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Portador de deficiência visual supera dificuldades e se prepara para virar professor

O jovem aluno de pedagogia da Ufam, que ficou longe da escola dos 9 aos 21 anos, se prepara para virar professor 24/10/2016 às 16:49 - Atualizado em 24/10/2016 às 17:00
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(Foto: Aguilar Abecassis)
Alik Menezes Manaus (AM)

O amor pela educação e o sonho de ajudar outras pessoas é o que motiva o estudante do segundo período do curso de pedagogia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Glaudson Pereira Tavares, 34, a se dedicar cada dia mais e superar os desafios diários. 

As dificuldades na vida do universitário surgiram ainda na adolescência, quando ele teve que abandonar os estudos. O jovem sofria de problemas de visão e os pais tinham medo, que ao forçar a vista, ele perdesse totalmente a visão. “Eu tinha 12 anos e tinha baixa visão. Sem conhecimento, meus pais acharam melhor me tirar da escola”, contou.

Foram nove anos de angústia longe das salas de aulas. Glaudson, que é morava em Itacoatiara, só pôde voltar aos estudos após atendimento médico, aos 21 anos. Ele foi diagnosticado com catarata congenita. “Apesar da doença, o meu médico disse que eu poderia operar e voltar a enxergar, mas foi tarde demais, estava com glaucoma e nada pode ser feito mais”, disse.

Se você acha que o jovem deixou se abater com a perda total da visão, está enganado. Glaudson decidiu retomar os estudos. “Fiquei muito feliz quando pude voltar e concluir o ensino médio. Eu sonhava muito em voltar a estudar, concluir os estudos e aprender coisas novas todos os dias. Dizem que eu tenho facilidade em aprender, mas, na verdade, eu sou curioso, eu gosto de aprender, eu gosto de conhecer assuntos novos”, disse.

O jovem enfrentou desafios diários na escola estadual onde estudou. Além de não ter um material de didático específico como livros em braille, Glaudson ainda esbarrava na falta de preparo de alguns professores. “Não foi fácil, nenhum dia foi fácil. Não tinha material que atendesse a minha realidade e tinha até professores que diziam que não sabiam ensinar um aluno como eu, cego. Mas eu não me abatia, isso me motivava ainda mais”, disse.

Apesar de não receber apoio de alguns professores, o estudante contava com a ajuda de funcionários da biblioteca da escola, que liam o conteúdo e gravavam para o jovem estudar em casa. “Foram anjos. Foram pessoas que me ajudaram e me motivavam sempre”, lembrou.

O caso de amor de Glaudson pela educação se intensificou ainda mais há cinco meses quando foi aprovado no vestibular da Universidade Federal do Amazonas. O objetivo é ajudar outras pessoas que também são deficientes visuais e que moram no município dele. “Sou apaixonado pela educação. Quando eu me formar, vou voltar para Itacoatiara e vou ajudar essas pessoas, muitas delas me motivaram, me motivam e me incentivam até hoje”, contou o jovem.

O universitário disse que está impressionado com o amor que tem recebido das pessoas em Manaus e a cada dia ama mais a cidade. “Estou muito feliz com tudo que está acontecendo aqui, fui bem recebido, estou amando a cidade”, disse.

Apesar de ter mais oportunidades em Manaus, Glaudson ainda precisa fazer sacrifícios para se manter em Manaus. O universitário investe R$ 400 de sua renda mensal (um salário mínimo) para pagar um mototaxista que lhe leva e busca na universidade. “É um gasto alto, mas necessário porque eu não conheço a cidade, não sei andar sozinho aqui ainda. Mas tudo isso vai valer a pena”, disse o universitário que mora com a irmão no bairro São José, na Zona Leste.

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