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Nascentes de igarapés de Manaus estão cada vez mais ameaçadas e dependentes de cuidado

Visivelmente mais escassas na capital, muitas nascentes de igarapés foram aterradas devido à expansão urbana, o que levou ao aumento da poluição das águas 22/03/2015 às 11:01
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Um dos mais conhecidos igarapés da cidade, o Mindu, tem sua origem na Zona Leste
Oswaldo Neto Manaus (AM)

Escondidas, com acesso restrito e sem qualquer tipo de intervenção humana capaz de afetar a sua preciosidade. Visivelmente mais escassas na capital, muitas nascentes de igarapés foram aterradas devido à expansão urbana, o que levou ao aumento da poluição das águas que cortam a cidade e um crescente risco à espécies da fauna e flora. É difícil, mas não é impossível vislumbrar em Manaus ou, mais adiante, um “olho” que faz brotar água limpa e cristalina, que traz uma faísca de pureza desde a criação do Universo.

Um dos mais conhecidos igarapés da cidade, o Mindu, tem sua origem na Zona Leste. Longe de casas, indústrias e até mesmo pessoas, a nascente principal do igarapé começa dentro da Escola Demonstrativa de Permacultura do Instituto Federal do Amazonas (Ifam).

Para quem perdeu o costume de observar uma água sem a presença de lixo, o local é realmente de tirar o fôlego - exceto para um funcionário do Instituto, o auxiliar de limpeza Ney José Araújo, 52, acostumado a tanta “generosidade” da natureza. “Aqui a água é limpa porque é o começo de tudo”, diz ele, que afirma trabalhar no local há mais de 20 anos.

Para ter acesso ao ponto mais próximo do “olho d’água”, é necessário percorrer quase um quilômetro mata adentro. Ney guia a equipe de reportagem pelo terreno acidentado e, enquanto isso, consegue identificar árvores e frutos nativos da região. A experiência com a floresta, segundo ele, faz com que ele se sinta ligado ao espaço. “Hoje ninguém mais liga para a água, é muito triste. Me sinto muito feliz e privilegiado por admirar um local desse todos os dias”, conta.

AJUDA DO SUBSOLO

Conforme explica o geólogo do Departamento Nacional de Produção Mineral do Amazonas (DNPM), Fred Cruz, uma nascente na superfície é originada através das águas subterrâneas. Segundo ele, esses dois níveis estão interligados. “O subsolo é uma esponja, encharcada de água”, define.

Ainda segundo Cruz, o futuro das nossas nascentes que continuam limpas pode ser o mesmo de muitas que já fizeram parte da zona urbana: acabaram aterradas. “Hoje, muitas nascentes da nossa cidade viraram esgoto. Praticamente todas as principais bacias da cidade foram afogadas pelas obras que avançam. Nossos programas de reabilitação de igarapés nunca foram feitos. O Prosamim (Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus), por exemplo, é um projeto somente paisagístico”, criticou.

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