Terça-feira, 11 de Agosto de 2020
Brilho, arte e amor

Islene, a 1ª carnavalesca do AM, volta à avenida para lembrar irmão Wernher

Comemorando 35 anos de Carnaval e com 4 títulos de campeã ela fez o enredo que homenageia o irmão Wernher Botelho, este ano, na escola de samba Vitória Régia



islenebotelho2020_A473ED01-F483-4744-818B-39AF1110A887.JPG A carnavalesca Islene Botelho quer um desfile com muita alegria, como era a característica de Wernher / Foto: Jair Araújo
10/02/2020 às 09:42

Se houvesse um Oscar do Carnaval ele já teria sido concedido para Islene Botelho, 62, a primeira carnavalesca do Amazonas pelo conjunto da obra que, neste ano, completa 35 carnavais de muita arte, técnica e profissionalismo. No currículo, quatro títulos de campeã pela escola de samba A Grande Família. E, para alegria dos foliões, após sete anos afastada da Avenida do Samba ela retorna desta vez à Vitória Régia, por um motivo singular: comandar o desfile que homenageia in memoriam seu saudoso irmão, o famoso estilista Wernher Botelho.

A jornalista e funcionária pública entrou no mundo do Carnaval em 1985 na escola de samba Sem Compromisso, quando criou a 1ª comissão de frente feminina e coreografada em uma época na qual apenas homens integravam esse setor das agremiações - o enredo desse ano foi “Folias de Momo” e a escola terminou em 3º lugar ainda numa época em que o desfile era realizado na avenida Djalma Batista.



Depois ela foi fazer Carnaval na Ipixuna, Barelândia, na própria Vitória Régia, Mocidade Independente do Coroado até ser contratada pela A Grande Família para 2000 para desenvolver o enredo “Laços e Abraços... Mestre Maranhão, Cultura Viva Popular!”.

Os Botelho em familia, durante comemoração de final de ano na residência / Foto: Reprodução/Álbum de Família

“As pessoas veem o Carnaval pela parte da emoção e do coração; eu, mais pela parte técnica. Naquele ano de 2000 nossa adversária era a Aparecida, que homenageava Gilberto Mestrinho no enredo ‘Lua, Luar... Olha o Boto Sinhá!’. De fato o enredo da Aparecida teve aplausos na Avenida, mas confesso que quando o Maranhão entrou eu me emocioneiPerdemos aquele Carnaval por meio décimo”, relembra ela.

Já no segundo ano ela concluiu que se falasse de mulheres ganharia o Carnaval. Dito e feito: o tema foi “As Amazonas: Mulheres Guerreiras e Figurativas! Zona Leste, Circuito da Alegria!”, no sentido das mulheres que deixaram sua marca no Estado como, por exemplo, Maria Monassa (1ª mulher a dirigir um veículo em Manaus), Chloé Loureiro (que escreveu o 1º livro sobre culinária na Amazônia (“Doces lembranças” e em seguida “Ao sabor das lembranças”)) e Eunice Michiles (1ª mulher a ser eleita para o Senado Federal (a Princesa Isabel havia ocupado o posto antes, mas por dinastia). “Ganhamos o Carnaval”, destaca ela.

Depois veio o tricampeonato seguido em 2005, com “Filho do Rio Solimões... Da Terra Brotei, Caboclo Sou Eu, Educador me Tornei”, 2006 com o clássico “Pare, Olhe, Pense... Basta de Tanto Acidente! Não Seja Imprudente! Seja Mais Consciente! A Vida é um Presente!” e 2007 com o enredo “Coari, Um Brasil que Cabral Não Viu!”.

O retorno

Islene afastou-se do Carnaval em 2010, e em 2013 voltou à A Grande Família numa passagem muito rápida, para “Meta a Boca Manaus: O Povo Vai Falar e a Grande Família Vai Mostrar”, que homenageava outro irmão seu: Waisser Botelho. “Foi um desfile bonito e  bem aplaudido, falamos sobre a miséria da Zona Leste e acho que foi o ano mais rico da escola, tudo caprichado e onde todos colaboraram”, destaca a carnavalesca.

O hiato de sete anos acabou este ano na Vitória Régia onde ela escreveu, desenvolveu e organizou o enredo sobre Wernher Botelho. “Estou muito feliz em contribuir com a homenagem ao meu irmão, que era um ser de luz e que tinha uma legião de amigos”, comentou.

Wernher Botelho e a irmã Islene: sentimento de emoção no Carnaval e outras festas / Foto: Reprodução/Álbum de Família

“Minha ideia é levar pra Avenida do Samba um desfile colorido cheio de arte e de amor ao próximo, de brilho, retratando o ser humano maravilhoso que foi meu irmão nesse mundo. Trabalharemos com a magia das cores usadas por ele que estarão presentes desde a Comissão de Frente até a última ala da escola de samba Vitória Régia. Escrever sobre o Wernher é um presentão nesses meus 35 anos de carnavalesca”, destacou ela, segurando as lágrimas.

Emoção

Islene disse que estar na Avenida do Samba para homenagear o irmão será “uma mistura muito louca de choro, alegria e a certeza de que ele cumpriu sua missão em vida dignamente sem nem uma mancha que manchasse sua imagem de homem íntegro e um artista maravilhoso, portanto inesquecível a ponto de se tornar em enredo de uma grande escola de samba, por ter história pra contar”.

“Agradeço ao (presidente da Vitória Régia) Didi Redman pela grande homenagem e espero, ao lado de dois garotos que estão iniciando suas carreiras de carnavalescos, chamados Ricardo Rossan e Sérgio Fontinelly, somar forças, ideia e arte e levar pra Avenida um carnaval inesquecível para ganharmos o título”, conta ela, agradecendo.

Um ‘abuso’ nas cores verde  e rosa

“Abuso”  era o jargão utilizado por Wernher Botelho para se referir a algo belo, espetacular, digno de aplausos. “Um abuso de artista, pessoa e carnavalesco”, trata a sinopse do enredo para este Carnaval.

A proposta da Vitória-Régia é fazer um enredo que toque o coração das pessoas e baseado que o amor ainda é a solução para mazelas sociais como o ódio, racismo, violência e desunião. “Isso é falta de amor. Então a verde e rosa traz a mensagem de Wernher Botelho, ’Fazer o bem sem olhar a quem’. A Vitória-Régia, da Praça 14, trás isso para a avenida através do amor, da caridade, da igualdade e da genialidade do artista, do seu amor a arte e ao próximo”, trata a sinopse.

Repórter de A Crítica

Carnaval 2020



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