Sexta-feira, 19 de Abril de 2019
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XÔ, PRECONCEITO!

Rainha de Bateria da Primos da Ilha e companheira simbolizam enredo da escola

Keise Pereira Rosa, de 27 anos, Rainha de Bateria da escola de samba Primos da Ilha, e a companheira dela, Neida Correia, 36, estão casadas há cinco meses e juntas há quatro anos


27/01/2019 às 17:07

Quando a harmonia é perfeita, não há preconceito que perdure. E é com muito jogo de cintura e rebolado que o casal formado pela Rainha de Bateria da Primos da Ilha, Keise Pereira Rosa, 27, e sua companheira, Neida Correia, 36, está junto há quatro anos, sendo que em união estável juridicamente desde 15 de setembro do ano passado, quando oficializaram a relação.

Ambas são o exemplo da diversidade e do respeito ao próximo neste Carnaval. Tudo a ver com o enredo da escola de samba para este ano, que é “Não queremos aceitação, queremos respeito! Se quer falar de cura, cure o seu preconceito!”, num clamor contra a homofobia e a discriminação e no que é um dos mais aclamados, e atuais, temas desta temporada da folia de Momo.

No Brasil, são reconhecidos às uniões estáveis homoafetivas todos os direitos conferidos às uniões estáveis entre um homem e uma mulher. Direitos iguais.

Keise, que é estudante do curso de Enfermagem, e Neida, instrutora de autoescola, se conheceram fora do Carnaval, mas a união se fortaleceu ainda mais com a escola de samba. “Uma vez saí com amigas minhas e quando vi a Keise me apaixonei por ela. Nos conhecemos no dia 14 de setembro de 2014, em Itacoatiara, durante o Fecani. Daí comecei a fazer uma amizade, ter contato com ela, conhecer a família. Na época ela havia saído de um relacionamento com outra pessoa”, relembra Neida, que acompanha a sua rainha no dia a dia e, claro, nos eventos carnavalescos, servindo, também, de apoio para casos como problemas nos adereços da fantasia, etc.

O casamento no Civil ocorreu no dia 15 de setembro do ano passado, data dos quatro anos de convivência do casal, sendo celebrado por um juiz de paz e tendo como uma chácara no Tarumã. E lá se vão cinco meses de casadas, no que, para elas, ainda é um começo.

Segundo Keise, o samba acabou unindo ainda mais as garotas. “O samba foi unindo cada vez mais a gente, até porque em relacionamentos é muito difícil o parceiro ou a parceira colaborar com esse sonho. E com ela eu vejo que me incentiva nos momentos em que estou cansada, ou não tão legal. E a Neida, com toda calma, me acalentando e dizendo ‘Calma, vai dar tudo certo’”, comenta Keise.

Durante a entrevista, realizada na própria quadra da Primos da Ilha, ambas olhavam para a outra, apaixonadamente, manifestando carinho, amor e paixão. “Defino nossa relação como sendo de amor, companheirismo e respeito. Nós nos identificamos. O jeito dela muito companheira e amável, tímida pra falar às vezes. Eu já sou mais estourada, e a Keise me acalma, é paciente comigo. Ambas vão se completando, numa relação como qualquer outra onde há amor”, descreve Neida.

Para Keise Rosa, falar da companheira é fácil: “Ela é o meu tudo. Sem a Neida acho que a maior parte dos meus sonhos não teriam se concretizado. E graças a Deus a maioria foi com ela. Inclusive, encontrei a maior parte da minha família, que eu não conhecia, por intermédio dela, como o meu pai que eu não via há 20 anos e a minha irmã, há 30”. 

Historicamente o samba sempre foi marginalizado, sofreu preconceito e deixado de lado. Hoje, Keise Rosa e Neida Correia ajudam a quebrar cada vez mais a barreira de quem ainda é intolerante com quem só quer ser feliz. “Aqui na Primos da Ilha sempre fomos respeitadas por todos. Temos postura”, conta Neida. “Temos noção que estamos quebrando paradigmas”, ressalta a Rainha de Bateria.

Blog: Nelsinho Medeiros, Pres. da Primos da Ilha

“A relação entre a Keise e a companheira dela tem tudo a ver com o nosso enredo. A Keise está conosco há quatro anos e sempre soubemos da  orientação sexual dela, e não vemos diferença nenhuma quanto a isso. Ambas as meninas são super cativantes, alegres. A Neida é da harmonia da escola, elas participam e frequentam a agremiação. Não tem diferença. É até difícil explicar uma situação que, para nós, é comum. É natural. Os outros olhos, as outras pessoas é que vêem com uma diferença, mas não aqui na Primos da Ilha. O samba foi muito discriminado, e nós do samba, pelo contrário, não podemos discriminar. Levantamos a bandeira da igualdade, do amor livre e da paz mundial. É isso que temos que fazer”, disse Nelsinho, que também acumula a função de diretor de Carnaval da agremiação.

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