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Não é futebol profissional: é pelada e os peladeiros amam o Peladão por causa disso!

Formado por jogadores do bairro São José, na zona Leste de Manaus, o time Amigos do Felipe Tabuleiro ergueu o troféu de campeão de uma das edições mais disputadas do Peladão 10/10/2014 às 14:55
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Peladão é dos peladeiros
equipe peladão ---

O título do Amigos do Felipe/Tabuleiro, em 2013, na categoria principal do Peladão, foi uma amostra de que a tradição de times formados em comunidades, com garotos treinados nas peladas de fim de tarde, continua viva e rende resultados.

Formado por jogadores do bairro São José, na zona Leste de Manaus, o time Amigos do Felipe Tabuleiro ergueu o troféu de campeão de uma das edições mais disputadas do Peladão.

Em meio a equipes com alto poder de investimento, entre as 506 que participaram da competição em 2013, os garotos do São José mostraram garra, e deram seu recado: o Peladão é dos peladeiros.

O primeiro coordenador da competição, Messias Sampaio, conta que o espírito do Peladão sempre foi o de celebrar a comunidade. “(Em 1973, primeiro ano do Peladão) descobrimos (Messias e Umberto Calderaro Filho, fundador do jornal A CRÍTICA), que a cidade toda era tomada por campos. Até ao lado de lixeira tinha campo. E que o pessoal adorava jogar o futebol mais descontraído”, lembra Messias.

Desde a década de 1970, a adesão das comunidades ao campeonato criado por Umberto Calderaro se mantém forte, e faz da competição uma das mais democráticas do mundo.

“Hoje em dia, o Peladão consegue manter essa tradição. Ainda mais depois que criou outras categorias (Peladinho, Master, Feminino e Indígena), onde conseguiu trazer ainda mais o povo, a população dos bairros”, avalia Luiz Gonzaga, presidente do Arsenal, e tricampeão como jogador pela equipe do Tuna Luso, na década de 1980.

“O Peladão sempre foi uma competição que conseguiu unir a tradição comunitária, a participação da comunidade em apoiar suas equipes. O título do Amigos do Felipe mostra que continua sendo possível um time formado por jogadores de bairro ser campeão. Eu vivi essa fase pela Tuna. Até porque, hoje, muitas pessoas que vinham mantendo seus times através do poder financeiro, já reavaliaram um pouco seus conceitos e estão dando valor a novos valores que surgem em escolinhas de futebol de bairro, de projetos comunitários”, conta Gonzaga.

Duas vezes finalista do Peladão e tricampeão amazonense pelo Nacional, o gaúcho Sarará, afirma que, por mais investimento que algumas equipes façam para chegar ao título, os peladeiros são a essência da competição.

“Tem muito time bom formado em bairro. O Peladão não cai nunca porque nós, peladeiros, nunca vamos deixar cair. Peladão é do povo. Continua elevando o futebol em Manaus. Não sei o que seria do futebol em Manaus sem o campeonato”, afirma Sarará, radicado na capital amazonense desde o final da década de 1980.

Na edição desse ano, a categoria principal do Peladão vai ser disputada por 426 times. Para o torneio do Peladinho, 46 equipes se inscreveram. A categoria Master tem 135 times e a Feminino: 35.


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