Segunda-feira, 27 de Janeiro de 2020
CARNAVAL

Projeto 'Salto Agulha' cria primeira bateria de samba feminina do AM

Realizada sempre às segundas, quartas e sextas-feiras, de 18h às 20h, no parque aquático do Olímpico Clube, a atividade foi idealizada pela ex-Rainha do Carnaval de Manaus, Érika Leão



salto_agulha_C4351AD7-7D6C-4020-BAE7-F5D7688226D7.JPG Foto: Sandro Pereira
08/01/2020 às 07:52

Uma iniciativa inédita criada há cerca de um mês por mulheres com muito samba no pé, gingado e vontade de ensinar deu início ao Projeto Salto Agulha, que é a primeira bateria feminina da história do Carnaval amazonense. 

Realizada sempre às segundas, quartas e sextas-feiras, de 18h às 20h, no parque aquático do Olímpico Clube, a atividade foi idealizada pela ex-Rainha do Carnaval de Manaus, Érika Leão, e os ensaios são realizados em paralelo às aulas de dança ministradas pelas beldades Ana Luiza Carneiro, Josiane Vale e Vanessa Costa – juntas, elas eram conhecidas como “As Furiosas da Reino Unido da Liberdade”.



O projeto é a afirmação da força da mulher, demonstração do ineditismo e do empoderamento, e não apenas a exibição de belos corpos seminus ou não. É o reconhecimento e valorização do potencial interior da mulher.

“Vimos a necessidade que as meninas tinham de se prepararem para concursos como o de rainhas de baterias em Manaus. Muitas vezes a despreparação contribui para a eliminação em uma determinada escola. Chamamos as meninas para darem aulas de dança e de postura, que nesse caso é comigo", conta Érika Leão, Rainha do Carnaval do Amazonas em 2012.

"O Carnaval apresenta muitas ciladas para mulheres, que ficam mal faladas e nem sempre sabem construir história no Carnaval. Entrar no Carnaval é fácil, mas permanecer na história com respeito é que é difícil. Elas são respaldadas. A Vanessa Costa, por exemplo, é bacharelanda em Dança”, ressaltou. Cada aula de samba no pé custa R$ 5 às participantes.

“Ensinamos desde os pequenos passos até o samba no pé. Nós ensinamos. O objetivo é dar bem estar para as mulheres”, disse Vanessa Costa, ex-Rainha de Bateria.

Segundo Ana Luiza Carneiro, 28, que foi Rainha do Carnaval em 2017, o “projeto surgiu da necessidade das meninas que querem fazer parte do nosso Carnaval de aprenderem a sambar, de como se portar e se vestir, de como participar de um concurso; a bateria já era um projeto que estava no papel há mais de 1 ano”.  

“Paralelo ao projeto percebemos que não havia uma bateria feminina que defendesse com garra essa iniciativa. E tiramos do papel esse projeto”, ressalta Érika Leão.

A bateria é formada atualmente por 13 mulheres oriundas de várias escolas de samba - e ainda há vagas para o cavaco e repique. Elas farão shows privados junto com as alunas do salto agulha como passistas. Na próxima sexta-feira, as ritmistas se apresentam  na Escolha da Corte do Carnaval de Manaus 2020 que acontecerá no próprio Olímpico Clube.

Uma das ritmistas da Salto Agulha  é a cabeleireira  Beliza Camardela, responsável pelo surdo de primeira. Sua escola de coração é a Mocidade Independente de Aparecida, onde fez parte da bateria durante cinco anos no chocalho, e depois passou a integrar a Vila da Barra e no qual, ano passado, “conheceu” o surdo de primeira.

“Depois continuei tocando na escola de samba Presidente Vargas, que é onde estou atualmente, mas no chocalho, e também estou na A Grande Família no surdo de primeira. Para mim, participar desse projeto inédito é muito importante porque mostra que temos capacidade de tocar e também conhecer outros instrumentos. É a oportunidade de mostrar um trabalho que foi oferecido para nós e que estamos abraçando com todo o carinho”, disse ela, empunhando o surdo com a logomarca do Salto Agulha na tonalidade rosa.

Repórter de A Crítica

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