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‘Os Folgados do Beco’ dividem histórias e orgulho no Peladão

Na época em que o time foi criado, há sete anos, o grupo resolveu apostar e inscrever o time no Peladão 06/11/2015 às 11:51
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No começo era só uma brincadeira de bola, mas com os passar dos anos, o grupo resolveu participar seriamente do campeonato
equipe peladão 2015 ---

Há sete anos um grupo de amigos que ficava sentado jogando conversa fora em um beco, no bairro Petrópolis, Zona Sul de Manaus, recebeu um apelido dos próprios moradores da área que se tornou o nome do clube que está disputando o maior campeonato de peladas do mundo: o Peladão. Intitulados de “Os Folgados do Beco”, mais de dez amigos estão no mata-mata do torneio. A expectativa é passar do terceiro perde sai, segundo explicou um dos fundadores do grupo Alessandro Cardoso de Araújo, de 35 anos.

Ele explicou que aos finais de semana pelo menos dez amigos que moram até hoje no Beco Flamengo, situado na rua Antônio Paes Dias, Petrópolis, costumavam bater papo na área até altas horas da noite. O “bate canal” dos amigos despertou a generosidade de alguns moradores que, ao passarem por eles, entregavam alguma comida ou bebida. Porém, mesmo recebendo de graça, eles exigiam que teria que ser do bom e do melhor. Por conta disso, os moradores os apelidaram de os folgados.

“Ficávamos sentados o dia todo e jogando papo fora e sempre lembrávamos de quando jogávamos bola quando éramos pequenos e um resolvemos criar o time e estamos aqui. Como já havia o Peladão, nós decidimos colocar para brincar de bola, mas hoje levamos a sério. Muitos já não estão mais no time, mas ainda tem uma grande parte que integra a família dos folgados”, explicou.

Outro fundador do grupo Genildo Marcos Bernado, 41, explicou que se alguém entregasse para o grupo de amigos uma marmita com feijão, por exemplo, os mesmos exigiam da pessoa que só iriam comer se tivesse com jabá. “Se alguém entregasse um refrigerante e não fosse Coca-Cola, nós exigíamos e ainda tirávamos sarro da cara da pessoa, dizendo que ela não tinha dinheiro para comprar um refrigerante que prestasse”, explicou. A alegria dos Folgados do beco Flamengo criou um laço de amizade com os moradores da região.

Na época em que o time foi criado, há sete anos, o grupo resolveu apostar e inscrever o time no Peladão. No começo era só uma brincadeira de bola, mas com os passar dos anos, o grupo resolveu participar seriamente do campeonato. Depois que parte do time virou evangélico, Alessandro ainda tentou mudar o nome para Abençoados do Beco, mas não vingou. Na vizinhança, todos conhecem os Folgados. Para um dos fundadores, Alessandro Cardoso, que está desempregado e ajuda a família lavando blusas de um time de futebol da igreja em que participa, é uma bênção jogar o Peladão. “Tiro R$ 60 por mês para ajudar minha família, minha esposa vende din-din e minha mãe recebe uma aposentadoria por ter uma deficiência, mas nunca perdi a vontade de vencer. Moro aqui no beco e tenho orgulho”, disse, muito animado.

O mais folgado dos folgados

Segundo Alessandro, todos do time são folgados, mas um passa dos limites quando o assunto é deitar e rolar em cima dos outros. O nome dele é Icleno Passos, conhecido como “Príncipe” entre os amigos, e um dos atacantes e destaques da equipe. Folgado e meio ainda é pouco, conforme o fundador do clube. “Ele bagunça tanto que quando ele fala a verdade, ninguém acredita nele, ele é muito folgado”, disse Cardoso.

À equipe do Peladão, Icleno disse que é apenas despojado e gosta de brincar com as pessoas. Entre eles há muitos Folgados como o goleiro do time Pezão, o meia Emerson Luiz, o Sapo, os atacantes Aleison Serra, o Leleco, Wanderson Sampaio, o Peru, Kleverson Salgado, o Estrelinha, Denison Nina, conhecido como Barriguinha, Edson Coelho, o Ed, Marcelo Souza, Fábio Monteiro, o Pará, o Gringo, Jefinho, Marcos Mateus, o Grilo, entre outros que fazem parte dos Folgados.


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