Segunda-feira, 24 de Junho de 2019
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Primórdios da folia: Carnaval começou a ser 'pulado' em Manaus na fase áurea da borracha

Portal A Crítica mostra que Manaus tem vocação foliã desde o século 19



1.jpg Manaus tem o carnaval na veia desde os primórdios da festa popular
10/01/2016 às 18:33

A cidade de Manaus tem vocação foliã desde o século 19, bem ao estilo “Paris das Selvas”, um dos codinomes que ganhou na fase áurea da borracha. E é sobre antes, durante e depois de se tornar a “Bélle Époque” que o Portal A Crítica vai traçar um panorama hoje (10), e no próximo domingo, sobre os primórdios do Carnaval amazonense.

Hoje, a viagem ao passado vai enfocar as primeiras manifestações da folia manauense. No outro final de semana será a vez de manifestações culturais, como os grandes bailes, as escolas de samba (que este ano voltam a ter cobertura da Rede Calderaro de Comunicação - RCC) e as bandas e blocos “sensações” da atualidade. bailes e entrudosJá em meados do século 19 se praticava o Carnaval na “Terra de Ajuricaba”, a partir dos entrudos, antigas brincadeiras onde os foliões lançavam todo tipo de líquidos (até sêmem ou urina, segundo alguns textos), limões ou farinhas em pó e outros alimentos que estivessem disponíveis.

O extinto jornal “Estrella do Amazonas” cita, na sua edição de 28 de janeiro de 1854, o que seria o primeiro registro na imprensa sobre manifestação carnavalesca: um convite aos sócios da Sociedade Recreativa Amazoniense para que participassem de um baile na casa do capitão Gabriel Antônio Ribeiro Guimarães.

Ou seja: até por volta de 1900 os eventos suntuosos eram para poucos, como os barões, em casarões e, depois, em clubes locais. Uma parte da população brincava nas ruas próximas às suas casas, em becos ou ruelas, os famosos blocos de sujo.

avenida e corsosEm 1901 entra em cena o que seria, por muitos e muitos anos, o principal local das manifestações carnavalescas da cidade: a avenida Eduardo Ribeiro, no Centro.

Um dos anos com mais registros fotográficos é o de 1905, com o que seriam os primórdios dos carros alegóricos locais, retratando de monstros mitológicos a dirigíveis da época, como os zepelins. Nesse período haviam os bailes do antigo Ideal Clube, que em 1905 realizou o famoso “Bal-Masqué”. À época, dois outros locais rivalizavam com ele: o Clube dos Terríveis e o Internacional.

Em 1908 têm origem em Manaus os corsos, onde os “almofadinhas” e “donzelas” da época, consumistas das modas importadas de Paris, desfilavam fantasiados em carros suntuosos, ou carruagens enfeitadas de flores, numa espécie de comboio, e jogando confetes, serpentina e perfumes no público. O Corso da Cervejaria Miranda Corrêa era um dos mais famosos.

“No ‘boom’ da borracha, entre 1890 e 1914, o Carnaval tomou mais corpo, principalmente por causa da sacramentação de uma nascente elite local”, explica o historiador Daniel Sales, em sua conhecida obra “É Tempo de Sambar - História do Carnaval de Manaus com Ênfase às Escolas de Samba”.

A fase pós-borracha, a partir de 1915, também significou o fim dos corsos para o Carnaval amazonense. No entanto, o povo continuou brincando na base do entrudo (em suas próprias localidades) e nos primeiros desfiles militares, com bandas executando seus dobrados, marchinhas e marchas-ranchos (o rádio já rompia barreiras nacionais). O local, claro, era a Eduardo Ribeiro. E as manifestações afro-brasileiras cada vez mais presentes em bairros como a Praça 14 de Janeiro, Costa da África (próximo ao antigo cemitério São José, onde está hoje a sede do Atlético Rio Negro Clube, Centro) e da Cachoeirinha.

Kamélia

Em dezembro de 1938, o ex-diretor do Olímpico Clube, Cândido Jeremias Cumaru, cria a Kamélia, uma boneca negra de apenas 75 cm de altura, comprada por quatro mil réis nas Lojas 4.400 e trajada à moda baiana, que arrastava multidões pelas principais ruas da cidade, pendurada no galho de uma ingazeira. Ela viria a se tornar o símbolo que abre oficialmente o Carnaval de Manaus todos os anos. No final dos anos 40 surgem as primeiras escolas de samba de Manaus. Mas isso é assunto para o próximo domingo. Até lá, leitor folião!

Em números

1915 foi o ano da misteriosa morte da violinista Ária Paraense Ramos, vitimada por um tiro disparado supostamente pelo namorado ciumento durante um baile de Carnaval na ex-sede do Ideal Clube (Eduardo Ribeiro com Henrique Martins). Ela fazia parte do grupo “Paladinos da Galhofa”. Curiosidade mórbida: ela executava a música “Subindo ao Céu” no momento do próprio assassinato.

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