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O amor bumbá: torcedores de Caprichoso e de Garantido fazem loucuras por amor aos bois

“Brincantes” dos bumbás azul e vermelho se declaram apaixonados pelo Festival Folclórico de Parintins 25/06/2015 às 12:00
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O paulista Daniel experimentou a hospitalidade do parintinense e ama o boi azul
Laynna Feitoza Parintins (AM)

“Amante, mulher, esposa e namorada” do boi vermelho e tudo o mais que for possível. Assim se define a assistente parlamentar parintinense Rayssa Bandeira, 19. “Tenho uma coleção com mais de 120 CDs de boi e artistas que cantam toada”, assegura o carioca de coração azul Felipe Maia, que vem sempre à Ilha Tupinambarana acompanhar o festival.

Os dois não são nada diferentes da legião de loucos por Boi Bumbá que, da arena do Bumbódromo ou da telinha da televisão de casa – de qualquer lugar do País ou do mundo – acompanham o festival. E eles garantem: é um amor que não acaba e não fica pouco.

Rayssa, por exemplo, é filha de batuqueira do Garantido e começou a dançar em 2010, quando tinha 15 anos. O amor é tanto que em todos os anos ela busca participar dos concursos para item do boi. “Em 2012 participei do concurso de Porta-Estandarte, ano passado participei novamente. Mas, independentemente de qualquer coisa, continuo apaixonada pelo Garantido”, coloca ela.

O seu quarto é decorado por fantasias e adereços, mas uma das suas principais lembranças é um quadro estampado no seu quarto, que guarda uma imagem de quando ela entrou na agremiação do boi vermelho. “Eu criei um boizinho aqui em Parintins, só que ainda não tive tempo de levar para Manaus”, ressalta.


Natália mudou a cor dos cabelos pelo boi Garantido

Desde 2001, o turismólogo Felipe Maia vem do Rio de Janeiro ao festival sem perder nenhum ano. “Vim fazer uma visita a Manaus e fui levado por amigos para o ensaio do Bar do Boi. Nesse mesmo ano esses mesmos amigos me trouxeram para o festival. Quando vi o Bumbódromo e aquela galera gritando foi paixão à primeira vista”, destaca. E sobre a coleção de CDs, ele garante que é a mais pura verdade.

“Tenho também fitas VHS e DVDs de 1982. Quadros pelo quarto e pela minha casa, bem como tapetes estrelados e adereços indígenas por todos os lugares”, pontua. E ele luta para disseminar o amor pelo Caprichoso em sua terra. “De tanto me verem usando as blusas e ouvindo as toadas, empresto DVDs para eles verem. Esse ano trouxe um amigo do Rio pela primeira vez e ele está amando. Já disse que quer se programar para o ano que vem”, comemora.

Outros contextos, mesma paixão

Foi vendo a avó colocar as bandeiras do Garantido na frente da casa meses antes de começar o festival que a estudante Natália Modesto, 16, ainda na infância, adquiriu amor pelo Bumbá. “A minha avó era fanática. Quando ela via o boi entrar na arena era inexplicável, ela se debulhava em lágrimas. E comigo não é diferente”, comenta Modesto, que é membro da Batucada desde 2013 tocando repique. A adolescente chegou a mudar radicalmente uma característica física para atender a um pedido da agremiação vermelha e branca.

“Eles me convidaram para ser Sinhazinha substituta do boi ano passado. Eu tinha cabelo preto e prontamente clareei, deixando ele loiro para assumir a função. Eu era apaixonada pelo meu cabelo preto, sempre dizia que não ia pintá-lo nunca. Mas o Garantido pediu e eu fiz”, relembra.

O pai do comerciante paulista Daniel Negri, 36, veio a Manaus em meados de 99, e ao retornar levou para o filho CDs do Garantido e do Caprichoso. Ele, que já conhecia o festival pela televisão, se apaixonou de verdade e optou pelas doutrinas do boi azul. “O que mais me chamou a atenção foi a galera, porque como eu sou palmeirense fanático, isso me emociona”, conta ele.


Felipe tem 120 CDs de boi e já “arrasta” amigos do Rio

A maior loucura em relação à sua paixão pelo Caprichoso aconteceu em 2005, na primeira vez que ele visitou Parintins com uma ex-namorada para participar  da sua festa mais famosa. Sem hospedagem, translado ou qualquer coisa semelhante, Daniel rumou à ilha com três malas. Ele assistiu a primeira noite do Festival Folclórico daquele ano, em sua primeira vez no evento, do alto das arquibancadas segurando malas que juntas somavam cerca de 30 kg.

“O mais engraçado é que as malas foram revistadas nas catracas e tudo”, relembra ele, aos risos. Negri conheceu a pessoa que o hospedou com a ex-namorada nas arquibancadas. “Saí perguntando quem poderia nos hospedar e uma moça nos ofereceu um quarto na casa dela, para alugarmos”, afirma. Nos anos posteriores, Negri trouxe a mãe, uma tia e uma outra ex-namorada, devido tamanho amor que sente pelo Bumbá.

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