Sábado, 14 de Dezembro de 2019
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Quando só a internet surge como a luz no fim da crise, profissionais decidem se reinventar

Tempo para curtir o filho recém-nascido ou manter segura a profissão? Seguir uma carreira tradicional ou arriscar no inexplorado? Esses dilemas foram superados com louvor por pessoas comuns, psicólogos e advogados, como neste exemplo, em um Amazonas onde quase 11% das formas de trabalho acontecem pela Internet.



1.jpg Tudo começou no blog, que hoje proporciona tempo, conforto e uma renda para Débora e o filho
15/12/2015 às 17:07

Se dividir entre o trabalho e o lar é um dilema que quase toda mãe enfrenta em algum estágio da maternidade, mas foi aqui no Amazonas, um Estado onde quase 11% das formas de trabalho acontecem pela Internet, que uma mãe teve a ideia que possibilitou conciliar os dois caminhos. Uma ideia simples porém genial, que mudou sua vida e a ajudou, junto com uma forcinha das redes sociais, a manter um negócio bem-sucedido em Manaus mesmo morando do outro lado do Brasil, para onde se mudaria logo depois

A psicóloga manauara Debora Lucena largou o emprego que tinha em uma empresa privada que prestava serviço ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) quando chegou a hora de ter o Joaquim, seu primeiro filho, ainda no fim de 2013. “Foi uma descoberta. Com a maternidade vi que queria ter mais tempo para o meu filho. Ter disponibilidade para seu bebê é o sonho de toda mãe e, quando a gente vira mãe, tem que se virar nos 30”, conta Débora. Foi então que ela decidiu largar o emprego, que exigia muito dela, e criar o blog “Mamis & Babys”, o pontapé para uma nova fase.



O blog surgiu ainda no final de 2013, logo depois do seu filho nascer. "Até então não existia em Manaus um blog de maternidade, e como eu era muito ligada a sites sobre o assunto, sempre tinha que procurar fontes de fora”, diz. Foi quando a lâmpada sobre a cabeça da psicóloga acendeu e iluminou a lacuna que existia no universo on-line amazonense. “Criei um blog e começou a dar certo na hora”, diz, revelando que contou com ajuda do seu marido, que trabalha com marketing digital.

Débora admite que desde a criação do blog sua intenção era organizar eventos para as seguidoras, que a cada dia rendiam mais acesso e aumentavam seus números nas redes sociais, principalmente no Instagram. No começo foram alguns encontros, com lucro era simbólico, frente às despesas. “Logo depois, comecei a receber mensagens de seguidoras cobrando por um bazar infantil. Foi quando percebi que era uma oportunidade de ganhar o meu dinheiro”, lembra ela, que já tirava algum lucro com publicidade em seu site.

A primeira edição do Bazar e Brechó Baby aconteceu em janeiro deste ano, na loja D’Casa, localizada no conjunto Vieiralves, Zona Centro-Sul da capital. Foi algo pequeno, onde Débora disponibilizou nove estandes, que seriam alugados tanto por mães participantes quanto por lojas do segmento. “As mães que foram lá estavam mais ou menos na mesma história que eu: deixaram o emprego para cuidar do filho e estão tentando empreender de alguma forma”, destacou Débora. Com a venda dos estandes (que podem custar até R$ 500), ela pagou o aluguel do espaço da loja de decoração – que gostou da parceria, pois ganhava publicidade – e outras despesas menores, como segurança, limpeza, comida e bebidas. Quando viu, seu lucro foi maior do que seu salário na empresa em que trabalhava antes de dar à luz.


O bazar já contou com quatro edições apenas neste ano, com mais duas programadas

E todos saíram ganhando, pois além de Débora e da D’Casa, as mães conseguiam faturar valores que chegavam entre R$ 1,5 mil e R$ 6 mil e as lojas conseguiam vender todos os produtos que levaram, sempre oferecendo desconto de até 50%, a pedido de Débora. “As mães conseguiram arrecadar uma quantia maior do que o valor do aluguel do estande, por exemplo”, comemora.

Uma ideia genial, admite, sem falsa modéstia. “O bazar aumentou a visibilidade do blog, até porque além de fazer dinheiro, as mães também gostam de estar nesse convívio de mamães e bebês, de troca de experiência, e acaba sendo um encontro”, frisa.

