Publicidade
Carnaval
Especiais

Pajé mais antigo do Festival de Parintins, Waldir Santana é garra, talento nato e fé

Trajetória de 29 anos do Pajédo Boi Caprichoso se confunde com os 50 anos do Festival. Devido a sua atuação, ele se tornou um ícone do folclore parintinense 26/06/2015 às 01:15
Show 1
“Tenho paixão pela arte, pelo Caprichoso e pela galera”, afirma Waldir
VINICIUS LEAL Parintins

“Quando eu faço Pajé, entro num transe maravilhoso”. São com essas palavras que Waldir Santana, intérprete há 29 anos do item 12 do Boi-Bumbá Caprichoso, define o “fazer pajelança”. Ele é o item individual mais antigo não só no Boi Azulado, mas de todo o Festival Folclórico de Parintins, e os 50 anos do evento, comemorados em 2015, se confundem com a trajetória de Waldir.

“Tenho paixão pela arte, pelo Boi Caprichoso e pela galera (torcedores)”, afirma ele, que se tornou um ícone e um ídolo do folclore parintinense e também é respeitado pelo boi contrário. Waldir tem 49 anos.

Foi ainda na adolescência que essa história começou. “Eu já dançava frevo, macumba e boizinho. Aí dancei nas tribos, fiz bailado e fui Tuxaua. Eles queriam que eu fosse Pajé, mas meu sonho era ser um grande bailarino”, disse. “Sou fã do Mikhail Baryshnikov (coreógrafo russo). Gostaria de ter nascido num país frio. Odeio esse calor”, conta Santana, aos risos.

O artista só topou ser o Pajé após ter alguns pedidos atendidos. “Eu queria modificar algumas coisas, como a fantasia, que eu achava cafona. Então introduzi coisas novas, como aquela cabeça de onça e de lagarto que se movia, porque o verdadeiro pajé não mostra o rosto”. Um exemplo de inovação de Waldir foram as lentes de olhos coloridas, trazidas de São Paulo e usadas por ele em 1998. “Depois o contrário começou a usar”.

Etnográfico

Na primeira vez que defendeu o item 12, em 1986, Waldir tinha 20 anos. Ele veio sobre uma alegoria de formiga gigante, dentro do ritual da Tucandeira, ainda na arena do então Anfiteatro Messias Augusto – próximo de onde fica o Bumbódromo hoje. E a emoção é sempre a mesma.

“Eu nunca tive um coreógrafo. É um dom de Deus”, explica sobre a convincente interpretação. “Eu levo muito a sério, viro outra pessoa na arena. Meus amigos dizem que eu entro num transe”. E para ser o Pajé, Santana trabalha arduamente. “Estudo mais sobre as tribos, assisto vídeos, estudo as cores e as pinturas, as indumentárias, o dialeto. Tudo que é natural deles. Tenho respeito por eles”.

Garra e talento

A atuação de Waldir como Pajé já rendeu momentos arriscados. “Já fiquei pendurado de cabeça para baixo, queimei minha perna, caí de uma alegoria em 2008, quando eu dancei por duas noites com o pé quebrado, e na terceira noite me trocaram por outra pessoa”, disse.

Além de fazer as próprias coreografias, Waldir também produz as fantasias que usa, com apoio de uma equipe de cinco figurinistas. “São duas fantasias por noite, uma tribal e uma de ritual”. Os figurinos pesam entre 15 a 20 quilos e custam até R$ 40 mil.

Respeito e fé

Admirador da cultura africana e dos povos indígenas, Waldir já foi confundido com um pajé verdadeiro durante viagem a uma tribo em S. G. da Cachoeira. “Eles não sabiam que eu era pajé só de brincadeira. Fizeram uma pajelança, um tranca-corpo em mim”, disse Santana.

Apesar do contato com as culturas africana e indígena, Waldir é católico e devoto de N. S. do Carmo. Tanto que ele carrega na cintura o terço da santa, que é padroeira de Parintins. “Tenho fé e paixão pela arte”, finaliza o experiente Waldir Santana.

Publicidade
Publicidade