que antes ficava localizada na esquina da avenida Eduardo Ribeiro com rua Henrique Martins. 12/02/2017 às 15:27
Show ariaramos3
Em 2016, uma exposição fotográfica em Manaus relembrou a história da morte de Ária Paraense Ramos, em 1915 / Foto: Tácio Melo
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Carnaval não é apenas sinônimo de colorido e muita alegria, mas também de mistério. Isso mesmo, caro leitor: a folia de Momo é cercada de fatos e situações capazes de deixar qualquer pessoa assustada ou, no mínimo, intrigada. E aconteceu em Manaus o que é um dos maiores mistérios carnavalescos de todo o País: a morte, em 1915, em uma Treça-Feira Gorda, da violonista Ária Paraense Ramos, vitimada por um tiro disparado durante um baile de Carnaval na antiga sede do Ideal Clube, que antes ficava localizada na esquina da avenida Eduardo Ribeiro com rua Henrique Martins.

Nunca se soube o paradeiro do autor do crime, mas há suposições da época onde: 1) o tiro teria vindo do namorado ciumento; 2) o disparo teria vindo de um homem fantasiado de caçador. Nunca se comprovou nada disso. Ela era filha do coronel Lourenço Ramos e fazia parte do grupo “Paladinos da Galhofa”. O mais curioso e mórbido é que, de acordo com pesquisas feitas em jornais da época, como “O Tempo”, Ária executava a música “Subindo ao Céu”, de autoria de Aristides Borges, no momento do próprio assassinato.

“A Ária não era uma mulher qualquer, uma dondoca da sociedade, mas sim uma artista, uma mulher bonita, violinista bastante conhecida, que ensinava seus conhecimentos a outras pessoas. Jornais como ‘O Tempo’ e o ‘Commercio’ colocaram na época, em dúvida, de onde partiu o tiro que a matou. Os jornais falam que ela executava ‘Subindo ao Céu” no momento em que morreu. Esse fato parou a cidade, com os paladinos da Galhofa fazendo um cortejo fúnebre para ela”, relata o pesquisador Rildo Heros, um dos maiores especialistas em Manaus antiga e esportes da atualidade.

“A morte da Ária Ramos é, certamente, um dos maiores mistérios do Carnaval brasileiro em todos os tempos", conclui ele.

Lendas

Escolas de samba usam e abusam de lendas nos seus desfiles, como a Império Serrano que, emm 1976, desfilou com o belíssimo samba-enredo “Lendas das Sereias, Mistérios do Mar” (“O mar, misterioso mar / Que vem do horizonte É o encanto das sereias”).

Talvez outro grande mistérios seja quando um folião mascarado olha atentamente para uma moça a quem ele deseja e a moçoila se sente atraída, começando, após a troca de olhares,  uma conversa e por aí vai... e vice-versa. Esse é o mistério da paixão, do amor, que torna o Carnaval tão singular até que se cante “Vou deixar-te agora / Não me leve a mal / Hoje é Carnaval!”.

Os anos perdidos de Mestre Cartola

O grande  mestre Angenor de Oliveira, o Cartola (1908-1980), considerado por muitos como o maior sambista de todos os tempos e fundador da Estação Primeira de Mangueira, é protagonista de mistérios. O primeiro é que ele ficou quase duas décadas “desaparecido” do Morro da Mangueira, onde morava, de meados de 1940 até ser “reencontrado” em 1956 pelo jornalista e escritor Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, trabalhando como lavador de carros num prédio de Ipanema. Há suposições de brigas com outros sambistas mangueirenses, contraído meningite e tristeza pela morte de Deolinda, sua primeira mulher.

Outro mistério de Cartola é como o compositor de “As Rosas Não Falam” e “O Mundo é um Moinho” conseguia renascer após tantas dificuldades que teve em vida. Mas quem criou clássicos como “O Sol Nascerá” era capaz de tudo.

Saiba como calcular a data da folia

Pouca gente  sabe, mas o Carnaval tem seu calendário definido em conseqüência de um sistema de cálculo inventado pela própria Igreja Católica, que combate com veemência a folia .
Por essa metodologia, a igreja, primeiro, define uma de suas datas mais sagradas, o domingo de Páscoa, quando comemora a ressurreição de Jesus Cristo. 

O Domingo de Páscoa ocorre no primeiro domingo após a primeira lua cheia que se verificar a partir do equinócio da primavera (no hemisfério norte) ou do equinócio do outono (no hemisfério sul), e a Sexta-Feira da Paixão é a que antecede o Domingo de Páscoa.

Já a Terça-Feira de Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa.

Mitos levam escola de samba ao título

Ano passado, a escola de samba Império da Casa Verde foi campeã do Carnaval de São Paulo contando a história das civilizações antigas e mitos de sociedades perdidas, temas que são bastante recorrentes nos enredos das agremiações carnavalescas por todo o País.

Publicidade
Publicidade