Do outro lado do Brasil

Segundo a mãe-empreendedora-psicóloga, a primeira edição do evento foi um sucesso além do que ela esperava. “A loja ficou lotada! Deu tão certo que pensei ‘agora preciso continuar’”. Porém um detalhe complicava sua vida: mesmo ainda morando em Manaus, ela estava com mudança completa marcada para Florianópolis, Santa Catarina, para onde seu marido havia sido transferido. “No início fiquei triste, mas logo vi que mesmo de Florianópolis eu conseguiria agilizar as vendas, já que faço tudo pela Internet”, conta.

Desde a segunda edição do evento, Débora faz tudo à distância, pela web. Contrata os serviços, reserva o espaço, agiliza toda a estrutura para o bazar infantil. Cerca de cinco ou três dias antes do evento, Débora desembarca em Manaus, onde ajusta os últimos detalhes e permanece até o fim. Até agora, tem dado certo e o Bazar e Brechó Baby realizou, no fim de julho, sua quarta edição, tão lotada como as anteriores e com 20 estandes participantes ao todo.

E ao que Débora deve todo esse sucesso interestadual? "Se não fosse meu blog nem estaria fazendo essas coisas. Foi uma motivação para eu não querer mais ficar presa dentro de um escritório. Com o blog faço meu horário, tenho minha própria renda e tenho tempo para o meu filho”, comemora.

Bazares também on-line

Mas nem só de bazarés físicos é possível lucrar. Foi esta oportunidade que a autônoma de 23 anos Lunara Gonçalves aproveitou para criar o Bazar das Gordinhas Lindas on-line. "Pelo fato da área plus em Manaus ser pequena, resolvi criar um grupo que facilitasse essa interação entre as meninas", diz.

Em menos de dois anos, já são mais de 10 mil membros no Facebook. "Com certeza é uma boa maneira de escapar da crise, não deixa de ser uma renda extra", incentiva. Para organizar as transações, Lunara estabeleceu o valor máximo em R$ 60 e o tamanho a partir de G ou 44. "Elas marcam o local e fazem a venda ou a troca, cada um da sua maneira", declara a criadora, entre risos.

O anulador de riscos das aceleradoras techs

Foi por acaso que Joab Hardman Fagundes, hoje com 25 anos, entrou no mundo digital. Recém-formado em Direito pelo Centro Universidade do Norte (UniNorte), ele viu numa recorrente dificuldade que empreendedores enfrentavam uma oportunidade para começar o seu próprio negócio.

Não se passaram nem três anos desde que Joab recebeu o diploma da UniNorte, mas ele já tem um escritório no Centro de Manaus, com duas funcionárias, presta mentoria para uma das principais aceleradoras de start-ups da capital e ainda ministra palestras e workshops, inclusive on-line. Mas de onde vieram essas oportunidades?

"A especialização em direito digital teve início quando comecei a processar empresas neste campo. Vi a brecha no mercado local e resolvi investir, entrando mais em contato com o mundo empreendedor jovem", explica Joab. Quando participou da equipe vencedora do evento StartUp Weekend 2014, o advogado se entregou de vez ao universo digital, prestando serviços para diversas incubadoras de renome em Manaus.

Após ser convidado para ministrar um curso sobre direito digital para clientes e colaboradores da Fabriq, uma aceleradora de start-ups de tecnologia, em fevereiro deste ano, não parou mais: em seis meses, já foram dez eventos - entre palestras, workshops e oficinas - , além de mais duas agendas para agosto, nos dia 6 e 20, sempre com o mesmo foco: jovens empreendedores e as formas de blindar sua empresa judicialmente.

"Junto os conceitos básicos do direito digital com os conceitos do jovem empreendedorismo", afirma Joab, hoje uma espécie de consultor para a Fabriq.  "Muitas pessoas têm ideias que são absurdas, que podem render processos. Há, por outro lado, muitas ideias genais, mas que também precisam de blindagem". O objetivo maior é diminuir riscos no futuro: "Orientamos para evitar crises e prolongar a vida útil de sucesso da empresa", completa o advogado.



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